Jornal dos Desportos

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Hamilton impulsiona estatística e dispara rumo a marcas expressivas

15 de Abril, 2015

O detalhe é que o britânico venceu pelo menos uma prova em todos os campeonatos que disputou.

Fotografia: AFP

Lewis Hamilton, desde a estreia na F1 pela McLaren, acumulou bons números na F1, mas a estatística “bombou” com a ida para a Mercedes e o dominante carro da equipa alemã e agora está na cola dos grandes da história da categoria. Neste fim de semana, por exemplo, precisa de um quarto lugar para igualar Michael Schumacher em pontos somados na carreira.

Na estatística da F1, Lewis Hamilton é o quinto em vitórias, quarto em poles, primeiras filas e pontos, sexto em pódios e vitórias e sétimo em hat-tricks. Além do tão aguardado bicampeonato, a mudança para a Mercedes em 2013 e o subsequente domínio iniciado pela equipa alemã em 2014, permitiram que o britânico “bombasse” a sua estatística para aproximar-se dos grandes nomes da história da categoria. O número, que realmente importa em 2015, é o três do tricampeonato. Assim, pode igualar o seu grande ídolo no desporto, Ayrton Senna. Em outros quesitos, porém, já chegou ao patamar do brasileiro.

Claro que a análise dos números tem os seus choques e piadas. Os sistemas de pontuação mudaram ao longo dos tempos, a quantidade de corridas por temporada aumentou e a confiabilidade dos carros melhorou — é mais fácil chegar ao final e conquistar bons resultados com frequência. A qualidade dos carros que se teve nas mãos — o que envolve não só, mas também competência do próprio piloto — é mais um dentre os inúmeros factores que podem influenciar a estatística.

De qualquer forma, ainda é a ela, observada com a devida ressalva, que fornece o menos subjectivo dos critérios de comparação entre pilotos — de épocas diferentes e principalmente, os de uma mesma época. E é por isso que deve se dar valor às marcas que o britânico está a  atingir. No final de semana que passou, por exemplo, fez a quinta pole no circuito de Xangai. Tantas poles  numa mesma pista é algo que só Senna, Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher tinham conseguido. Também anotou o sétimo hat-trick da carreira, o mesmo total de Senna.

Já no próximo fim de semana, basta a Hamilton terminar na quarta posição no GP do Bahrein para igualar a pontuação de Michael Schumacher na carreira. Desde 2010  que este deixou de ser um critério preciso de comparação, com a vitória passa a valer 25 pontos e não mais dez, mas superar aquele que é considerado o “rei” da estatística o que  não deixa de ser significativo. Desde que se estreou em 2007, só fez menos pontos que Sebastian Vettel — perde para o tetracampeão por 119.

Outro número interessante: na Austrália, Hamilton igualou Senna quando venceu uma corrida pela nona temporada consecutiva. Mais do que isso, só Schumacher, com 15, e o “Professor” Alain Prost, com dez. O detalhe é que o britânico venceu pelo menos uma prova em todos os campeonatos que disputou.

PREOCUPAÇÃO
Felipe Massa quer brilhar em Bahrein

Felipe Massa espera que a Williams mostre o seu real desempenho no circuito do Bahrein, que recebe a quarta etapa da F1, neste fim de semana. O brasileiro, que já venceu duas vezes, quer tirar o melhor proveito das características únicas da pista árabe, palco também da primeira prova nocturna da temporada.

A Williams vai ao Bahrein, na esperança, de mostrar seu real desempenho na temporada 2015 da F1. Pelo menos, é o desejo de Felipe Massa, que já venceu a prova do circuito de Sakhir em duas oportunidades: 2007 e 2008, quando ainda defendia as cores da Ferrari. O brasileiro vem de um quinto lugar em Xangai e apenas espera que a equipa inglesa consiga tirar proveito das características do circuito árabe para tentar entrar na briga com a Ferrari e a Mercedes neste fim de semana.

“O Bahrein é a primeira corrida nocturna da temporada e é um lugar espectacular para acompanhar uma corrida”, disse o piloto de 33 anos. “Eu tenho boas lembranças dessa pista onde venci duas vezes”, completou. “Espero que o nosso carro possa mostrar seu verdadeiro ritmo e usar toda a velocidade que possui nas longas rectas da pista de Sakhir. O circuito também é incrível, com instalações excelentes, o que acaba por ser um bónus quando você vai correr por lá”, acrescentou.

Rob Smedley, o chefe de performance da Williams, ressaltou também o clima mais quente do Bahrein e alertou para o desgaste grande dos pneus traseiros. “Depois de um fim de semana mais ameno na China, nós voltamos a viver um clima quente no Bahrein”, disse Smedley. “O circuito de Sakhir é fantástico e exige muito dos pneus traseiros, por isso, é tão importante controlar a temperatura deles”, explicou. A Williams aparece na terceira posição entre os construtores, enquanto Massa é o quarto colocado, com 30 pontos.

