Jornal dos Desportos

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GP Brasil pode sair da grelha

23 de Novembro, 2015

Anunciantes estão a investir menos e o déficit atinge centenas de milhões de dólares anualmente

Fotografia: AFP

O Grande Prémio do Brasil pode sair da grelha da Fórmula 1 em 2016.  Desta vez, a ameaça não está ligada à modernização do autódromo de Interlagos, que se preparou em parcelas para melhor receber o Campeonato Mundial. O modelo de negócio não beneficia de verbas federais e/ou riquezas dos monarcas árabes. A conta simplesmente não fecha, porque o dinheiro dos patrocínios não cobre os crescentes gastos gerais. O déficit cresce todos os anos. Só em 2014, foram mais de 30 milhões de dólares norte-americanos.

Neste ritmo de negócio, em bases comerciais, o alerta vem de quem comanda o negócio. Tamas Rohonyi descreveu que a situação depois de uma corrida é pouco interessante em termos desportivos. "O autódromo continuou cheio, o público continua a acompanhar o campeonato e a queda na audiência de TV acontece por causa do deslocamento para outros meios electrónicos hoje disponíveis. O problema é outro e tem dois componentes", apontou.

Tamas Rohonyi começou a descrever que "não há dinheiro", como a primeira razão. "As grandes empresas estão a reduzir os seus investimentos em publicidade e, mesmo a manter a sua presença no Grande Prémio do Brasil, investem menos. Os custos do evento, por outro lado, aumentam sem parar. O dólar, o custo de transporte, os insumos e o 'fee' da FOM sobem. Este fenómeno é mundial e resultou no deslocamento de grandes eventos, inclusive Campeonato do Mundo e Jogos Olímpicos, a países onde há apoio oficial, verbas oficiais", disse.

O Brasil virou um caso à parte no Campeonato Mundial, porque ainda mantém o evento em bases comerciais, segundo Rohonyi.
"O resto hoje trabalha com dinheiro de turismo ou simplesmente o governo banca — Vladimir Putin na Rússia, o grande chefe nos países árabes, até na Hungria e mesmo nos EUA os subsídios sustentam a corrida", esclareceu.

O organizador perguntou-se se a operação tem sentido económico. A resposta também foi dele: "Imagino que sim, alguém fez a conta. Em São Paulo, a receita adicional de Imposto Sobre Serviço, apenas na cidade, está na faixa de 60 milhões de dólares, sem contar com a divulgação que o país recebe pela transmissão de TV para 189 países", ponderou.Com a situação supra-descrita, o quadro é de risco iminente.

"O evento que recebe subsídio da Globo e da própria FOM não pode continuar desta forma, porque nenhum dos dois está em condições de manter este modelo de negócio", afirmou. Rohonyi externou o problema ao Ministro dos Desportos do Brasil, George Hilton."Expliquei-lhe a situação e aguardamos os seus comentários. O país investiu pesadamente no Campeonato do Mundo. O custo de apenas um estádio financiaria o Grande Prémio do Brasil por dezenas de anos e ainda sobraria para desenvolver o nosso automobilismo nacional, que está praticamente morto. Quanto os jogos do Rio, não tenho o que comentar", encerrou Tamas.
O buraco do Grande Prémio do Brasil ultrapassa 30 milhões de dólares, segundo Rohonyi. O contrato com a FOM vai até 2020 e, se não for realizado, tem de se pagar uma multa à empresa gerida por Bernie Ecclestone.

RIVALIDADE
Hamilton questiona competência de Vettel


Depois de permitir a presença de Nico Roseberg na segunda posição da tabela geral, Lewis Hamilton tem as atenções viradas para a próxima época. O tricampeão mundial quer dar sequência à carreira com uma rivalidade atractiva na F1. Hamilton escolheu Sebastian Vettel para uma guerra psicológica.

O piloto da Mercedes colocou em dúvida o potencial verdadeiro do ferrarista, apesar dos seus quatro títulos mundiais. Vettel jamais teve um companheiro de equipa com um nível à sua altura. Desde a estreia, o alemão teve como companheiros Nick Heidfeld, Vitantonio Liuzzi, Sébastien Bourdais, Mark Webber, Daniel Ricciardo e Kimi Raikkonen.Em alguns momentos da parceria com Webber na Red Bull, entre 2009 e 2013, Sebastian chegou a travar alguma rivalidade. No ano passado, o alemão foi batido por Daniel Ricciardo e terminou em quinto.

Em 2015, aceitou o desafio de ser piloto da Ferrari e levou a equipa de Maranello a uma grande reacção, depois de uma época bastante ruim. Vettel passou a ter como companheiro de equipa Kimi Raikkonen, que já está na fase final da carreira, apesar de confirmado para 2016.

Hamilton tem respeito ao tetracampeão, mas, ao considerar o histórico dos seus companheiros de equipa, acredita que é difícil saber qual é o verdadeiro nível de Vettel.

“Tenho um grande respeito por ele, mas é difícil avaliar o quanto é bom, na verdade. Nunca esteve numa equipa com alguém como Fernando Alonso, mas sempre com gente como Mark Webber, que não rendia ao seu nível, ou com Kimi Raikkonen, que já não está no melhor momento da carreira”, declarou Lewis à revista alemã ‘Sport Bild’. Hamilton, por sua vez, teve Alonso como o seu primeiro companheiro de equipa. Foi justamente com o espanhol, na estreia na F1 a correr pela McLaren, que Lewis travou uma rivalidade explosiva que culminou com a saída do bicampeão do mundo da equipa de Woking ao fim da época de 2007.

