Jornal dos Desportos

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Hamilton dá crédito a Vettel

31 de Março, 2015

Derrota em Spang deixou Lewis Hamilton desgastado com a equipa técnica

Fotografia: AFP


A vitória de Sebastian Vettel, no Grande Prémio da Malásia de Fórmula 1, impediu que Lewis Hamilton comemorasse em grande estilo a 150ª prova da carreira. Campeão do Mundial, o britânico revelou que não estava confortável com o acerto do carro, mas exaltou o trabalho feito pelo rival para vencer em Sepang.

Vettel largou em segundo e herdou a liderança da prova na quarta volta, quando Lewis Hamilton e a maioria dos outros pilotos aproveitaram a entrada do safety- car para realizarem a primeira paragem para troca de pneus. O alemão da Ferrari resolveu retardar o seu primeiro pit-stop e acabou recompensado com a vitória. “Precisamos dar-lhes crédito, fizeram um trabalho fantástico. Sebastian e a Ferrari merecem os parabéns. Não estávamos à espera, eu também não, que estivessem tão rápidos. Isso é óptimo para os fãs verem”, afirmou Hamilton.

Além da vitória de Vettel, o bom desempenho da Ferrari, ficou evidente pela quarta posição do finlandês Kimi Raikkonen. Largou em 11º lugar, sofreu com um furo no pneu na primeira volta e mesmo assim ficou à frente da Williams de Valtteri Bottas e Felipe Massa, quinto e sexto classificados. A expectativa da equipa Mercedes era  de que Lewis Hamilton tivesse um carro melhor do que o de Vettel na parte final de prova e assim pudesse tirar rapidamente a diferença.

No planeamento da equipa, os dois iam lutar pela primeira posição nas cinco voltas finais, mas o britânico não conseguiu aproximar-se do alemão, que venceu com oito segundos de avanço. “De uma forma geral, durante o dia todo, tive problemas com o balanço, estava muito desconfortável no carro. Não consegui cuidar dos pneus e estava a fazer tudo que estava ao meu controlo, mas parecia não funcionar. Realmente, não consegui um bom acerto”, analisou.

ALERTA SOA ALTO
PARA A MERCEDES


Os alarmes soaram para a equipa Mercedes, actual campeã da Fórmula 1, após a Ferrari superá-la com o alemão Sebastian Vettel de forma justa no Grande Prémio da Malásia no último domingo. “Foi um chamado de alerta, vai lembrar-nos que não se trata de uma caminhada tranquila”, afirmou Toto Wolff, chefe da Mercedes, depois que o actual campeão, Lewis Hamilton, e o seu companheiro de equipa, Nico Rosberg, terminaram em segundo e terceiro lugares.

“Existe uma competição feroz e não podemos dar-nos ao luxo de sermos complacentes e não podemos cometer erros. Precisamos continuar a evoluir e acredito que a derrota foi a coisa certa a acontecer no momento certo, provavelmente”, disse. O austríaco acrescentou: “Temos uma grande batalha lá fora”. A Mercedes chegou a Sepang depois de uma dobradinha no Grande Prémio da Austrália, o que fez com que os seus adversários ficassem a imaginar se as Flechas de Prata poderiam ser batidas nesta época.

A pole de Hamilton foi a 13ª consecutiva da Mercedes, dominante nas pistas desde a introdução do motor V6 turbo,  venceu as últimas oito corridas. Mas Sepang não foi como o planeado. “É muito fácil depois da corrida apontar o dedo para uma situação em particular, uma decisão em particular e dizer que o problema foi esse. Em uma percepção tardia, houve muitas coisas que podiamos ter feito melhor”, declarou Toto Wolff.

NAS ÚLTIMAS VOLTAS
Sebastian Vettel revelou sentir “medo”

O alemão Sebastian Vettel nunca escondeu a admiração pela Ferrari, equipa pela qual o seu ídolo Michael Schumacher conquistou cinco dos seus sete títulos mundiais de Fórmula 1. E o peso emocional de ser piloto da equipa fez com que o tetra-campeão, como se diz no jargão, “se borrasse de medo” nas voltas finais do Grande Prémio da Malásia, no qual conquistou a primeira vitória pela equipa. Vettel venceu a prova em Sepang depois de largar na segunda posição e adoptar uma estratégia diferente da maioria dos rivais, entre os quais Lewis Hamilton e Nico Rosberg.

