Jornal dos Desportos

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Fogo cruzado no COI

Silva Cacuti - 31 de Julho, 2016

Thomas Bach e companhia procuram explicações para atletas não drogados impedidos de participar

Fotografia: Jornal dos Desportos

A exclusão de atletas russos dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro por doping centraliza hoje os debates do segundo e último dia da reunião do Comité Executivo do Comité Olímpico Internacional (COI). A reunião antecede o Congresso que começa amanhã até o dia quatro de Agosto.  Os escândalos de doping do desporto russo e as exclusões de competidores de várias modalidades, particularmente no atletismo, rejeitada em bloco, ocupam grande parte do encontro.

Anunciada inicialmente com 387 atletas pelo Comité Olímpico Russo na semana passada, a delegação caiu para 266 em 29 modalidades, segundo os números fornecidos ontem pelo ministro russo do Desporto, Vitali Mukto. O dirigente ressaltou que a presença de vários atletas ainda está em dúvida.
"Neste momento, posso dizer que estamos presentes em 29 modalidades das 34 existentes, com 266 pessoas", explicou.

Além dos 67 atletas excluídos pela Federação Internacional de Atletismo, após a explosão do escândalo, dezenas de outros competidores foram excluídos dos Jogos, especialmente no remo, natação ou luta. O veredicto definitivo da equipa natação vai ser tomado nas primeiras horas de hoje, segundo Mutko.

Na sexta-feira, a Federação Internacional de Levantamento de peso (IWF) anunciou a exclusão dos oito atletas russos que estavam inscritos para competir no Rio. Algumas federações internacionais transmitiram ao COI uma lista de atletas russos autorizados a participar dos Jogos, mas o COI vai decidir a presença, baseado na opinião de um especialista do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), segundo uma porta-voz deste organismo.

DECISÃO FINAL
DE THOMAS BACH


À espera da palavra final do comité executivo do COI e do seu presidente, o alemão Thomas Bach, a incógnita persiste sobre o número de atletas russos autorizados a competir. Apesar de os atletas rejeitados terem a possibilidade de recorrer ao CAS para contestar a exclusão, nenhum o havia feito até a ontem, segundo o próprio organismo. Segundo a última contagem, 117 atletas russos já estão oficialmente excluídos dos Jogos do Rio, quase um terço da delegação prevista.

O presidente da Agência Mundial Anti-doping (Wada) e o vice-presidente do COI, Craig Reedie, apresentaram ontem um relatório diante dos seus 14 colegas. O presidente do Comité Organizador do Rio'2016, Carlos Nuzman, apresenta hoje, à noite, um último relatório sobre a preparação dos Jogos, após as dúvidas económicas e políticas e as ameaças do zika vírus.

Enquanto isso, atletas de todos os países continuam a desembarcar no aeroporto internacional do Rio de Janeiro. As bandeiras de vários países começavam a ser penduradas nos balcões da Vila Olímpica da Barra.

Junto às bandeiras da Austrália, uma das primeiras delegações a chegar, são vistas na Vila Olímpica as bandeiras de Angola, Argentina, Chile, Suíça, Dinamarca, Alemanha, Noruega, Finlândia, Portugal e da Coreia do Norte, muito próxima do edifício da "Equipa Brasil", o mais fácil de distinguir.

O edifício da delegação australiana na Vila Olímpica teve de ser evacuado na sexta-feira devido a um pequeno incêndio que foi rapidamente controlado.

O incêndio ocorreu cinco dias após a delegação declarar "inabitável" o alojamento por problemas com tubos entupidos, cabos soltos, vazamento de gás e muitos escombros. O edifício foi submetido a reparos de urgência e na quarta-feira começou a receber os primeiros atletas. Os primeiros cavalos participantes das provas de hipismo também chegaram na sexta-feira a bordo de um avião procedente de Londres.

O Brasil, que está pendente sobretudo no futebol, já que o ouro olímpico é a única conquista que falta no seu extenso histórico neste desporto, tem como o capitão da equipa e o encarregado de alcançar este objectivo a sua estrela, Neymar.


LINHA 4 DO METRÔ
Temer inaugura obra mais cara


O sorriso chegou aos lábios cariocas, depois de muitos dias e noites sem descanso. O maior empecilho e a obra mais cara dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foi finalmente inaugurada. O presidente brasileiro em exercício, Michel Temer, inaugurou ontem a Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro. Orçada em 270 milhões de dólares, a obra preocupava o comité organizador.

Ontem, Michel Temer admitiu que se preocupava com a organização do evento em 2009, quando a cidade foi escolhida.

"Estava com Lula, Sérgio Cabral, Nuzman... Todos comemoravam, mas confesso que me preocupava com o futuro do Rio de Janeiro. Depois, quando visitei aqui, percebi que tudo estava a melhorar. Verifiquei mais uma vez como essa linha 4 do Metrô vai ser útil para as famílias cariocas", disse.

Na cerimónia, estava presente também o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que se recupera de um cancro e voltou de licença recentemente. Temer fez uma brincadeira com Pezão.

"Há males que vêm para o bem, Pezão. Confesso que você está até mais bonito agora (após a doença)", disse.

Michel Temer aproveitou para falar que os Jogos Olímpicos pode ajudar o Brasil a sair da crise económica.

"Brasil precisa estar de mãos dadas para sair da crise. E nada é melhor que o desporto para isso. Une nações, pessoas", disse.

A obra sofreu atrasos e quase foi paralisada por falta de recursos. Apesar de tudo isso, foi concluída a tempo da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, assim como todos os sete projectos de mobilidade urbana incluídos no plano de legado do evento.

