Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Grelha "fantasma"na categoria

23 de Março, 2015

Ferrari recebe mais milhões de dólares pelo valor histórico que as novas equipas

Fotografia: a

A largada da primeira corrida do ano da Fórmula 1 contou com 15 carros, por motivos diferentes e atípicos. Na semana de preparação, para a segunda prova do ano, desconhece-se se a cena pode repetir-se. Na Austrália, aconteceu um pouco de tudo. As Manor nem entraram na pista por todo o final de semana, pois não tinham o software necessário para ligar os seus carros. A equipa viajou para a Austrália para ter apenas direito ao dinheiro proveniente dos direitos comerciais.

Valtteri Bottas, da Williams, sentiu uma lesão nas costas durante a classificação e foi vetado pelos médicos. Kevin Magnussen, da McLaren, e Daniil Kvyat, da Red Bull, sofreram quebras antes mesmo de alinhar na grelha. Contudo, além da dúvida se a Manor tem de facto, condições de participar do campeonato depois de entrar em falência e ser resgatada a poucas semanas do início da época, há outras equipas com dificuldades financeiras que correm o risco.

Desde o ano passado, Sauber, Force India e Lotus estão ameaçadas. A equipa chefiada pela indiana Monisha Kaltenborn está a respirar com o dinheiro trazido pelo brasileiro Nasr e o seu companheiro, Marcus Ericsson, mas não se sabe qual é a sua real situação.A Force India teve dificuldades de pagar os seus fornecedores e atrasou o lançamento do carro de 2015. Apenas, conseguiu participar dos últimos três dias de testes de pré-época. A Lotus, por sua vez, depende do dinheiro trazido pelo venezuelano Pastor Maldonado.

A queixa é sempre a mesma: a má distribuição do dinheiro obtido com a venda dos direitos comerciais.“Perdi a conta das vezes que nos reunimos com Bernie Ecclestone e as equipas. No último ano, nada mudou nem um centímetro em termos das mudanças que consideramos importantes, não apenas para nós, como também para o desporto”, reclamou Federico Gastaldi, chefe da Lotus.

O dinheiro é dividido tendo em consideração a posição de cada equipa no campeonato mundial de construtores, mas há quantias adicionais negociadas unilateralmente pelo promotor da F-1, Bernie Ecclestone. A Ferrari, por exemplo, ganha 100 milhões de dólares apenas pelo seu valor histórico para a categoria. O próprio Bernie Ecclestone reconhece que há problemas.

“Há muito dinheiro a ser mal distribuído. E isso, é provavelmente culpa minha. Temos de decidir qual a melhor maneira de resolver isso. Francamente, sei o que está errado, mas não sei como resolver”, afirmou. A categoria viu a equipa Caterham falir e esteve perto de perder também a Manor (ex-Marussia). Com a ameaça da Red Bull deixar a grelha, outras duas equipas – a própria Red Bull a sua equipa satélite, a Toro Rosso, podiam desaparecer.

ÉPOCA'2015
Grelha é raridade

A Fórmula 1 não tinha uma grelha com menos de 17 carros, na primeira corrida do ano, desde 1966. Com 15 ou menos, apenas nos primórdios da categoria, na década de 1950. A menor grelha da história para uma prova de abertura foi o do Grande Prémio da Argentina, em 1958, e contou  com dez carros.Nas corridas em geral, a menor grelha foi o Grande Prémio dos Estados Unidos de 2005, quando problemas de segurança com os pneus Michelin e uma relutância da outra fornecedora, a Bridgestone, em colocar uma chicane na pista fez com que apenas seis carros largassem. Os demais foram para as boxes ao final da volta de apresentação.

Outro episódio que esvaziou a grelha ocorreu no Grande Prémio de San Marino de 1982, em meio a uma disputa política pelo controlo da categoria, que gerou um boicote e fez com que 14 carros alinhassem.Com a grelha enxuta, apenas 11 carros cruzassem a linha de chegada, o menor número desde o Grande Prémio da Austrália de 2008, quando foram oito os classificados e seis os que viram a bandeirada.