Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Francisco Caluvi em grande

Silva Cacuti - 23 de Fevereiro, 2014

Francisco Caluvi recebeu o troféu após ter percorrido pela primeira vez os 15 quilómetros do Grande prémio disputado em Luanda

Fotografia: Jornal dos Desportos

O fundista Francisco Caluvi afecto ao Interclube entrou ontem na história do Grande Prémio Sonangol como vencedor da primeira edição com um percurso de 15 quilómetros, ao vencer a distância em 48.45:14 minutos.

Caluvi não fez o seu melhor tempo, de acordo com o seu treinador Augusto Diogo Seco, nesta distância o melhor tempo está cifrado em 44m. A prova teve como objectivo saudar o 38º aniversário da empresa petrolífera estatal Sonangol que se assinala a 25 do corrente.

O atleta do clube da Polícia não esteve muito bem na meia-maratona «Fuga para a Resistência», disputada no Bengo. Apesar de ser habitual vencedor de provas de estrada, o seu favoritismo estava tremido, mas acabou por arrecadar o cobiçado prémio de 15 mil dólares.

«A prova correu-me muito bem. Devido à viagem, depois dos Jogos da Lusofonia, ainda não pude recuperar bem para a meia-maratona do Bengo. Tive quase duas semanas para recuperar e aí está a vitória.

 Agora vou-me preparar para o campeonato nacional de corta-mato, na próxima semana», disse o vencedor.

Na segunda posição ficou Alexandre João (48.46:54) e Tiago Baptista (48.46:75) foi o terceiro.

No sector feminino «prognóstico de sempre» não se fez rogada. Apesar de alegar falta de tempo para a recuperação, depois de ter corrido os dez Km da lusofonia, onde obteve a medalha de prata, logo depois de vencer a meia-maratona de Caxito, Ernestina Paulino não deixou os «créditos por mãos alheias». Venceu com o tempo de 55.42:75 minutos, a frente de Josefina Baptista, do 1º de Agosto (56.11:85), e de Adelaide Machado, do Interclube, que cronometrou 57.10:70. A campeã recebeu um cheque  no valor de USD 10 mil.

«É a minha primeira participação nesta prova e tenho de dizer que foi muito difícil, particularmente a zona da subida que dá ao hospital Maria Pia. Estou a ter pouco tempo de recuperação, mas com algum esforço dá   para estar  nestas participações, por isso quero dedicar esta conquista a todos aqueles que têm estado a colaborar na minha carreira», comentou.Na classe de populares, Artur Santiago e  Severina Chilala foram os vencedores. Soares Cunha e Rosa Mingas venceram as provas- masculina e feminina -que estava reservada aos trabalhadores.

 Para os atletas adaptados triunfaram Silvestre Ngula do CPA/Huíla e Conceição Faria CPA/Malange. Ernesto Bastos, 72 anos e Rosa Mingas, 50 anos de idade, receberam os prémios relativos aos atletas mais velhos da prova.

A prova disputada sob uma temperatura relativamente alta teve a meta de partida no Bairro Talatona, em frente ao Instituto Superior Politécnico (Isptec) passou pelo quartel da Unidade de Guarda Presidencial, tomou o sentido do Centro Recreativo e Cultural Paz Flor, Estrada da Samba, Rua do 1º Congresso do MPLA e chegada à sede da petrolífera angolana.

Participaram 621 corredores entre federados, populares, paralímpicos e funcionários.


Dos atletas
Erro no percurso da prova ameaça integridade física


O Grande Prémio Sonangol disputado ontem ficou marcado com um erro da organização que colocou em risco a integridade física dos mais de 600 corredores que se inscreveram. A reincidência na má colocação de fiscais de percurso fez que o traçado definido pela organização fosse desviado, em cerca de dois quilómetros, para um troço em que a Polícia nacional não previa fazer segurança.

A rua Pedro de Castro Van-dúnem  «Loy »estava apinhada de viaturas quando os corredores aí chegados  para  a transpôr e tomar o sentido que vai para o quartel da UGP,  os corredores  sem  qualquer  orientação, cada um a seu jeito, numa espécie de corta-mato, tiveram que subir o  passeio e passar por  entre as viaturas para retornar ao percurso previsto inicialmente.

«Se querem internacionalizar a prova acho que têm que melhorar a organização porque a integridade física foi posta em risco, além de que não é bom para quem corre 15 quilómetros passar por entre carros», disse, à propósito Francisco Caluvi, que acabou por ser o vencedor da corrida.

O Jornal dos Desportos não conseguiu apurar se a alteração do percurso implicou igualmente uma alteração na distância de 15 Km, inicialmente prevista. Recordar que é a segunda vez que a falta de juízes de percurso cria transtornos numa prova organizada pela Federação Angolana de Atletismo. Na corrida de fim de ano, São Silvestre de 2011, o etíope Atsedu Tesfaye embalado para a conquista perdeu a prova à entrada do estádio dos Coqueiros onde faltou um juiz de percurso.
SC


Da corrida
Ntyamba é favorável
à internacionalização

O antigo fundista João Ntyamba disse ontem que vê com bons olhos a possibilidade da internacionalização do Grande Prémio Sonangol, conforme intenção da organização.

