Jornal dos Desportos

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Hamilton é disléxico

23 de Dezembro, 2015

Hamilton enfrentou dificuldades na escola durante a adolescência e pretende ajudar crianças quando deixar as corridas

Fotografia: AFP

O passado de Lewis Hamilton está carregado de alegrias e de tristezas, como o de qualquer criança de família pobre. Se o desejo de correr na Fórmula 1 foi uma realidade, quando se estreou numa competição de carro de controlo remoto, numa fazenda, o momento foi mais alegre a bordo de um karting pela primeira vez.

O jovem inglês desconhecia que o "hobby" ia-se transformar  numa causa de doença. A exigência da corrida implicou o cancelamento de aulas no último dia útil de trabalho: sexta-feira. A ausência constante no colégio acarretou problemas, muitos dos quais derivados da dislexia. Lewis Hamilton deixou o colégio há muito tempo. Aos 30 anos de idade, o tricampeão lembra que teve tempos difíceis naquela época académica, especialmente por um motivo que não era conhecido do público. O tricampeão mundial é disléxico.

Em entrevista ao jornal alemão "Stuttgarter Zeitung", Lewis Hamilton revelou que a dislexia foi parte de muitos problemas que teve naquele período. Por outro lado, a carreira de piloto também não ajudou. "Na condição de disléxico, tive dificuldades. Também perdi muitas aulas às sextas-feiras, porque corria aos finais de semana. A escola não foi divertida para mim", disse o inglês.

Hamilton, não é o primeiro campeão mundial da F1, que sofre de transtorno: outro dono de três campeonatos mundiais, Jackie Stewart, também foi diagnosticado como disléxico. Hoje, Stewart é presidente da fundação Dyslexia Scotland, que acompanha pessoas disléxicas.

MANOR
Governo indonésio veta Haryanto


Rio Haryanto parecia bem próximo de conseguir uma vaga, na equipa Manor, quando o governo da Indonésia mostrou-se disposto a comprar um assento na F1. Mas a situação parece estar a mudar: Basuki Purnama, governador do distrito de Jakarta, apontou que o dinheiro público não pode ser utilizado com este propósito.

“Verifiquei o regimento do Controlo de Desenvolvimento Financeiro e o orçamento da cidade não pode ser utilizado para fins comerciais com a F1. Não podemos apoiar atletas profissionais”, avisou Purnama.O governo da Indonésia comunicou  que tinha 20 milhões de dólares para apoiar a equipa Manor, tendo em troca a confirmação de Haryanto na F1. Mas se o bloqueio do dinheiro público se concretizar, apenas sete milhões de dólares provenientes da petroleira estatal Pertamina, podiam ser disponíveis.

Sem os outros 14 milhões de dólares, necessários para chegar ao valor estimado pela Manor, o negócio passa a ser uma incógnita. Mas o Ministro dos Desportos do país, Imam Nahrawi, garante que vai continuar a procurar o que falta para completar o orçamento. “Preciso de encontrar uma fórmula perfeita, para apoiar o Rio financeiramente, e ficar de acordo com os requerimentos da Manor”, disse.

A Manor é a única equipa da grelha com vagas em aberto. A equipa, que contou com Will Stevens, Roberto Merhi e Alexander Rossi em 2015, ainda não parece estar próxima de nenhum acordo. Pascal Wehrlein, campeão do DTM, chegou a ser considerado, mas tal negociação continua uma incógnita. Haryanto, por sua vez, carrega resultados bons na GP2. Depois de três épocas discretas no certame.

PASSOS DE SCHUMACHER
Assessoria descarta rumores


A assessora de Michael Schumacher, Sabine Kehm, veio a público negar as informações que circulam na Alemanha sobre melhoras significativa no estado de saúde do heptacampeão. A revista “Bunte” relatou que o ex-piloto foi capaz de dar alguns passos, factos que Kehm descartou. As condições de saúde de Michael Schumacher, quase dois anos depois do acidente sofrido numa estação de esqui em França, permanecem inalteradas.

Quem confirma é a assessora de imprensa do alemão, Sabine Kehm. A profissional negou os rumores de que o heptacampeão tenha apresentado  melhoras significativas nas últimas semanas. De acordo com a revista alemã “Bunte”, Schumacher que está a ser tratado na sua casa na Suíça, foi capaz de dar alguns passos.

"Michael está muito magro, mas tem ajuda da sua terapeuta. Já consegue dar alguns passos", relatou a publicação. Kehm imediatamente respondeu à reportagem, afirmou que os factos descritos na matéria não correspondem à realidade.  "Infelizmente, somos obrigados a dizer que as últimas informações a anunciar uma recuperação no estado de saúde de Michael não correspondem aos factos", afirmou Sabine em declaração ao jornal “Bild”.

"Tais especulações são irresponsáveis, porque a protecção da privacidade de Michael é muito importante dada a gravidade dos seus ferimentos", completou. Schumacher sofreu um severo traumatismo craniano ao bater a cabeça numa pedra no acidente de esqui, em 29 de Dezembro de 2013, na estação de Méribel. Desde então, o processo de recuperação acontece longe dos holofotes.

LOTUS
Renault recebe
chaves do carro


O regresso da Renault à F1, já estava selado há semanas, mas o processo de compra da Lotus só terminou na última segunda-feira. Os antigos accionistas receberam os seus pagamentos e já abriram mão das suas partes, transformaram a companhia francesa em accionista maioritária.

