Jornal dos Desportos

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Fim de um romance

10 de Fevereiro, 2016

Quebra do vínculo é resultante do conflito entre dois pilotos na última época

Fotografia: AFP

A confusão que envolveu Valentino Rossi e Marc Márquez ganhou mais um capítulo. A empresa responsável pela gestão dos direitos de imagem do piloto da Honda, AC Management, confirmou na segunda-feira o fim do contrato entre o bicampeão e a VR46 Racing Apparel, empresa de merchandising do titular da Yamaha.

Os rumores sobre o fim da relação de negócios entre os dois pilotos começaram no ano passado, pouco após Valentino Rossi acusar Marc Márquez de conduzir a favor de Jorge Lorenzo. A polémica entre os dois atingiu o auge no Grande Prémio da Malásia, quando num toque terminou com o número 93 no chão.

Valentino Rossi foi punido pelo lance e teve de iniciar a última prova da época na última posição da grelha. Embora ultrapassasse a maior parte do pelotão, o italiano assistiu Lorenzo e ajudou a sair de Valência com o título de 2015, por uma margem de cinco pontos. Como era de esperar, o rompimento com a VR46 também envolve Álex Márquez, o irmão caçule do companheiro de Dani Pedrosa. O contrato era válido até o fim deste ano.

“A AC Management, companhia responsável pela gestão dos direitos de imagem dos pilotos Marc Márquez e Álex Márquez informa que chegaram a um acordo com a companhia VR46 Racing Apparel para terminar o contrato de licenciamento em vigor, e sob o qual a última era responsável pela exploração da merchandising dos dois pilotos”, diz a nota.

O documento esclarece que "as duas partes apreciam os serviços prestados, enquanto o acordo estava em vigor, e desejam sucesso uma a outra nos seus futuros empreendimentos”.

Embora tenha perdido os contratos com os irmãos Márquez, a VR46 não tem de que queixar-se. A empresa tem Valentino como único dono e Graziano Rossi, pai do piloto, como presidente do Conselho de Administração fechou recentemente um acordo para produzir todo a merchandising da Yamaha.

Além disso, a companhia também produz material para pilotos como Dani Pedrosa, Scott Redding, Cal Crutchlow, Maverick Viñales, Tony Cairoli e todos os integrantes da Academia de Pilotos VR46, além de desenvolver projectos para Juventus, Monster Energy, Honda, Repsol, KTM, Dainese, AGV, Oakley, TW Steel e Ángel Nieto.

A merchandising dos irmãos Márquez passa a ser produzido e comercializado pela GP Racing Apparels, empresa do italiano Grupo Pritelli que responde pelos produtos de Jorge Lorenzo, Andrea Iannone, Andrea Dovizioso, Nicky Hayden, Aleix Espargaró e Marco Simoncelli, de acordo com a imprensa espanhola.

YAMAHA
Renovação de Lorenzo é prioridade


A Yamaha conta com a dupla mais laureada da MotoGP na actualidade, mas vai ter em 2016 um ano decisivo para a permanência ou não de Valentino Rossi e de Jorge Lorenzo na equipa. Os contratos dos dois pilotos terminam ao fim da época, de modo que a equipa japonesa trabalha para manter a sua principal força no Campeonato Mundial.

De momento, a prioridade é renovar o contrato de Jorge Lorenzo, de acordo com Lin Jarvis director da Yamaha. Quanto a Valentino Rossi, o dirigente sabe que só há duas opções: “Ou renova com a Yamaha ou aposenta-se”.Em entrevista ao site norte-americano.‘Motorsport.com’,após a primeira série de testes da pré-época da MotoGP realizada na semana passada em Sepang, Jarvis ponderou sobre o futuro do “Doutor”.

“Valentino tem de decidir quanto tempo mais quer continuar a correr. No caso de Jorge, sempre deixou claro o seu desejo em  renovar com a Yamaha e aposentar-se aqui”, comentou. Jarvis acrescentou que "é preciso levar em conta que a Ducati fez uma proposta muito tentadora a Jorge, e isso pode condicionar um pouco as coisas". Contudo, a renovação com Jorge Lorenzo "é uma prioridade" e Valentino continua "connosco ou aposenta-se".

O director da fábrica de Iwata também falou sobre a efervescente polémica em que os seus dois pilotos se envolveram no fim da época passada, que teve Lorenzo como grande campeão. Jarvis garantiu que foi imparcial no trato com os seus pilotos e transparente com Lorenzo e Rossi.
“O importante é a honestidade e a franqueza.

O que significa isso? Você poder dizer as coisas como são, dar a sua opinião sem fazer média e escutar quem tem à sua frente com esta mesma atitude. Pode ser que não estejamos de acordo, mas desta forma todos sabemos o que pensa o outro”, explicou o britânico.

