Jornal dos Desportos

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Hamilton lidera em Xangai

09 de Abril, 2017

Campeão em título corre pela primeira vitória na presente época

Fotografia: AFP

Lewis Hamilton e Sebastian Vettel protagonizam hoje mais uma batalha na segunda jornada do Mundial de Fórmula 1 que acontece em Xangai, com o Grande Prémio da China. O tricampeão do mundo confirmou ontem o favoritismo e estabeleceu a sexta pole position no circuito chinês perante a força assustadora de Sebastian Vettel no terceiro treino livre.

Tal como na Austrália, o inglês e o alemão voltam a dividir a primeira linha da grelha de partida. A presença de Lewis Hamilton à frente do GP da China tem valor histórico: bateu o recorde da pista ao estabelecer 1min31s678 e está a duas pole position para igualar o recorde do seu ídolo, Ayrton Senna. O jovem inglês tem  63 pole na carreira.

Para celebrar a segunda pole position do ano de 2017, Lewis Hamilton subiu nas grades do pit line e ficou muito perto dos admiradores chineses, num gesto de retribuição do carinho recebido desde que chegou a Xangai. Na segunda linha, Valtteri Bottas parte do terceiro lugar, depois de ter sido apenas 0s001 mais lento que Vettel. O finlandês divide a fila da grelha de partida com Kimi Raikkonen, que não conseguiu ser páreo do seu companheiro de equipa, em Melbourne, na abertura da época.

Com as duas Mercedes intercaladas com as duas Ferrari, o GP de China promete despique na largada. Kimi Raikkonen pretende chegar ao pódio pela primeira vez esta época e Bottas augura superar a classificação anterior. A Mercedes e a Ferrari mais atrasada passam toda a pressão aos dois mais adiantados, o que vai proporcionar boa corrida. Hamilton quer subir ao pódio mais alto e Vettel não quer descer.

Os jogos de bastidores são determinantes para lograr a vitória. A estratégia definida para cada equipa define o resultado final na tabela classificativa.
Mais abaixo da grelha aparecem Daniel Ricciardo que divide a fila com Felipe Massa, da Williams. Nico Hulkenberg levou a Renault a largar ao lado de Sergio Pérez, da Force India. Daniil Kvyat, da Toro Rosso, fecha o top-10 ao lado de Lance Stroll, da Williams.

APROXIMAÇÃO
DA FERRARI

Em ritmo de classificação, Lewis Hamilton ainda tem um certo estofo a zelar na época 2017 do Mundial de F1. O tricampeão mundial da Mercedes alcançou uma marca muito baixa, quando já estava na prática com a pole-position garantida no treino classificativo para o GP da China.

A sequência de poles de Hamilton é tão impressionante que já dura desde 9 de Outubro do ano passado: são seis consecutivas e faz seis meses hoje desde a última vez que largou longe da primeira posição.
 
Em Xangai, Lewis cravou 1min31s863 na primeira tentativa do Q3. O grande rival do ano, Sebastian Vettel, tentou bater o tempo do inglês na segunda passagem pela pista. Falhou. Ainda para assegurar que os ritmos tinham uma diferença, Hamilton melhorou: 1min31s678. Mas eram próximos, como a entrada de Vettel no meio das Flechas Prateadas provou. O próprio tricampeão abordou em seguida, enquanto comemorava a volta \"perfeita\".

\"Tem sido um final de semana interessante. Hoje (ontem) foi um desafio real. Tivemos de compilar muita coisa perdida nos treinos e espero que tenhamos encontrado o equilíbrio correcto. As Ferrari pareceram rápidas\", disse.

Lewis Hamilton disse que sabiam da proximidade da Ferrari e precisavam acertar tudo.

\"Consegui dar-me bem nisso. A última volta não começou boa como a do Q1, mas melhorou. Estou muito feliz, incrivelmente, grato aos esforços da equipa. É mais animador que sempre; estamos realmente na luta com a Ferrari\", disse na conferência de imprensa dos três primeiros colocados.


PROVA DE VITÓRIA
Vettel exalta “carro forte”


Sebastian Vettel assustou a Mercedes, mas não conseguiu colocar-se como mais veloz em Xangai, quando a classificação chegou à sua fase decisiva. Mesmo assim, o alemão tinha um sorriso no rosto ao descer da sua Ferrari no parque fechado. Afinal, a distância para os prateados não foi grande: apenas 0s186 do tempo registado por Lewis Hamilton, o dono da pole-position para a segunda corrida da época 2017 da F1.

O tetra-campeão liderou o treino livre que antecedeu à sessão definitiva. Depois, também se pôs como melhor na primeira parte do treino que definiu as posições de largada, mas viu o colega Kimi Raikkonen voar no Q2. Só que o desempenho não foi suficiente para manter a Ferrari à frente da Mercedes. Nos instantes finais, o inglês foi imbatível. Mas Vettel ficou feliz com a volta que o colocou na primeira fila.

\"Foi sessão muito boa, gostei muito e fiquei feliz com a volta que dei; talvez, na última curva, tenha sido cauteloso demais e travado um pouco cedo\", afirmou o ferrarista, depois que cravou a marca de 1min31s864.

