Jornal dos Desportos

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Hamilton aponta pdio do circuito ingls

09 de Julho, 2016

Lewis Hamilton dominou ontem as sesses de treinos livres

Fotografia: AFP

As qualificativas para o Grande Prémio da Inglaterra acontecem hoje, perante enorme expectativa, depois do imbróglio registado na última volta da corrida anterior, entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. A direcção da Mercedes deixou os dois pilotos lutarem pelo título, na pista. A decisão da equipa foi bem acolhida pelos dois amigos.

Ontem, nas sessões de treinos livres, Lewis Hamilton reinou sozinho em Silverstone. A correr em casa, o tricampeão mundial não teve a concorrência de Nico Rosberg. Na sessão matinal, o inglês estabeleceu uma vantagem de 0s33 sobre o rival, e sem a concorrência de Nico Rosberg na segunda sessão, fez quatro décimos a cima da Red Bull. O voo da Mercedes foi impressionante.

Com um pouco de atrevimento, Daniel Ricciardo e Max Verstappen aproximaram-se aos números de Lewis Hamilton. Na segunda sessão, Hamilton estabeleceu 1min31s660 e afastou os pilotos da Red Bull. A esquadra da Red Bull mostrou-se melhor que a Ferrari. Max Verstappen terminou com o terceiro melhor tempo e Daniel Ricciardo foi o que mais se aproximou do tricampeão em Northamptonshire.

A equipa italiana só foi capaz de colocar os seus pilotos na quarta e quinta posições, com Sebastian Vettel à frente de Kimi Räikkönen.

A surpresa do dia ficou por conta de Fernando Alonso, que empurrado pelo motor actualizado da Honda, o espanhol obteve a sexta melhor marca da sessão, bateu a Williams de Valtteri Bottas.

Romain Grosjean esteve muito bem com a Haas,  terminou em oitavo. Jenson Button foi o nono e Felipe Massa em décimo. Felipe Nasr fechou em 14º, depois de ter figurado com a Sauber no top-10.

A Force India, aproximou-se dos carros prateados, na primeira sessão. Nico Hulkenberg ficou a 0s838 da melhor marca registada por Hamilton. O alemão da Force India estava "calçado" de compostos macios, enquanto a Mercedes conseguiu as marcas com os pneus médios.

A Ferrari ficou na quarta posição com Sebastian Vettel. A equipa italiana usou os primeiros minutos para testar a nova versão de Halo. Minutos depois, dispensou a peça e aproximou-se a Hulkenberg - menos de um décimo de diferença. Daniel Ricciardo foi o quinto classificado.

A sessão de treinos livres ficou marcada também com trabalhos nas boxes. Na garagem da Mercedes a agitação cresceu depois da primeira sessão. O carro de Nico Rosberg  apresentou problemas relacionados com as falhas do ERS. A equipa informou depois que também enfrentava problemas com o soalho.

A sessão também ficou marcada com a estreia do jovem Charles Leclerc. O pupilo da Ferrari e piloto da GP3 assumiu o carro o Esteban Gutiérrez para fazer parte da primeira sessão. Outro titular, que teve de acompanhar os trabalhos de fora, foi Kevin Magnussen. O finlandês cedeu lugar ao francês Esteban Ocon.


MEDIDA APÓS INCIDENTE
Mercedes dá liberdade aos pilotos


Nico Rosberg e Lewis Hamilton dão início a um sério debate na cúpula da Mercedes. A equipa chegou muito perto de perpetuar as ordens, como regra, mas voltou atrás e permitiu que os pilotos disputem o título livremente. Mas tudo vem com um custo.

Toto Wolff, chefe da equipa prateada, promete uma punição mais pesada em caso de novos incidentes. O dirigente não foi preciso quanto às consequências de um novo toque, mas deixou claro que vão ser pesadas. Wolff já fala em pelo menos uma corrida de suspensão, e até “ir além” disso.

"Não quero entrar em detalhes, porque é quase um contrato e não quero revelar nenhum termo financeiro de nenhum acordo. É como se fosse o caso aqui. Mas não quero ser o director. Não quero agarrar ninguém pelo punho, porque os pilotos são os astros do show; são os degladiadores. Temos de erguê-los, não jogá-los para baixo", disse Wolff, em entrevista à emissora britânica Sky Sports.

O responsável alemão ressalta que "se a equipa prateada deixar Lewis  Hamilton em casa, ia significar que o sistema de deixar os pilotos correr livremente, criado há três anos, falhou".