«Para mim era bom tendo em conta a grandeza da Sonangol. É um ‘gigante’ que o seu nome não pode ficar só por Angola, acho que era uma forma de levar o nome da empresa e de Angola para outras latitudes», disse.

O antigo fundista, com seis presenças em Jogos Olímpicos, defende que deve «haver uma estratégia para a valorização dos nossos atletas, sem prejuízo dos benefícios que os corredores defendem, quando falam contra a internacionalização».

João Ntyamba entende que era bom que a internacionalização começasse pelos países da SADC e defende o estabelecimento de limites quanto ao número de atletas por países. «Devia haver limites, como se faz noutras partes do Mundo. Dois ou três atletas de cada país no máximo e não aqueles pelotões que têm vindo. Outra forma era estabelecer prémios iguais para atletas estrangeiros e para os angolanos», argumentou.

 Sobre este assunto, o vencedor da prova, Francisco Caluvi, disse ser contra a internacionalização. «Eu sou contra isso. Devíamos ver o exemplo do que acontece na São Silvestre, em que só há entrega de valores aos estrangeiros, nos ‘meetings’ também, e os corredores angolanos são mesmo esforçados, mas como aqueles vêm de outras realidades, acabam por levar tudo e os angolanos ficam sem sequer um incentivo».

Caluvi entende que a São Silvestre e a meia-maratona de Luanda são suficientes para qualquer justificativa tendente à internacionalização de provas. «Esta prova podia manter-se nossa, uma festa só  para nós, em que os principais protagonistas sejam angolanos», rematou.
SC  


Balanço
Emergência assiste
38 atletas na prova


O Instituto Nacional de Emergência Médica de Angola (INEMA) assistiu ontem, durante o Grande Prémio Sonangol em atletismo, 38 pessoas, uma das quais em situação grave, informou o médico e coordenador das equipas em serviço, Aleixo Macaia.

A atleta em estado grave foi levada para o Hospital Josina Machel.

Além do incidente da atleta, todos os outros foram recuperados no local, tratando-se de dores musculares e cansaço.

A prova de 15 quilómetros inseriu-se no 38º aniversário da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol, EP), que se assinala no próximo dia 25.

A vitória na classe de federados masculinos pertenceu a Francisco Caluvi, com 48min, 46 seg e 45 décimos, e em femininos a Ernestina Paulino, com 55 min, 42 seg e 75 décimos.


Atletismo
Maratona de Lisboa
quer recorde do Mundo


Melhorar o recorde do Mundo da meia maratona, estabelecido pelo eritreu Zersenay Tadese, em 2010, é o objectivo da 24ª edição da corrida lisboeta, a disputar-se a 16 de Março, afirmou na sexta-feira o presidente da do Maratona Clube de Portugal, Carlos Móia.

“Há um atleta (o queniano Stephen Kibet) que tem uma marca de 58.54 minutos, mais 30 segundos do que o recorde do Mundo (58.23), o que, parece não ser muito, mas está a preparar-se para conseguir o recorde, vem com duas ‘lebres’ e nós também estamos a preparar tudo. Se estiver um bom dia, sem vento, pode acontecer e aí teremos um cheque de 50 mil euros, que vou ter muito gosto em lhe entregar”, explicou.

Em conferência de imprensa de apresentação da prova que atravessa a Ponte 25 de Abril, entre Almada e Lisboa, Carlos Móia destacou a presença confirmada de oito homens com registos abaixo dos 60 minutos e de sete mulheres com menos de 68, salientando que a edição de 2014 vai ter o maior número de participantes de sempre, incluindo mais de 12 mil para os 21.097,5 quilómetros.

“Temos, neste momento, mais de 32 mil pessoas inscritas, portanto, brevemente, às 35 mil fechamos as inscrições. É um recorde para a altura em que estamos e penso que rapidamente vamos fechar as inscrições”, sublinhou o responsável pela organização. Móia salientou, ainda, o aumento de mulheres participantes, cujo número ronda “os 50 por cento dos inscritos”, o que representa “uma mudança de mentalidades e de cultura desportiva”, relativamente às “menos de cem entre os quatro mil participantes” na prova inaugural, em 1990.

Além da meia maratona, cujo tiro de partida está marcado para as 10h30, realiza-se ainda, no mesmo dia, uma mini-maratona, que conta com cerca de 20 mil inscritos, sendo que para a véspera estão marcados o passeio avós e netos (quatro quilómetros) e a corrida mini-campeões, para jovens entre os seis e os 13 anos.