Ainda assim, Vettel não deixou de enaltecer a força da Ferrari.  \"De qualquer forma, teria sido melhor se pudéssemos ter sido um pouco mais rápidos. Estava muito perto de Valtteri (Bottas), mas sou grato pela diferença mínima que nos colocou na primeira fila. O nosso é forte, não importa o que aconteça. Creio que ainda podemos melhorar\", concluiu.


JOGATINA NA MERCEDES
Lauda perde dinheiro para Wolff


A Mercedes viu-se ontem em dia de jogatina em Xangai. Durante o treino classificativo que definiu a grelha de largada para o GP da China, Lewis Hamilton, Valtteri Bottas e Sebastian Vettel tinham uma batalha.

Enquanto tudo acontecia nos boxes da equipa alemã para colocar um dos seus pilotos na liderança, o presidente não-executivo, Niki Lauda, preferia fazer apostas. O pior: contra Hamilton e Bottas. 

Por incrível que pareça, Lauda foi até o director-executivo, Toto Wolff, e propôs uma aposta: ganharia uns trocados caso Sebastian Vettel ficasse com a posição de honra. Wolff aceitou. E ganhou, porque Hamilton ficou com a sexta pole-position consecutiva na F1.

\"Apostei com Toto € 10 no Vettel. mas Lewis, graças a Deus, tirou da cartola uma das suas voltas especiais\", contou Lauda à rede de TV inglesa Sky Sports. sobre a disputa da pole.

Lauda falou mais. Disse que ainda vê a Ferrari em franca evolução.

\"O primeiro problema é que a Ferrari cresceu em Barcelona, ganhou a primeira corrida e ainda está a melhorar.  Então, as coisas estão bem próximas entre nós. No momento, creio que na classificação ainda estamos mais rápidos\", disse. Sem falar sobre a aposta, Wolff corroborou a aproximação entre as duas equipas. Disse que o campeonato deste ano é inteiramente diferente ao do ano passado, quando não havia ameaça real à equipa de Brackley.

Agora há.
\"A diferença entre Seb e Valtteri foi de 5,9 cm! Ferrari e Mercedes estão bem à frente das outras. É completamente diferente do ano passado. Os dois carros estão muito perto um do outro. Para um engenheiro é uma tempestade perfeita\", disse.


RED BULL
Ricciardo celebra quinto lugar


Assim como no GP da Austrália, a Red Bull foi a ‘melhor do resto’ no treino classificativo do GP da China. Mas ainda é pouco: quinto melhor na grelha chinês, Daniel Ricciardo simplesmente se vê incapaz de batalhar com Mercedes e Ferrari.

“Não creio que dava para conseguir algo melhor do que quinto. Olha para a diferença em relação aos líderes e ainda é maior do que gostaríamos.

Quinto lugar é o mais perto que estamos a conseguir e, se chover, espero que dê para se aproximar mais”, resumiu Ricciardo.

Mesmo sem cometer erros graves na sua volta, Ricciardo ficou 0s9 atrás de Kimi Raikkonen, quarto colocado. A diferença para o pole, Lewis Hamilton, é de 1s3. A única boa notícia é que não tem ninguém a ameaçar a Red Bull: a Williams de Felipe Massa, sexto, está a 0s5 atrás.

O prémio de consolação para Ricciardo é saber que o companheiro Max Verstappen não estava por perto para roubar a sexta posição na grelha. O holandês teve problemas de potência, perdeu tempo nos boxes e, com o acidente de Antonio Giovinazzi no fim do Q1, perdeu qualquer oportunidade de ir ao Q2.

“Tivemos problemas no início, não tínhamos potência. Estamos a investigar, mas isso não é o que queremos. Agora, só quero viver a pilotagem e ultrapassar algumas pessoas”, lamentou Verstappen.


PRIMEIRA FILA
Valtteri Bottas lamenta perda


Bem à sua maneira, quietinho, Valtteri Bottas começa bem a sua trajectória como piloto da Mercedes. O finlandês de 27 anos, contratado para substituir o campeão do mundo e aposentado Nico Rosberg, chegou com uma duríssima missão, mas até agora não comprometeu. No treino classificativo que definiu a grelha de largada do GP da China, Bottas ficou muito perto de largar na primeira fila. Muito perto mesmo. Exactamente a 0s001.

No fim do Q3, Bottas cravou 1min31s865. Um tempo que o colocou a 0s187 da marca estabelecida por Lewis Hamilton, que registou o novo recorde do circuito de Xangai. Entretanto, na tentativa derradeira, Sebastian Vettel passou a 1min31s864 e colocou-se entre os dois carros da Mercedes na grelha de largada do GP da China.

Bottas já largou na primeira fila em três oportunidades: nos GPs da Áustria e Alemanha de 2014 e no GP da Rússia do ano passado, todos pela Williams, única equipa que defendeu antes de assinar com a Mercedes.

O finlandês agora quer focar na corrida a acreditar que tem pela frente um grande desafio: lidar com a pressão de uma Ferrari que está cada vez mais forte e com o clima que parece incerto. Há 60 por cento de possibilidade de chuva para o horário da corrida em Xangai.

“É uma grande pena que Sebastian tenha conseguido ficar entre nós, mas a corrida é amanhã. Estamos a largar em primeiro e terceiro e é um bom lugar para começar. O clima pode ser qualquer coisa amanhã. Lewis foi forte, a Ferrari foi forte e estamos à espera de uma corrida apertada”, afirmou Bottas.