"E, é uma falha para todos nós, uma falha... principalmente dos pilotos. É responsabilidade deles, porque nenhum de nós vira o volante do cockpit. Isso ia  significar que ter dois pilotos em igualdade de condições não funciona", prosseguiu.

A Mercedes nunca puniu os pilotos por conta de incidentes na pista. Mesmo em 2014, no auge da rivalidade entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg, a posição foi de certa neutralidade. Este não deverá ser o caso em 2016.  Medidas precisam-se.

“Iríamos além disso? Sim, iríamos além para garantir que isso não aconteça mais no futuro. É 100 por cento claro para nós. Somos uma organização sólida e uma das melhores marcas do mundo e, de novo, espero que nunca precisemos disso. Mas no fim do dia, é necessário tomar as decisões para evitar isso no futuro. Mas estou optimista de que não vai ser necessário”, explicou. A Mercedes é bicampeã mundial.


SEGURANÇA
Ferrari ensaia
segundo Halo


A Ferrari realizou novamente um teste de pista com o Halo, a peça escolhida para ampliar a protecção dos pilotos dentro do cockpit. A equipa italiana, que já tinha feito um ensaio com o equipamento, durante os dois dias finais da pré-época, voltou a instalar o recurso no seu carro na semana passada, na Áustria. Mas foi Sebastian Vettel, o responsável por conduzir a avaliação da segunda versão do Halo, ontem durante a sessão inicial em Silverstone.

Durante os primeiros minutos do segundo treino livre para o GP da Inglaterra, o alemão deixou as boxes para uma volta de instalação. Na véspera dos treinos, no Red Bull Ring, a equipa vermelho já tinha realizado um primeiro teste, mas dentro das garagens. Na verdade, foi um ensaio para avaliar a eficiência da peça, em caso de acidente, em que é necessária a remoção do piloto.

Os membros da equipa médica da F1, assim como os comissários da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), acompanharam todo o procedimento. E, de acordo com informações da media europeia, o resgate levou cerca de dez minutos para retirar o piloto – no caso, um mecânico da Ferrari – de dentro do carro.

Desde a pré-época, a Ferrari aprimora o Halo. Nesta nova versão, a peça ainda robusta veio mais leve, feita em titânio e não mais em fibra de carbono. O aro, que envolve o habitáculo, também foi revisto e agora, vem mais amplo para evitar o risco do piloto bater com a cabeça, em caso  dum impacto mais severo.

O Halo é uma solução que a FIA pretende introduzir nos protótipos do Mundial, a partir da próxima época, como forma de aumentar a segurança dos pilotos.

Outro recurso, que também foi testado pela entidade, foi o Aeroscreen, desenvolvido pela Red Bull. A peça da equipa dos energéticos não foi aprovada nos testes realizados pela federação. A reprovação provocou uma onda de indignação na direcção da equipa anglo-austríaca. Os tetracampeãs prometem retaliar a posterior.


FINANÇAS
Sauber tem solução para sair da crise


A luz no fim do túnel da Sauber, certamente, começou a brilhar mais forte. Isso é o que acredita Monisha Kaltenborn, chefe da equipa. Ontem, a dirigente afirmou que foi encontrada uma solução para contornar a crise financeira que afecta a equipa.

Nas últimas semanas, o cenário extremamente negativo da equipa, baseado em Hinwil, parece ter começado a reverter. Com o pagamento de salários atrasados, até mesmo Felipe Nasr e Marcus Ericsson mostram-se mais optimistas com a situação.

Monisha Kaltenborn comentou que a saída para tirar a Sauber da profunda crise financeira foi encontrada. “Não comentarei os rumores, mas posso confirmar que achamos uma solução definitiva”, afirmou.

“Não citarei um prazo para o anúncio, mas posso dizer que temos uma razão para ficarmos optimistas. Fico surpresa em ver o quanto a Sauber durou. Muitas regras mudaram, o que resultou num maior gasto. Mas agora, é tudo sobre estabilizar a equipa e manter os empregos. Nisso, estamos a obter sucesso”, prosseguiu a chefe de equipa.

No entanto, não são todos os problemas que estão resolvidos. Nos testes colectivos dos dias 12 e 13 de Julho, em Silverstone, a equipa já revelou que não participa, assim como aconteceu em Barcelona no mês de Maio.

Mas isso, não parece problema. Monisha finalizou a ressaltar que já estão a pensar no futuro. “Preparamos algumas inovações e somos capazes de implementá-las, agora. Mas também devemos olhar para 2017”, avaliou.

A dirigente encerrou com muita esperança. "Após essa segurança financeira, queremos melhorar. Colocamo-nos muita pressão, vamos ver até onde podemos chegar”, disse.