O planeamento da Ferrari deu certo e o alemão recebeu a bandeira da vitória com 8s569 de vantagem sobre o britânico da Mercedes. “Não deveria falar isso, mas estava a borrar-me nas últimas voltas, porque de vez em quando olhava o carro e pensava ‘esse é um vermelho e você está prestes a ganhar com ele’. E então vi que precisava de parar de fazer isso ou iria errar alguma coisa. Foi um grande alívio receber a bandeira xadrezada”, disse Vettel.

A emoção do tetra-campeão do mundial na sua primeira vitória com a Ferrari ficou evidente. Ainda dentro do carro, comemorou com a equipa ao falar em italiano pelo rádio, depois de gritar sim, em inglês, diversas vezes. “Obrigado, obrigado. Força Ferrari”, disse. Assim que parou o carro, Vettel foi abraçar os funcionários da equipa. Pegou uma bandeira da Ferrari e a colocou no cockpit depois de balançá-la em direcção à claque. No pódio, ainda repetiu o gesto que Michael Shcumacher eternizou, simulando com os dedos que regia o hino italiano.

“Foi um dia fenomenal, é um sentimento incrível. Estar no pódio, olhar para baixo e ver o pessoal ali é uma atmosfera inacreditável. Posso lembrar-me apenas das vitórias que Fernando teve com a Ferrari e especialmente as que Michael celebrou com a equipa. Fazer parte desta equipa é algo especial, deixa-me muito feliz”, resumiu.

PONTOS NA F1
Max Verstappen
é o mais jovem

Max Verstappen adicionou um novo recorde, na sua curta carreira na Fórmula 1. O holandês tornou-se no piloto mais jovem a marcar pontos na categoria, ao ficar com a sétima posição do Grande Prémio da Malásia, que disputou com 17 anos e 180 dias de idade. Filho do ex-piloto Jos Verstappen, já era o piloto mais jovem a correr na Fórmula 1, ao participar do Grande Prémio da Austrália, em Melbourne, há duas semanas. O representante da Toro Rosso fez quase toda a carreira no kart e tem apenas uma época de experiência no automobilismo: disputou a Fórmula 3 em 2014.

“Gostei da corrida, estou muito feliz por ter marcado os meus primeiros pontos na F1 e ter ficado em sétimo. Fizemos um grande trabalho como equipa. As primeiras voltas foram complicadas para mim, estava a sofrer com os pneus médios. Fomos rapidamente para as boxes colocar os duros e isso funcionou perfeitamente. O carro ficou óptimo”, disse Verstappen. Com os seis pontos marcados, o piloto holandês superou o russo Daniil Kvyat, que marcou os seus primeiros pontos na F1 aos 19 anos e 324 dias de idade, no Grande Prémio da Austrália da época passada, na sua estreia na categoria.

O russo, actualmente na equipa Red Bull, também esteve no Grande Prémio da Malásia e foi o nono classificado da segunda prova do ano. Curiosamente, os dois pilotos da Toro Rosso, equipa satélite da empresa de capital austríaco, receberam a bandeira quadriculada à frente dos representantes da Red Bull. Carlos Sainz Jr., também em época de estreia, foi o oitavo classificado. O piloto australiano Daniel Ricciardo acabou em décimo lugar.

“Senti-me bem fisicamente, estava bastante quente, mas mesmo assim consegui lidar com isso e ser consistente. Então. fiquei feliz. Este é um grande impulso para a equipa e não podíamos  ter feito um trabalho melhor”, sentenciou Verstappen.

Sebastian Vettel feliz
por vencer na Malásia


Após quebrar um jejum de vitórias em grandes prémios de Fórmula 1, que durava desde Novembro de 2013, Sebastian Vettel mostrou-se emocionado: “Vencemos de forma justa. “Ainda há muito caminho pela frente, mas hoje não me importo com nada. Quero festejar e ficar bêbado, o resto não me interessa”, referiu o piloto alemão após vencer o Grande Prémio da Malásia ao volante de um Ferrari.

O ex-piloto da Red Bull assinou pela escuderia italiana este ano, seguiu os passos do seu compatriota Michael Schumacher, e não podia estar mais feliz: “Lembro-me de quando era pequeno ver o Michael a ganhar prémios. E agora sou eu, a pilotar e ganhar com o mesmo carro. É um sonho tornado realidade”. O piloto de 27 anos, que alcança  a sua primeira vitória pela Ferrari, diz tratar-se de uma sensação “incrível”. A fechar, Vettel, quatro vezes campeão mundial, assegurou que “o objectivo” é ganhar o mundial, mas que “hoje é para aproveitar”.