Jornal dos Desportos

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Hamilton v ttulo nas mos de Deus

Helder Jeremias - 28 de Maio, 2016

Bicampeo mundial esclareceu que a polmica com Nico Rosberg despoletada no Grande Prmio de Espanha ficou resolvido nos boxes

Fotografia: AFP

A enfrentar um  jejum de vitórias desde o Grande Prémio dos EUA, realizado em Outubro passado, Lewis Hamilton optou por uma abordagem mais religiosa sobre a sua classificação na F1. O bicampeão mundial tem uma desvantagem de 43 pontos em relação a Nico Rosberg na presente época.

“Acordo pronto toda a manhã, mas existe um plano. Deus tem um plano e tenho apenas de seguir o seu caminho e esperar que saia do jeito que quero", disse.

O piloto inglês reconhece que "nem sempre acontece assim". Contudo diz estar "grato" por estar presente em Monte Carlo, onde há "um clima bonito" e só os 22 pilotos podem correr.

"Estou à frente desses 22, então, sou super-abençoado. Por isso, nesse período, apenas conto as minhas bênçãos”, comentou.

No primeiro dia de treinos em Monaco, Daniel Ricciardo comandou os trabalhos com 0s606 de vantagem sobre Lewis Hamilton.

Questionado sobre o significado da liderança rubro-taurina no contexto do fim de semana, Hamilton respondeu: “Não sei o que isso quer dizer, você pode tirar o que quiser disso, mas, com certeza, senti-me bem no carro. Sou super-abençoado por estar aqui e correr na F1. Sei o que posso fazer. E se o carro ficar assim, deve ser capaz de fazer isso”.

RESPEITO
PREVALECE

Lewis Hamilton tratou de colocar um ponto final na polémica que o envolvia no acidente com Nico Rosberg no GP da Espanha. O britânico frisou que o respeito entre a dupla da Mercedes continua presente.

Na curva 3 do circuito catalão, Hamilton e Rosberg tocaram-se e abandonaram a disputa.  O acontecimento ficou registado como o primeiro abandono duplo da Mercedes desde 2012.

Em Monaco, para a prova deste fim de semana, Lewis Hamilton reconheceu que, no passado, a situação teria contornos mais tensos, mas, desta vez, o respeito entre os pilotos prevaleceu.

“Estamos a mostrar o respeito crescente entre nós; conversamos regularmente. No passado, teria havido algum tipo de tensão, mas hoje foi simplesmente respeito puro", disse o inglês.

O campeão de 2015 revelou que cada um reconheceu o respeito que tem pelo outro. Por isso, o incidente "não muda nada" ou a forma como abordam as corridas da equipa.  "Talvez, estejamos apenas a envelhecer. Somos bons nos nossos trabalhos e sabemos disso", comentou.

Além disso, Lewis Hamilton afirmou que a equipa não prolongou o debate sobre o acidente, já que os dois pilotos sabem o que aconteceu.

“Não falamos sobre o acidente. Não precisamos falar sobre isso. Sabemos o que aconteceu, porque estávamos lá e vivenciamos aquilo; sabemos como nos sentimos sobre isso e não somos os seres mais emotivos do planeta que precisam falar sobre essas coisas. Não precisamos disso”, defendeu.


NA MERCEDES
Nico Rosberg garante permanência


O líder da época 2016 do Mundial de F1, Nico Rosberg, é um dos pilotos que não tem o futuro definido, após o término do campeonato. O alemão tem contrato com a Mercedes até o fim deste ano e a situação já acendeu rumores sobre um possível interesse do alemão em deixar Brackley e aportar em Maranello para correr pela Ferrari.

Em entrevista à emissora alemã RTL, Nico Rosberg esfriou os rumores sobre uma eventual saída para a equipa italiana e reforçou a posição de permanecer na Mercedes por mais alguns anos.

"Estou feliz, a Mercedes está feliz comigo. Sem dúvida, ficaria por aqui mais alguns anos”, garantiu Nico.

Nico Rosberg assegurou que a renovação de contrato não é a prioridade nesta altura do campeonato.

