Jornal dos Desportos

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Hamilton assume liderana

Altino Vieira Dias - 15 de Abril, 2019

Piloto acelera para o sexto ttulo da carreira

Fotografia: DR

O périplo pela Ásia continua. Depois do Bahrein, os motores voltaram a roncar na República Popular da China e o inglês Lewis Hamilton, da Mercedes, venceu o Grande Prémio da China, realizado ontem no circuito de Xangai perante um exército de fãs ingleses.

A largada foi boa para o piloto inglês. No apagar das luzes, ultrapassou o colega de equipa, Valtteri Bottas, que partiu da pole position. O finlandês não teve a capacidade de resposta perante um endiabrado Lewis Hamilton. Apesar da presença constante de Bottas no seu encalço, o inglês esteve irrepreensível e não largou o lugar com todo o mérito.

No circuito internacional de Xangai, os pilotos da Mercedes fizeram um “tampão” aos carros da Ferrari. Charles Leclerc também ultrapassou Sebastian Vettel, o seu colega na Ferrari, que se viu obrigado a “travar” devido ao fechar de “porta” de Bottas.

Na parte de trás, a “festinha” dos meninos não correu nada bem. “El niño bad”, Daniil Kvyat, da Toro Rosso, bateu nos carros da Mclaren e os pilotos da equipa de Woking caíram para as últimas posições. Kvyat foi penalizado. Kimi Raikkonen, da Alfa Romeo, ultrapassou Nico Hulkenberg, da Renault, depois de uma excelente fuga.

A corrida foi emocionante do princípio ao fim e os fãs não se arrependeram de assistir às cenas espectaculares entre os pilotos e as equipas. A título de exemplos, as ultrapassagens de Bottas ao Leclerc, as de Kimi Raikkonen aos pilotos da Haas Ferrari, Kevin Magnussen e Romain Grosjean, as disputas nas boxes entre as equipas Mercedes e Ferrari. A equipa italiana lançou Vettel primeiro nas boxes, na tentativa de este chegar mais próximos das Mercedes ao longo da corrida, mas a estratégia não passou apenas de um desejo.

A Mercedes chegou a República Popular da China com a vitória na mente, depois da consagração sortuda no Grande Prémio de Bahrein. O desastre de Charles Leclerc, na 46ª volta, descredibilizou a confiabilidade da Ferrari. A Mercedes fez um bom trabalho na fábrica.

Na China, Leclerc, infelizmente, não conseguiu dar continuidade ao ritmo apresentado no Bahrein. Tanto o jovem piloto como Vettel se limitaram a apenas em ficar atrás dos carros da Mercedes. Não os ameaçaram.

Os pontos negativos da corrida foram: os toques de Daniil Kvyat aos carros da McLaren, a desistência de Hulkenberg e Norris, a fraca prestação de Lance Stroll frente ao colega Sergio Pérez, da Point, as ordens da Ferrari, embora a maioria parte dos analistas acreditaram que foi justa, já que Vettel estava mais rápido que Leclerc.    

A Mercedes está a aproveitar os desaires da Ferrari. Se no Grande Prémio do Bahrein, a Ferrari apareceu com um ritmo assustador, na China, esteve longe de acontecer. As Mercedes demonstraram o trabalho árduo que as outras equipas devem fazer para travar o ímpeto da toda a poderosa Flechas de Prata (Mercedes).

Com a terceira dobradinha no campeonato, a Mercedes assume-se cada vez mais como o alvo a abater. A Ferrari e as outras equipas devem reagir rapidamente nas próximas corridas para não deixarem a Mercedes ter um domínio total. As contas podem começar a ficar apertadas, se a Mercedes for muito consistente.

O Grande Prémio da China ficou com a seguinte classificação: Hamilton e Bottas (ambos da, Mercedes), Vettel (Ferrari), Verstappen (Red Bull), Leclerc (Ferrari), Gasly (Red Bull), Ricciardo (Renault), Pérez (Haas), Raikkonen (Alfa Romeo) e Alborn (Toro Rosso).

Após o Grande Prémio da China, a classificação é liderada por Lewis Hamilton com 68 pontos, seguido de Valtteri Botas (62), Max Verstappen (39), Sebastian Vettel (37), Charles Leclerc (36), Gasly (13) e Kimi Raikkonen (12).

Por equipa, a Mercedes lidera o campeonato de construtores com 130 pontos, seguido da Ferrari (73), Red Bull (52), Renault (12), Alfa Romeo (12), Haas F1 Team (8), McLaren (8), Racing Point (7), Toro Rosso (4) e Williams (0).

Depois de Xangai, segue-se o Grande Prémio do Azerbaijão. Hamilton, Bottas e a Mercedes vão voar para a próxima corrida não só para preservarem a vantagem, mas também para somarem a quarta dobradinha da época. As perguntas que não se querem calar são: serão as ferraris capazes de virar o quadro no GP do Azerbaijão? Leclerc vai deixar Vettel ser o capitão da equipa? Quem vai sair à frente da grelha no Azerbaijão: Lewis Hamilton ou Valtteri Bottas?