A marca, chegou a ser chamada a um júri, em que esclareceu à justiça francesa a demora em efectuar os tais pagamentos. Todavia, os antigos accionistas receberam o dinheiro devido antes mesmo de uma sessão no tribunal. Já com a sua parcela na conta, a Proton – companhia malaia que controla a Lotus – nem se deu ao trabalho de aparecer.

“Completamos a compra de uma parcela. Temos as chaves na mão. O processo de insolvência funcionou do jeito que devia”, esclareceu o advogado da Renault. Terminada a transição, os 480 funcionários de Enstone correm contra o tempo para acelerar o desenvolvimento do carro de 2016. Sob o comando da Lotus, a falta crónica de dinheiro dificultou a concepção do novo bólide.

Os pilotos da equipa devem ser Pastor Maldonado e Jolyon Palmer, mas Carlos Ghosn, presidente da Renault, já fez uma ressalva: o contrato da dupla pode ser revisto. A afirmação abre espaço para dúvidas sobre a sua continuidade.


Outro famoso piloto, que também batalhou com a dislexia, foi Justin Wilson, que chegou a ser embaixador da Associação Internacional de Dislexia.
Na sequência, Hamilton falou que não pretende permanecer no automobilismo depois de pendurar o capacete. O jovem quer construir escolas para as crianças carentes.

"Quando parar, vou sair do mundo do automobilismo. Isso com certeza. Gosto de crianças. Então, gostaria de construir escolas para as crianças pobres, onde vão poder aprender um instrumento e ter boa educação. Sei por mim mesmo como é difícil", disse. Quanto à F1, destacou pontos fortes nas semelhanças entre ele e Nico Rosberg. O tricampeão assegurou a inteligência do alemão para ajustar o carro, enquanto ele próprio avaliou ser muito bom na travagem.

"É difícil explicar. Nico é bom em ajeitar o carro e normalmente tem um bom “feeling” sobre a direcção na qual o carro deve ser desenvolvido. Sou especialmente forte nas travagens. Posso travar muito tarde, no entanto, temos as nossas diferenças", encerrou.

Lewis Hamilton foi campeão mundial pela terceira vez em 2015, a segunda consecutiva.  A dislexia é uma perturbação da aprendizagem que tanto pode ocorrer com as palavras como com os números.  A perturbação da aprendizagem existe mesmo na presença de uma educação correcta e apropriada. Esta é uma dificuldade da criança (ou adulto) que precisa de ser identificada cedo para que se possa fazer a respectiva correcção e eliminação.

Alguns sinais de alerta são: dificuldades na linguagem escrita e por vezes oral; dificuldades na leitura e compreensão (quer de palavras quer de números); problemas de atenção; distraem-se com mais facilidade; problemas de lateralidade (confunde a esquerda com a direita); "não vê" o que tem à sua volta; tropeça, cai com frequência, bate nas mesas ou ombreiras das portas; não acerta na bola ou é mau nas actividades que requerem destreza manual; a sua escrita não tem precisão e é irregular (escrita irregular); troca letras com sons idênticos, por exemplo, f/v, p/b, p/t, v/z, b/d...; pode escrever letras em espelho; na leitura salta palavras ou linhas; não lê a palavra e lê de memória. Por exemplo, livraria, livro; batata, bata...

PREVISÃO DE NEWEY
Honda ameaça
equipa Red Bull


O projectista da Red Bull, Adrian Newey, fez uma pequena análise do que espera para a época'2016 da F1 e disse que a Honda pode ser a grande dor de cabeça para a equipa austríaca no próximo ano.

“Eles deram um bom passo em frente”, disse. Adrian Newey, o génio projectista da Red Bull, vê a Honda como uma possível rival da equipa austríaca para 2016. Para o austríaco, a fabricante japonesa tem todas as condições de dar um bom passo em frente na próxima época e colocar a McLaren em posição mais forte no Mundial.

Depois da Red Bull falhar nas negociações, para ter os motores de Mercedes, Ferrari e até mesmo da fabricante japonesa, Newey afirmou que a equipa da Red Bull está preparada para enfrentar esse momento difícil, uma vez que sabe como lidar com as unidades da Renault. Apesar do optimismo, o engenheiro mostrou-se ciente das dificuldades. Por isso, coloca a Honda como uma ameaça.

"Vai ser uma época muito difícil para nós, francamente", afirmou Adrian em entrevista ao site norte-americano 'Motorsport.com'. "Se começarmos o ano com o mesmo motor, que iniciamos em 2014 e 2015, então vamos estar ainda mais distantes. De acordo com o nosso sector de pesquisa, encontramos alguns acertos no que diz respeito aos chassis, mas naturalmente as demais equipas também devem melhorar, especialmente Mercedes e Ferrari", explicou o projectista.

Além das duas favoritas, Newey apontou ainda a Toro Rosso, além da McLaren, como possível dor de cabeça para a Red Bull.  "A Toro Rosso, a nossa equipa irmã, vai ter o motor da Ferrari, que é consideravelmente melhor que o da Renault. Acredito também na Honda. Pelo que vi, eles vão dar um grande passo em frente. O seu motor de combustão interna é bem razoável", disse.

"O problema deles neste ano foi o MGU-H. Mas isso é um problema fácil de resolver durante o Inverno. Por isso, o próximo ano vai ser difícil para nós", encerrou.