Jornal dos Desportos

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Hamiltom está preocupado

22 de Junho, 2013

Piloto inglês pretende voltar a conquistar títulos no campeonato mundial de Fórmula-1 para confirmar um lugar na história da competição

Fotografia: AFP

Quando se estreou na Fórmula 1, em 2007, Lewis Hamilton ficou muito perto de conquistar o título de pilotos. No ano seguinte, levantou o troféu de campeão. Desde então, deixou o papel de protagonista de lado. Incomodado com o facto, o britânico vê o tempo passar e revela o receio de não voltar a inscrever o seu nome na principal categoria do automobilismo mundial.

“O tempo está a passar. Há cinco anos venci o ‘mundial’. Quando eu estava nas categorias menores, vencia um campeonato a cada um ou dois anos”, lamentou, em entrevista ao jornal britânico “The Sunday Times”.

“Cheguei à Fórmula 1 e quase venci no meu primeiro ano. Depois venci no segundo. Desde então, nunca tive um carro competitivo. O carro faz grande diferença. Então, sinto que estou a desperdiçar os meus melhores anos”, acrescentou.

Para o piloto da Mercedes, conquistar um título na Fórmula 1 tornou-se algo banal nos últimos anos. Na sua visão, o que torna alguém importante na categoria são os múltiplos títulos conquistados pelo espanhol Fernando Alonso e o espanhol Sebastian Vettel.

“Há muitos pilotos que não conquistaram o ‘mundial’, então sinto-me grato por ter vencido. Apesar disso, agora há menos prestígio, porque muitas pessoas venceram um campeonato. Agora, quem tem dois, três ou quatro é considerado especial”, enfatizou.

Lewis Hamilton já começa a traçar outros planos para marcar o seu nome entre os grandes pilotos da Fórmula 1. “Estou a ficar velho e não tenho a eternidade neste desporto. Então, definitivamente, começo a pensar em como ficarei lembrado pelas pessoas. Quero apenas ser visto como um piloto duro e completo”, admitiu.


Julgamento da Mercedes termina sem veredicto

Os testes secretos da Mercedes, realizados três depois do GP de Barcelona, em Maio último, terminam sem veredicto no Tribunal da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), localizado em Paris. O processo foi a julgamento na última quinta-feira e, apesar de considerar que a prática infringiu o regulamento desportivo da Fórmula 1, a instituição não deliberou qualquer decisão, deixou  em aberto sem data definida para a sua decisão.

Desde o início da sessão, o juiz Edwin Glasgow afirmou que a FIA não permitiu à Mercedes utilizar os carros de 2013 nos testes. Além disso, reiterou que as regras da Fórmula 1 permitem este tipo de actividade apenas caso todas as outras equipas recebam o mesmo convite ou se realizadas com modelos de pelo menos dois anos atrás.

Mesmo assim, o advogado da Mercedes, Paul Harris, declarou a equipa inocente. O advogado disse que os testes não infringem o Artigo 22 do Regulamento da F1, uma vez que foi completamente conduzido pela Pirelli. O inciso classifica como teste “qualquer tempo de pista que não seja parte de um evento conduzido por um competidor inscrito no campeonato”.

“Este não foi um teste conduzido pela Mercedes, esta evidência pode ser confirmada pela Pirelli. Todas as pessoas, que estiveram presentes no dia, podem dar a mesma evidência sobre o que aconteceu, quem estava a fazer e quem estava no comando. É inegável que o teste foi conduzido pela Pirelli”, apontou.

Em defesa, o director desportivo da empresa italiana, Paul Hembery, afirmou que a decisão de utilizar o W04 foi tomada única e exclusivamente pela Mercedes. Para Hembery, a Pirelli não pode ser punida pela FIA, opinião compartilhada pelo representante da entidade, Mark Howard, antes mesmo do julgamento.

Na tentativa de dividir a culpa, Harris alegou que a Ferrari realizou testes semelhantes no Bahrein. O facto de a equipa italiana ter utilizado o carro de 2011 não exime a sua responsabilidade, uma vez que o modelo é semelhante ao actual - o Artigo 22 diz que os carros não podem estar “substancialmente em conformidade” com o regulamento actual.

“A nossa posição é a de que, se erramos na interpretação do regulamento e não cumprimos as regras, a Ferrari também não cumpriu. O carro de 2011 da Ferrari está substancialmente em conformidade com o regulamento.


REACÇÃO
Brawn considera inevitável
a colheita de dados no teste

Após assumir publicamente a culpa pelos testes com a Pirelli, Ron Dennis foi o principal responsável por representar a Mercedes no julgamento. O chefe da equipa alemã disse que era inevitável a recolha de informações sobre o W04, mas o facto não significa que tenha tirado proveito disso.

Ron Dennis disse que não sabiam nada sobre os pneus, não sabiam o objectivo e os detalhes da Pirelli. Porém, trabalharam sempre com o princípio de que nenhuma informação é melhor do que uma informação errada. Por isso, não via como poderiam ter utilizado os dados obtidos no teste.

Segundo o dirigente, os dados foram colhidos apenas por razões de segurança e foram arquivados no banco de dados da Mercedes, justamente, para não serem utilizados. “É essencial que a equipa saiba o que está a acontecer com o carro, quando vai para a pista, como forma de evitar que haja qualquer defeito ou problema. A telemetria foi usada apenas para assegurar o seu funcionamento normal”, garante.

Brawn lamentou a decisão de ter mandado Lewis Hamilton e Nico Rosberg à pista com utilização  dos capacetes com pinturas pretas, diferentes dos usados em provas. A medida foi tomada para evitar problemas de segurança com os fãs, justificou o chefe da Mercedes.

“Tivemos as nossas razões, principalmente, motivadas pela falta de segurança e reconhecemos que isso despertou suspeitas sobre o teste. Isso é lamentável”, conclui.