Jornal dos Desportos

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Hamilton descarta ajudar Rosenberg

31 de Outubro, 2015

Lewis Hamilton fez uma avaliação da carreira e assumiu ter evoluído dentro e fora das pistas na F1

Fotografia: AFP

Lewis Hamilton quer manter-se na senda de vitórias em 2015. O agora tricampeão mundial disse em conferência de imprensa, na cidade de México, que vai continuar com a proposta de "ataque total" para vencer a primeira prova no México, em 23 anos de existência, para fazer história.

O britânico afirmou que os últimos dias foram de descanso, mas também de reflexão a volta da conquista do tricampeonato, um título que "custa acreditar".

"É muito bom estar aqui no México pela primeira vez. Relaxei nos últimos dias e a ficha ainda não caiu totalmente. Parece que todo o dia me belisco a pensar ‘não acredito que isso aconteceu mesmo", disse.

O inglês da Mercedes garantiu que vai continuar com a mesma atitude e busca marcar o seu nome na história da prova mexicana.

"Para mim, sempre é ataque total. Ainda temos três corridas, do qual o Grande Prémio do México, o primeiro em 23 anos. É empolgante para os mexicanos e para nós. Todos aqui queremos ter o nosso nome entre os vencedores desta corrida", falou.

Hamilton comentou as diferenças na sua carreira e explicou quanto cresceu como piloto e também como pessoa com o passar dos anos.

"Mudei muito. Cresci muito. Antes da F1, não tinha nenhuma preparação para lidar com a imprensa e conferências. Demorei um tempo para me acostumar a este lado da F1, em que temos de dar um pouco mais as caras e mostrar quem sou. Hoje, com a fama, já me sinto mais confortável comigo mesmo. E como piloto, sou bem mais completo hoje", afirmou.

AJUDA A ROSBERG


A luta pelo segundo lugar do campeonato mundial de pilotos da F1 envolve dois alemães e Lewis Hamilton recusa-se a intrometer-se na língua alemã.
Nico Rosberg, da Mercedes, e Sebastian Vettel, da Ferrari, chegaram a cidade de México para receberem o título de vice-campeão da presente época. O tricampeão disse que a Mercedes não fez qualquer pedido para ajudar o colega e não vê como um benefício muito grande.

A posição de Lewis Hamilton pode estar ligada à reclamação de Nico Rosberg, no Grande Prémio dos Estados Unidos da América. À saída da primeira curva, Hamilton defendeu-se do ataque do colega e conseguiu desempilhar-se do pelotão. O gesto levou Rosberg à quarta posição antes de retomar o segundo lugar no final.

Lewis Hamilton justificou-se também de que não manteve qualquer conversa com o colega de equipa (Rosberg) a respeito da ajuda no Grande Prémio do México e não vê razões suficientes para dialogarem sobre isso.

"Não falamos sobre a curva 1 e não precisamos abordá-lo. A equipa não me pediu para ajudá-lo a ficar com o título de vice-campeão. Estou aqui para vencer a corrida. A equipa já venceu o Mundial de Construtores. Daqui em diante, não tem grande benefício para que eu comece a ajudar a equipa. Vamos ver o que o Toto vai pedir", disse Lewis.

O campeão garantiu que tem a plena confiança em Toto Wolff para gerir a equipa, inclusive na parte emocional de Rosberg. E não teve muito a falar de novo sobre o incidente do polémico arremesso de boné em Austin.

"A questão para mim é que sou bem tranquilo. Para mim, não tem problema nenhum. Se o Toto quizer sentar com o Nico e ver onde está a cabeça de Rosberg, sabe o que é melhor para a equipa. Não tenho nada a dizer. Tenho a certeza de que vai sentar para entender o que o Nico está a sentir-se. Vamos seguir em frente. Com relação ao boné… Não tenho muito para dizer sobre", terminou.


Motores
Nico Rosberg escolhe rajada de vento


Nico Rosberg encontrou a justificativa para o seu erro no final do Grande Prémio dos Estados Unidos no último final de semana. O alemão comentou em conferência de imprensa que uma forte rajada de vento mudou o seu caminho e tirou a estabilidade do carro no lance que deu título a Lewis Hamilton. Por outro lado, reconheceu que também tem a sua parcela de culpa pela perda do primeiro lugar em Austin.

“Foi uma rajada de vento. Daquelas bem fortes. Estou a falar sério! Claro que todo o mundo teve isso e continua a ser um erro. Contudo, é bom para mim. Não é uma desculpa, mas um motivo para eu ter errado. É importante entender isso”, disse.

Para o alemão, a rajada de vento foi a grande responsável pela total falta de estabilidade da sua Mercedes no fim da corrida.

“Foi algo totalmente fora do comum, aconteceu apenas uma vez em tantas voltas. Agora, entendo como perdi tanto o downforce na parte traseira e fui atirado para fora da pista”, falou.

O alemão não acredita que a Mercedes vá dar preferência devido a disputa pela vice-liderança.