Outra peça VITÓRIAS

1. Michael Schumacher- 91
2. Alain Prost -51
3. Ayrton Senna -41
4. Sebastian Vettel -40
5. Lewis Hamilton - 35

Poles
1. Michael Schumacher -68
2. Ayrton Senna - 65
3. Sebastian Vettel -45
4. Lewis Hamilton - 41

Largadas na primeira fila
1. Michael Schumacher - 116
2. Ayrton Senna - 87
3. Alain Prost - 86
4. Lewis Hamilton -75

Pódios

1. Michael Schumacher -155
2. Alain Prost -106
3. Fernando Alonso - 97
4. Ayrton Senna - 80
5. Kimi Räikkönen -77
6. Lewis Hamilton - 73

Pontos
1. Fernando Alonso -1.767
2. Sebastian Vettel - 1.673
3. Michael Schumacher — 1.566
4. Lewis Hamilton — 1.554

Voltas lideradas
1. Michael Schumacher - 5.111
2. Ayrton Senna-2.931
3. Alain Prost - 2.683
4. Sebastian Vettel - 2.484
5. Nigel Mansell - 2.091
6. Lewis Hamilton -1.956

Circuitos em que largou na pole

1. Alain Prost e Sebastian Vettel - 20
3. Michael Schumacher - 19
4. Ayrton Senna e  Hamilton - 18

Circuitos em que venceu

1. Michael Schumacher - 22
2. Sebastian Vettel - 20
3. Alain Prost e Lewis Hamilton - 18
Títulos
1. Michael Schumacher - 7
2. Juan Manuel Fângio - 5
3. Alain Prost e Sebastian Vettel - 4
5. Jack Brabham, Jackie Stewart, Niki Lauda,  Piquet e Ayrton Senna - 3
10. Alberto Ascari, Jim Clark, Graham Hill, Emerson Fittipaldi, Mika Häkkinen, Fernando Alonso e Hamilton- 2

EXPLICAÇÂO
Piloto britânico rebate acusações

Lewis Hamilton comentou os acontecimentos do pós-GP da China e afirmou que Nico Rosberg não tentou em nenhum momento ultrapassá-lo. O britânico também entende que está mentalmente mais forte que o companheiro da Mercedes em 2015. Lewis Hamilton acredita que é mentalmente mais forte que Nico Rosberg. O britânico entende que essa força agora representa uma vantagem ainda maior e mais decisiva na batalha que trava com o companheiro de equipa, pelo campeonato 2015. E o actual campeão justificou a sua opinião citando as acusações feitas pelo alemão após o GP da China, disputado no último domingo.

“Eu sempre disse que ele era realmente muito forte mentalmente”, afirmou Hamilton em entrevista à media inglesa ainda em Xangai. “Mas quero pensar que agora estou mais forte neste ano”, completou. A corrida chinesa marcou um novo capítulo na tensa rivalidade vivida pelos dois pilotos da Mercedes. Depois da prova, Rosberg criticou o colega e acusou-o de ter deliberadamente reduzido o ritmo da corrida durante a segunda parte da prova. De acordo com  o alemão, a conduta do britânico colocou em risco também o seu segundo lugar devido à aproximação de Sebastian Vettel.

Os dois chegaram a discutir durante a conferência de imprensa da FIA, mas a equipa alemã correu para colocar panos quentes. Na segunda-feira, Rosberg já disse que havia resolvido o imbróglio com o britânico e que as queixas agora “são coisas do passado”. Apesar do aparente clima de estabilidade, Hamilton voltou a falar da postura do companheiro. “Seu estivesse na segunda posição, com muito mais ritmo, eu tentaria de tudo para ultrapassar, mas Nico não fez isso”, disse Lewis. “É um passo para trás, na verdade. E isso é uma corrida. Eu não teria deixado abrir dois segundos ao fim do stint, eu teria tentado passar”, acrescentou.

Questionado se a atitude de Rosberg em não atacar teve a ver com uma preocupação quanto à Ferrari, Hamilton respondeu: “Eu não sei o que ele pensou. Eu apenas me senti muito bem depois da corrida. As mudanças no acerto que fizemos ao longo do fim de semana funcionaram, eu não cometi erros e trouxe o resultado para casa. É uma grande sensação”, encerrou.

O pai de Jules Bianchi assumiu, segunda-feira, a “tortura diária” vivida pelo piloto francês e pela sua família desde o grave acidente ocorrido a 5 de Outubro de 2014, durante o Grande Prémio do Japão de Fórmula 1. “O nosso universo entrou em colapso no dia 5 de Outubro de 2014”, sintetizou Philippe Bianchi, em entrevista ao jornal francês Nice-Martin, aludindo ao embate do piloto da Marussia com a grua que estava a tentar remover o carro do alemão Adrian Sutil (Sauber), que se tinha despistado no local.

Jules Bianchi revela
sofrimento do filho

O jovem, de 25 anos, permanece em coma, respira agora sem assistência, numa unidade hospitalar de Nice, para onde foi transferido depois dos cuidados iniciais no hospital de Mie, no Japão, mas o seu pai decidiu partilhar o seu estado “por respeito a todas as pessoas que continuam a enviar diariamente a Jules desejos e mensagens encorajadoras”. 

“Jules é jovem. Ele é muito forte fisicamente, pois sobreviveu a um choque muito grande. Tenho muito orgulho dele, sempre tive. Temos esperança de evolução. De tempos em tempos, ao lado dele na cama, vemos que as coisas estão a acontecer. Às vezes ele fica mais activo, mexe-se mais e a sua mão treme. Mas será mero reflexo ou algo real? É difícil saber. O mais importante é que ele está a ser acompanhado por excelentes especialistas”, referiu Philippe Bianchi.