Jornal dos Desportos

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Frana investiga corrupo

03 de Março, 2016

Lamin Diack e o filho Papa Massata Diack esto detidos desde Dezembro

Fotografia: AFP

O verniz volta a estalar no mundo dos desportos, quando falta menos de cinco meses para a abertura da maior reunião de atletas do planeta. As sedes dos Jogos Olímpicos de 2016 e de 2020 vão estar sob investigação para avaliar a possível compra de votos no processo de escolhas. A responsabilidade de averiguar a veracidade do processo foi atribuída à Justiça francesa. A informação é do Jornal "The Guardian".

As autoridades francesas querem descobrir se alguma das candidatas aos Jogos Olímpicos pagou comissões financeiras a membros do Comité Olímpico Internacional (COI), após encontrar indícios de suborno que envolve o ex-presidente da IAAF, Laminé Diack, de acordo com a publicação britânica.

O jornal inglês não cita irregularidade na vitória do Rio de Janeiro. A reportagem aponta indícios que Diack providenciou "seis parcelas" a serem entregues a membros do COI em 2008, em prol de votos para a candidatura do Qatar aos Jogos de 2016. O
ex-dirigente devia ser o responsável por receber o pagamento e repassar aos outros antes das eleições, que ocorreram em 2009 e terminaram com a vitória brasileira sobre Tóquio, Chicago e Madrid na ronda final.

A candidatura do Qatar para 2016 não passou da fase de pré-selecção, o que motivou as autoridades francesas a investigar se Diack e pessoas próximas ao dirigente negociaram comissões com outras candidaturas no decorrer deste e de outros processos de selecção. A Justiça francesa pretende apurar se Diack e seu filho agiram como intermediários entre as cidades interessadas e membros do COI.

Em relação aos Jogos de 2020, em Tóquio, os franceses analisam a mudança de postura de Diack em apoiar os japoneses e não mais Istambul, depois que um patrocinador asiático ter fechado acordo com a IAAF. Na ocasião, a candidatura turca disse não acreditar que isso tenha sido factor decisivo,  na escolha de Tóquio.

A investigação faz parte do processo que apura escândalos de corrupção no atletismo mundial e que já levou à prisão de alguns dirigentes. O objectivo das autoridades é descobrir se os casos de comissão vão além da IAAF e atingem o Comité Olímpico Internacional (COI) - que tem afirmado regularmente viver uma nova fase, após passar por casos de suborno na escolha de Salt Lake City para os Jogos de Inverno de 2002.

Preso desde Dezembro, Laminé Diack foi membro do COI de 1999 a 2013, é acusado de receber mais de um milhão de libras em comissões para fazer “vista grossa” em casos de doping de atletas russos. O seu filho, Papa Massata Diack, e o ex-chefe do controlo anti-doping da IAAF, Gabriel Dollé, também estão detidos por integrarem o esquema de corrupção.Procurado pelo jornal inglês, o COI afirmou que "está em contacto próximo com as autoridades francesas desde o início das investigações, no fim do ano passado". Também disse que pretende colaborar no que for apurado.