Ainda que a Yamaha tenha defendido Rossi em meio à polémica que surgiu no embate entre o italiano e Marc Márquez no Grande Prémio da Malásia do ano passado, Jarvis entende que tal atitude não foi vista de forma ruim, por Lorenzo.

“Não acredito que Jorge se sentiu traído. Gostamos de tudo o que fez no ano passado? Não. Tampouco gostamos de tudo o que Valentino fez. Mas tenho a certeza de que houve coisas na Yamaha que os dois não gostaram”, ponderou Jarvis.

2016
Patrocínio retira LaGlisse da grelha


A Moto3 sofre um golpe antes do arranque do campeonato. A equipa LaGlisse, campeão com Maverick Viñales em 2013, confirmou na última segunda-feira que não vai alinhar na grelha do Mundial neste ano, por falta de patrocínio.

Depois de quatro anos na categoria de entrada do Mundial de Motociclismo, no qual conquistou o título no segundo ano, a saída da equipa de Jaime Fernandez Avilés é um balde de água para Maria Herrera e Lorenzo Dalla Porta, que tinham sido inscritos pela equipa com equipamento KTM.

Em entrevista à publicação espanhola ‘Motorbike Magazine’, Avilés confirmou a saída da equipa e afirmou que a LaGlisse vai focar agora no CEV (Campeonato Espanhol de Velocidade). “Fizemos todo o possível para levar adiante o projecto de 2016, mas a falta de apoio dos patrocinadores obrigou-nos a tomar essa decisão”, justificou Avilés.

O responsável assegurou que "a equipa LaGlisse sempre se destacou por ser uma estrutura muito sólida e competitiva". "Conquistamos mais de 20 títulos no Campeonato Espanhol, no Campeonato Europeu e no CEV, assim como um título de campeões do mundo na Moto3 na segunda época em que participamos do Mundial”, descreveu a lista de conquistas.

"Depois desses êxitos, fazer uma época sem as garantias suficientes poderia colocar em risco a credibilidade da equipa e isto é muito mais importante que fazer uma época no Mundial. Então, decidimos não prosseguir na categoria, mas apostar no CEV onde vamos lutar pelo título do Campeonato Europeu de Superbike e pelo Mundial Júnior de Moto3”, anunciou.

“Tanto a Dorna (promotora do Mundial) como a IRTA (Associação Internacional das Equipas de Corrida) entenderam e apoiaram a nossa posição. As duas instituições afirmaram que sempre vamos ter as portas abertas ao Mundial, assim que tivermos um projecto sólido, vamos voltar ao Mundial”, concluiu.

Em 2015, a LaGlisse operou como a equipa de fábrica da Husqvarna, mas não há nenhuma FR250GP inscrita para 2016. A empresa sueca corria com motos da KTM, mas exibiu a marca da empresa que também pertence à Cross Industries AG.

PRESSÂO DE PNEUS
FIM introduz
sensor obrigatório

Às portas do Grande Prémio do Qatar, a época 2016 da MotoGP sofreu mais uma mudança de regulamento. Na esteira do forte acidente de Loris Baz na Malásia, a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) anunciou no sábado que decidiu tornar obrigatório o uso de sensores, para controlar a pressão dos pneus.

A nova fornecedora de compostos da classe rainha, a Michelin, ainda não apontou as causas para o estouro de pneus que vitimou o titular da Avintia, mas os primeiros rumores falavam em pressão abaixo do recomendado.

No ano passado, algumas equipas da Moto2 rodavam com a calibragem de pneus abaixo do recomendado, o que causou uma série de problemas. A fornecedora da categoria, a Dunlop, reagiu rápido e os sensores passaram a ser obrigatórios. “O regulamento existente nesta questão foi reforçado para permitir que o director -técnico e a sua equipa, auxiliados pelos engenheiros do fornecedor oficial verifiquem se a pressão mínima de pneus foi respeitada”, anunciou a FIM.

“Em última análise, essas informações vão ser gravadas automaticamente por meio do ‘datalogger’ e vão estar disponíveis por meio de ‘download’ para a equipa técnica. Entretanto, como o equipamento e o método electrónico de gravar essas informações ainda precisam de serem finalizados, as equipas técnica e da fornecedora oficial de pneus estão autorizadas a verificar manualmente a pressão dos pneus a qualquer momento”, prosseguiu.

Como os sensores já são compulsórios na categoria intermediária, a transição para a MotoGP não deve trazer grandes desafios. Além disso, algumas equipas como a Honda por exemplo, já usaram os sensores em Sepang.

Apesar da reacção da entidade máxima do desporto, a Michelin continua por determinar a causa do acidente de Baz, mas removeu da alocação o composto macio, o mesmo tipo que era usado pelo francês no momento do acidente.