“A equipa não vá mudar totalmente de foco. A batalha pela vitória deve continuar, mesmo que o Mundial de Pilotos e o de Construtores já tenha sido fechado”, declarou.

Para Nico Rosberg, a disputa pelo primeiro lugar vai seguir acirrada com Lewis Hamilton e Sebastian Vettel.

“Quero vencer, tenho a certeza de que Hamilton quer vencer, Vettel quer vencer. Vai ser mais uma daquelas batalhas pelo triunfo, nada de diferente”, afirmou.

Nico Rosberg ainda está na luta pela vice-liderança da época 2015 da F1. O alemão tem 247 pontos, quatro a menos que Vettel.


Erro
Sauber “ralha” dupla de pilotos


O desentendimento na Sauber chegou ao fim. No último domingo, Felipe Nasr e Marcus Ericsson tocaram-se durante o Grande Prémio dos EUA e, após um puxão de orelha de Monisha Kaltenborn, ambos falaram que um lance igual jamais se vai repetir.

Nasr admitiu que, se voltasse no tempo, não teria colocado o carro na curva do jeito que foi, e revelou que ninguém na Sauber quer um novo incidente entre os dois.

“Foi bastante simples a nossa reunião. Não queremos que isso aconteça de novo, ninguém na equipa quer isso. Se voltasse no tempo, não teria feito a mesma manobra. Naquele momento, pensei que Marcus me via, quando na verdade não. No final, disse-me que não me viu", frisou,
O brasileiro explicou que o acidente não ocorreu numa tentativa de ultrapassagem, já que, naquele momento, estavam em bandeira amarela. “Disse ao Marcus que não queria ultrapassá-lo ali; estávamos sob bandeira amarela e teria sido punido se passasse. Mas, quando fui ver, nós estávamos lado a lado na curva 1”, falou.

O brasileiro retorquiu que não tentou ultrapassar o companheiro.

“Realmente mantive a minha linha de dentro, mas em nenhum momento quis fazer a ultrapassagem. De qualquer forma, não é algo que possa repetir-se”, completou.

Ericsson garantiu que a boa relação entre os companheiros da equipa suíça vai manter-se.

“Já conversei com o Felipe sobre isso e agora é assunto do passado. Nós dois temos uma relação muito boa de companheiros, vai manter-se assim”, disse.

O sueco afirmou que o incidente foi normal, mas assegurou que não olhou a aproximação do brasileiro por se tratar de um período com bandeiras amarelas.

“Foi uma coisa que poderia ter acontecido com qualquer um; infelizmente foi com o meu companheiro de equipa. A gente estava na bandeira amarela e não tinha motivo para olhar no meu retrovisor”, fechou.


ESTREANTE
Sainz festeja
“grande ano”


A primeira época de Carlos Sainz na Fórmula 1 tem sido bastante posição. O piloto de 21 anos de anos de idade faz a dupla com Max Verstappen na Sauber e é considerada a mais jovem da história do Mundial.

Apesar de problemas mecânicos e acidentes de percurso enfrentados ao longo do campeonato, Sainz ganha respeito dos seus pares, sobretudo, depois de marcar o seu melhor resultado na época, no Estados Unidos da América, em que terminou em sétimo lugar.

Ao todo, Carlos Sainz soma 18 pontos no Mundial de Pilotos. O seu companheiro de equipa, Max Verstappen, tem mais que o dobro (45), fruto, principalmente, de dois quarto lugares, em Hungaroring e Austin. Por isso, Carlos ressalta o grande ano da dupla da equipa de Faenza, que superou a desconfiança ao longo do campeonato.

Agora, com muito trabalho e aprendizado, na visão do espanhol, a sua missão é ajudar a Toro Rosso a terminar em alta a época.
“Tem sido um grande ano para nós dois. Resultados à parte, estamos a aprender muito”, destacou o piloto nascido em Madrid durante a conferência de imprensa na cidade de México.

“Da minha parte, estou a curtir bastante as últimas corridas, especialmente, essas duas últimas em que larguei de trás e abri caminho até o final”, recordou.

“Temos de garantir que vamos continuar a aprender até o fim da época. São três corridas e é importante terminar em alta”, acrescentou Sainz.

Ao comentar sobre o seu melhor resultado na F1, Carlos mostrou-se exultante, sobretudo, pelo facto de nunca ter conduzido no Circuito das Américas.

“Foi uma corrida muito mais difícil do que devem imaginar, pois a minha primeira volta no piso seco foi na corrida, sem nenhum treino. De repente, tínhamos de mudar para os slicks. Estávamos a aprender durante a prova. Sabia que não podia atacar muito, tinha de aprender a pista sem nunca ter andado no seco nela antes e terminamos com um bom resultado”, comemorou.

Na esteira do sétimo lugar nos Estados Unidos, Sainz esbanja confiança para repetir ou até melhorar a sua performance. “Agora mal posso esperar pelo México para continuar assim”, finalizou.