"Um novo contrato não é o principal na minha mente no momento. Estou bastante tranquilo sobre isso”, garantiu.

Para ajudar Rosberg a negociar o seu novo contrato com a Mercedes e ter o máximo possível de foco na sua luta pelo título, o seu pai, Keke Rosberg, chamou o amigo e ex-piloto Gerhard Berger para servir como uma espécie de agente. É o austríaco quem vai negociar directamente com a Mercedes a renovação do vínculo de Nico.

Gerhard Berger, um dos grandes amigos de Ayrton Senna na F1, garantiu que a melhor opção para a Mercedes é continuar com Nico Rosberg.

“Recomendaria que renovassem por dois anos. Do contrário, a Mercedes arrisca o Mundial de Construtores e Nico, a sua carreira. Seria um risco para a Mercedes colocar Pascal Wehrlein no seu carro agora ou na próxima época”, afirmou o ex-piloto à revista alemã ‘Auto Bild’.

“Keke pediu-me se poderia conduzir as negociações por ele. Mas isso não acarreta numa colaboração no futuro. É puramente um acto de amizade”, confirmou.

Niki Lauda também confirmou que Berger já trabalha para alcançar a renovação do contrato de Nico Rosberg. Lauda e Berger, além de compatriotas, são velhos conhecidos.

"Falei com ele ontem. Já negociei com Gerhard antes, quando eu estava na Ferrari como conselheiro e ele era piloto. Estou curioso para ver como isso vai desenrolar-se”, finalizou o presidente não-executivo da Mercedes.


NOVO MOTOR
Red Bull festeja
maior potência


A positividade tomou conta da Red Bull. Embalada após o triunfo de Max Verstappen na Espanha, a equipa dos energéticos começou o fim de semana em Monaco em alta, com Daniel Ricciardo a liderar o primeiro dia de treinos com 0s606 de vantagem sobre Lewis Hamilton, o segundo classificado.

O piloto australiano recebeu motor actualizado para este fim de semana. Verstappen só vai ter o novo propulsor no Canadá, mas a performance no primeiro dia no Principado surpreendeu.

O engenheiro-chefe da Red Bull, Paul Monaghan, confirmou que o novo propulsor deve ser até meio segundo mais rápido que o anterior.

“Está correcto em circuitos que são mais sensíveis à potência do motor, mormente, Canadá, Spa, Monza, e menos em pistas que são menos sensíveis à performance do motor, que seria aqui”, explicou.

Questionado sobre a posição que o novo motor pode levar a equipa, Paul Monaghan respondeu que estão sempre a medir em relação aos oponentes.
"Se todos estiverem parados, há uma oportunidade de estarmos bem próximos, talvez até à frente da Ferrari”, disse.

O especialista deixou um aviso: “Levando em conta que não vão ficar parados, é difícil dizer que podemos estar à frente deles, mas é justo dizer que vamos ser mais competitivos, vamos desafiá-los e, se a oportunidade surgir, vamos desafiar a Mercedes também”.

Paul Monaghan ponderou que a maximização da performance do carro está sob controlo e se fizerem isso a posição resultante vai ser uma consequência do ritmo do carro em relação aos rivais.

Manoghan destacou, porém, que a potência do motor não foi a única responsável pela performance de Ricciardo no primeiro dia em Monaco.

“A maior parte deste aumento, certamente nesta pista e a pensar a respeito, naquelas que visitamos até aqui, vieram dos pneus. Estamos dois níveis mais macios do que estávamos no ano passado. Vamos ver alguma melhora a vir disso também”, considerou.

Monaghan também falou sobre a performance de Verstappen no GP da Espanha. O dirigente destacou a maturidade do holandês e avaliou que se adaptou bastante rápido ao carro da Red Bull.

“Impressionante, não é? Max mostrou um grande nível de maturidade, estava muito calmo no carro, nada o agitou, adaptou-se muito rapidamente”, apontou.

A primeira vitória no campeonato resulta de uma bênção de Deus.

“Fomos abençoados com um chassi muito bom neste ano, o que torna tudo mais fácil para aprender talvez algo mais difícil. Max fez um trabalho muito seguro. Foi fantástico”, concluiu.