Depois da saída de Alonso, Lewis teve Heikki Kovalainen como companheiro de equipa entre 2008 e 2009. A partir de 2010, o britânico formou dupla caseira com Jenson Button, único piloto que o bateu, em 2011. A partir de 2013, quando deixou a McLaren para substituir Michael Schumacher na Mercedes, o piloto passou a ter como companheiro de equipa Nico Rosberg, antigo amigo que se tornou rival.Questionado sobre o seu primeiro ano e o facto de enfrentar um companheiro de equipa do calibre de Alonso, Hamilton disse que tinha a convicção de que poderia batê-lo. Ao fim daquela polémica época, ambos ficaram empatados em 109 pontos e perderam, por um ponto, o título para Kimi Raikkonen. Entretanto, nos critérios de desempate, Lewis ficou à frente de Alonso.

“Antes da minha estreia em 2007, sabia que seria difícil bater Alonso, mas também intuía que poderia fazê-lo. Ainda lembro, antes da minha primeira corrida, que Ron Dennis me disse que não deveria ficar muito decepcionado se Alonso me batesse por larga margem. Mas já sabia que isso não ia acontecer”, declarou o tricampeão da F1.

ADESÃO
Alemão observa queda de público


Sem paralelo, o Grande Prémio do México superou o do Brasil, em número de espectadores. Mas o entusiasmo do público evidenciou o mesmo calor da América Latina. Se no autódromo Hermanos Rodriguez, o espectáculo foi digno de um estádio de futebol, em Interlagos, o calor humano foi a grande atracção. Niki Lauda, por exemplo, disse que México foi a sua maior experiência na F1.

O tetracampeão mundial, Sebastião Vettel, encontrou as razões que justificaram as diferenças entre México e Brasil. Para o piloto da Ferrari, falta ao Brasil "a figura de herói local para atrair o público e encher as bancadas".“Há uma grande quantidade de bandeiras ao redor da pista: da Ferrari, alemãs, inglesas. Obviamente, um lugar assim precisa de um herói local, porque seria melhor se um brasileiro estivesse a lutar pelo pódio", disse.

As lareiras em alguns sectores da pista não passaram despercebida a Vettel. O sector G, o mais popular de Interlagos, não havia lotação máxima. Para o tetracampeão, "não há discussão sobre como o desporto está a sofrer, porque as bancadas não estavam cheias". Portanto, "a população cria boa atmosfera, trata os pilotos de super-heróis e é bom ver a amor pelas corridas, pelo desporto".

FERRARI
Montezemolo lamenta
situação de "Schumi"


O heptacampeão mundial de Fórmula 1 continua a lutar pela recuperação total na sua casa na Suíça. Dois anos depois de sofrer um acidente nos Alpes Franceses, Michael Shumacher continua a merecer o mesmo carinho de pessoas com quem travou em diferentes paddocks.O ex-presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, nunca escondeu o seu carinho por Michael Schumacher.  O executivo italiano afirmou que é terrível ver a situação do alemão.

Shumacher sofreu um sério acidente de esqui e traumatismo craniano grave ao bater a cabeça numa pedra, em 29 de Dezembro de 2013 na estação de Méribel. Desde então, o processo de recuperação aconteceu longe dos holofotes.Os boletins divulgados pela família dão conta de que Schumacher acordou do coma, mas pouco se falou em evolução. Desde Setembro do ano passado, o alemão está em casa acompanhado por uma equipa de médicos.

“Michael foi fundamental para a Ferrari. Para mim, para as nossas vidas. É uma pessoa extraordinária que, mesmo nos momentos mais difíceis, era um absoluto membro da equipa. Vê-lo nesta situação é terrível”, disse Montezemolo.O italiano contou que “é uma situação na qual não sabe o que deve fazer".

"Tento lembrar muitos óptimos momentos na vida em que celebramos juntos e sempre penso num excepcional piloto, homem e amigo”, contou.

Luca di Montezemolo disse que também admira "a coragem e a força da família dele, da Corinna e das crianças, e como ajudam Michael".

"Do fundo do meu coração, espero ouvir boas notícias logo”, torceu.Luca voltou a falar que foi Schumacher que indicou Sebastian Vettel para a Ferrari, ainda quando o alemão corria pela Toro Rosso.“O primeiro que nos encorajou sobre Sebastian Vettel foi Michael. Disse que era alerta, bem-comportado, confiável e rápido”, lembrou.Fernando Alonso foi o escolhido para substituir o heptacampeão na equipa.

“Estávamos a procurar alguém com mais experiência e escolhemos Fernando, que passou quatro anos de sucesso connosco. Mas sempre tivemos Sebastian em mente, especialmente, após o grande sucesso com a Red Bull”, contou. Luca di Montezemolo disse que "veio no momento certo para iniciar um novo ciclo, uma era vitoriosa, e, como Niki Lauda e Michael Schumacher, pode ser parte da história da Ferrari”.O ex-presidente disse que desejava tudo de melhor para o heptacampeão mundial.