HISTÓRIA
Mercedes triunfa no GP 1000       

O GP da China de Fórmula 1 não foi o mais emocionante do ano, mas entrou para a história como o milésimo da categoria. Com a Mercedes absoluta, Lewis Hamilton garantiu a vitória tranquila em Xangai, com o seu companheiro Valtteri Bottas em segundo. Foi a terceira dobradinha das Flechas de Prata na época. Ordem controversa na Ferrari, domínio da Mercedes e luta pela liderança do Mundial de Pilotos marcaram o milésimo GP da F1.

Considerada por muitos como a favorita ao GP chinês, a Ferrari decepcionou e conseguiu colocar apenas um piloto no pódio. Pela primeira vez na época, Sebastian Vettel esteve entre os três primeiros classificados e lamentou não conseguir acompanhar o forte ritmo da Mercedes. A luta pela liderança foi um atractivo com Lewis Hamilton a ultrapassar Valtteri Bottas na largada. O inglês contou com a boa estratégia da Mercedes para garantir a vitória.

 INÍCIO DOMINANTE

Em uma corrida para ficar gravada na história, a Mercedes também aproveitou para alcançar um número significativo. Com a vitória de Hamilton e o segundo lugar de Bottas, os alemães anotaram três ' dobradinhas ' nas três primeiras corridas da época. A última vez que isso havia acontecido foi em 1992, com a Williams.

Apesar de não ter sido incomodada na liderança da corrida, a vitória da Mercedes na China chegou a impressionar pelo domínio da equipa, que não cometeu erros significantes durante todo o fim de semana. Para coroar a boa fase, os mecânicos da Mercedes ainda fizeram um pit stop duplo, com Hamilton e Bottas a ir para os boxes praticamente ao mesmo tempo, e garantiram paragens rápidas aos pilotos.
ANTES FAVORITA
Ferrari está pressionada

A Ferrari teve desempenho surpreendente durante a pré-época e era considerada por muitos a favorita para o GP 1000 da Fórmula 1. Quando os motores foram aquecidos, a superioridade da escuderia italiana não foi vista em praticamente nenhum momento. Ainda no treino classificativo, Valtteri Bottas e Lewis Hamilton lutaram entre si pela pole position. Na corrida, Sebastian Vettel terminou a mais de 13 segundos atrás do líder.
A diferença entre as duas equipas torna-se ainda mais clara ao analisar a classificação no Mundial de Construtores. Com três dobradinhas no ano, a Mercedes ocupa a liderança com 130 pontos. A Ferrari aparece em segundo, mas com "apenas " 73 pontos. A equipa, que deveria pressionar a Mercedes, actualmente, segue pressionada pela Red Bull, que ocupa o terceiro lugar com 52 pontos. Os italianos também não iniciaram o ano de forma confortável no Mundial de Pilotos. Sebastian Vettel está na quarta posição com 37 pontos, a 31 atrás do líder Hamilton.


EQUIPA IRRITA LECLERC
Na sua primeira época pela Ferrari, o jovem Charles Leclerc já mostrou que não vai aceitar ser o piloto número dois da equipa tão facilmente. Ontem, Leclerc largou na quarta posição, logo atrás de Sebastian Vettel, mas não demorou para ultrapassar o alemão. Ainda na primeira curva, já era o terceiro da fila. Apesar do bom início, Leclerc passou a apresentar ritmo mais lento em relação a Vettel e recebeu ordem para deixar passar o companheiro.
Na volta de número 11, Vettel ultrapassou Leclerc, retomou a terceira posição e de lá não saiu. No caso de Leclerc, o prejuízo foi maior. O jovem passou a ser pressionado por Max Verstappen, da Red Bull, e não conseguiu segurar a quarta posição, após voltar de uma paragem demorada nos boxes.
"Preciso entender o quadro completo para falar com os engenheiros e entender esta decisão. Tenho a certeza de que há uma explicação e quero entendê-la. De qualquer forma, é passado. No geral, hoje não foi um bom dia ", afirmou Leclerc, que havia questionado a decisão da equipa durante a corrida.
Se a Williams de 1992 era sinónimo de vitórias e títulos, a realidade actual da equipa é bem diferente: última classificada no Mundial dos Construtores e a única equipa sem pontuação  época. Ontem, os ingleses voltaram a decepcionar. George Russell (16º) e Robert Kubica (17º) só ficaram à frente de Lando Norris (McLaren), que se envolveu em acidente e precisou realizar quatro paragens.

GASLY FAZ VOLTA
MAIS RÁPIDA
Uma das cenas mais inusitadas no GP da China aconteceu nas últimas voltas. Na sexta posição e já sem oportunidades de ultrapassar nenhum concorrente, o francês Pierre Gasly, da Red Bull, parou para colocar os pneus super-macios e buscar a volta mais rápida em Xangai, que garante um ponto extra na classificação. Levou a sua RB ao extremo e conseguiu anotar o tempo mais rápido do dia: 1min34s742.