Ao todo, governo estadual e municipal executaram mais de 4,02 mil milhões de dólares norte-americanos em investimentos em mobilidade visando os Jogos Olímpicos.

O governo federal ajudou com financiamentos. Só o metrô consumiu cerca de dois terços de todo esse valor. Com o restante, porém, o Rio ainda ganhou um Veículo Leve Sobre Trilhos, dois corredores de autocarros expressos do tipo BRT, reformas em estações de comboio e obras em avenidas da cidade.

Assim como ocorreu com metrô, todas as obras tiveram problemas ou entregas adiadas. Juntas, compõem um conjunto de melhorias superior ao prometido no ano de 2009, quando o Rio ainda era cidade candidata a sede dos Jogos.


SUDÃO DO  SUL

País mais jovem do mundo
paga os prémios com amor


Cinco anos depois de proclamar a independência nacional, o Sudão do Sul tem o orgulho de enviar, pela primeira vez, uma delegação a uma edição dos Jogos Olímpicos. Os atletas Margret Hassan, Santino Kenyi e Guor Marial ficam marcados na história como os primeiros embaixadores da Nação fundada a 11 de Julho de 2011. A tripla vai competir no torneio de atletismo. Outros cinco refugiados vão competir sob a batuta do Comité Olímpico Internacional.

Os três guerreiros que deixaram o país em meio a um conflito para uma edição olímpica só comemoram.

"É um orgulho participar dos Jogos Olímpicos. O objectivo é vencer. Na cerimónia de abertura, vou estar muito feliz em ver a nossa bandeira", falou Margret, que vai correr nos 200 m rasos.

O Sudão do Sul só compete no Rio graças à ajuda financeira do COI e de federações de outros países africanos, por meio da chamada Solidariedade Olímpica. Os atletas depositam a confiança no amor para lograr qualquer proeza. Medalhas é "um milagre desportivo".

"Zero prémio, não tem como. Têm de competir movidos por paixão e amor. Estamos aqui para mostrar o orgulho dos nossos compatriotas e familiares”, disse Gabriel Geng Geng, um dos responsáveis por chefiar a delegação.

Os objectivos são muito mais nobres do que uma medalha. Os representantes querem, de alguma forma, que a luta demonstrada para estar nos Jogos inspire a paz no país pelo meio do desporto.

“Temos uma revolta política. A situação está estabelecer-se e espero que não se repita. Estamos a trabalhar para que o desporto possa ajudar-nos nesta missão de acabar com as diferenças entre as pessoas. O desporto traz-nos a paz”, falou Eunice Lako, directora-executiva do Comité do Sudão do Sul.
O país caçula mundial ainda sofre com precariedade de estrutura para o desporto.

“Estão a tentar desenvolver o desporto da melhor maneira possível; cada federação faz o seu trabalho. Temos futebol, atletismo, andebol, taekwondo e judo. Não temos ainda a natação por falta de piscinas. Só as temos em hotéis", disse.

Além do Sudão do Sul, outra nação que estreia em Jogos Olímpicos no Rio é o Kosovo. O país do continente europeu desmembrou-se da antiga Jugoslávia e teve a independência declarada em 2008.


BOXE
Assembleia alarga mandatos


A alteração do número de mandatos consecutivos possíveis de um elenco federativo, de dois para quatro, é a principal modificação aos Estatutos da Federação Angolana de Boxe (Faboxe), aprovada ontem na Assembleia Geral Extraordinária realizada na Galeria dos Desportos, em Luanda. A adequação dos Estatutos e regulamentos à Lei dos Desportos foi um dos grandes objectivos da reunião magna orientada por Vicente Soares, presidente da Mesa da Assembleia-geral.

Presenciada por Sapalo Chamuzembe, responsável da Direcção Nacional dos Desportos, a reunião magna contou com os representantes das Associações da Huíla, Huambo, Cabinda, Uíge, Namibe, Bié, Cuanza Norte e Cuanza Sul. Todos os associados votaram favoravelmente à nova versão do documento depois de emendas.

"Não queríamos estar à margem da Lei. Não podíamos manchar o trabalho positivo que vimos desenvolvendo por causa de um incumprimento administrativo. Ajustamos os Estatutos da Federação e estamos satisfeitos", disse Carlos Luís, presidente de direcção.

Antes da aprovação dos Estatutos foi lida e aprovada a acta da reunião anterior. Depois da abordagem aos Estatutos, a direcção da Federação informou aos presentes a intenção de realizar, este ano, o primeiro campeonato nacional de boxe profissional. Para a organização, a Faboxe tem parceria com a promotora Kibeto Promoções.

Márcio Herlander, membro da promotora, fez referência ao facto de já estar a trabalhar para o sucesso da prova nacional e exibiu os cinturões a atribuir aos campeões nacionais.

Vicente Soares, presidente da Mesa da Assembleia-geral, valorizou mais a atitude organizada com que os associados abordaram os temas e saudou a iniciativa da realização do campeonato nacional de boxe profissional.

"Estamos satisfeitos. Esta é a segunda Assembleia Geral. A primeira foi realizada no Lobito, mas estou mais satisfeito com o comportamento dos associados durante a Assembleia. Por outro lado, é bom o surgimento do campeonato nacional de boxe federado; é uma iniciativa que vai permitir aos pugilistas profissionais ganhar algum dinheiro. O boxe amador tem uma realidade que não permite a realização financeira dos pugilistas", exteriorizou.

Ainda ontem, no Instituto Superior de Ciências Policiais, a Faboxe realizou um torneio de boxe com combates masculinos e femininos para saudar o 31 de Julho, dia consagrado à mulher africana.