Jornal dos Desportos

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Hanyu d ouro ao Japo

16 de Fevereiro, 2014

A grande exibio do jovem japons Yuzuru Hanyu teve a mo do tcnico carismtico Brian Orser que levou ao pdio muitos campees

Fotografia: AFP

Três anos depois de ver a casa da sua família destruída por um terramoto, o jovem Yuzuru Hanyu viveu na sexta-feira, em Sochi, momentos totalmente diferentes ao sagrar-se o primeiro japonês campeão olímpico de patinagem.

Aos 19 anos de idade, Yuzuru Hanyu entra para a história dos Jogos Olímpicos de Inverno como o primeiro nipónico campeão de patinagem artística, superando o canadiano Patrick Chan e o cazaque Denis Ten, mesmo depois de registar duas quedas no programa livre.

Hanyu fez melhor que Daisuke Takahashi, em Sochi no sexto lugar, que nos Jogos de Vancouver conquistou a primeira medalha nipónica, de bronze.
A aproveitar a data, Hanyu, que agora  treina no Canadá com o carismático Brian Orser, patinou com o tema musical Romeu e Julieta.

Namami Abi, o antigo treinador e mentor de Yuzuru, tem também todas as razões para sorrir, já que foi ele quem "lapidou" o talento do jovem campeão. Abi obteve medalhas nos Mundiais há dois anos. Ao mesmo tempo, vê o Japão arrecadar mais duas posições de destaque, em quinto e sexto.

No plano oposto à juventude de Yuzuru, sobressai a persistência da veterana bielorrussa Alla Tsuper, de 34 anos, finalmente coroada campeã de salto acrobático (uma das disciplinas de freestyle), na sua quinta participação olímpica. A ucraniana de nascimento, que é olímpica desde 1998, não era favorita e competiu com menos pressão do que o habitual, para se tornar a mais velha campeã de sempre em freestyle. A Bielorrússia terminou na sexta-feira com mais uma medalha de ouro, no biatlo 15 km, femininos, através de Darya Domracheva. Não foi totalmente eficaz no tiro, mas superou bem a concorrência a esquiar, deixando a mais de um minuto e 15 segundos a sua adversária directa, a suíça Selina Gasparin.

Os helvéticos também estão "em grande" nos Jogos de Sochi e juntaram ao pecúlio da potência alpina mais duas medalhas de ouro. Sandro Villeta é o novo campeão de supercombinado de esqui alpino e Dario Cologna ganhou o corta-mato de 15 km (esqui nórdico).

Em Skeleton, Lizzy Yarnold, da Grã-Bretanha, ganhou com uma vantagem de quase um minuto sobre Noelle Pikus-Pace, dos Estados Unidos, e manteve o título da especialidade na posse das inglesas. Com os sucessos de hoje, a Suíça ascendeu ao segundo lugar do quadro de medalhas, com sete de ouro, uma de prata e uma de bronze. Lidera ainda a Alemanha (7/2/1) e depois dos helvéticos aparecem o Canadá (4/5/2), Noruega (4/3/6), Estados Unidos da América (4/3/6) e Holanda (4/3/5).

RUSSA LESIONADA
COM GRAVIDADE


A esquiadora russa Maria Komissarova lesionou-se na sexta-feira na coluna vertebral, com gravidade, durante um treino de ski cross, nos Jogos Olímpicos de Inverno, que decorrem em Sochi, Rússia. A atleta deve ser imediatamente submetida a uma intervenção cirúrgica, devido “a um traumatismo grave”, do qual poucas informações foram dadas, excepto a de que a sua extensão impediu a transferência para Moscovo, segundo as agências noticiosas, que citam um comunicado da federação russa da modalidade.

Maria Komissarova, com 23 anos de idade, foi evacuada de emergência do recinto desportivo para o hospital de Krasnaïa Poliana, construído especialmente para os Jogos Olímpicos, onde  os médicos fizeram os exames necessários e decidiram operá-la imediatamente , refere o comunicado.


DETENÇÃO DE ACTIVISTA

COI iliba autoridades russas por condenação


O Comité Olímpico Internacional (COI), que tinha pedido explicações à Rússia após a condenação de um ecologista que denunciou o impacto ambiental dos Jogos Olímpicos de Sochi, reconheceu na sexta-feira que Yevgeny Vitishko não está relacionado com o evento.

Um tribunal de Krasnodar, capital da região em que se situa Sochi, rejeitou na quarta-feira o recurso de Evgueni Vitishko, geólogo e membro de uma associação regional de defesa do ambiente no Cáucaso do Norte (EWNC).

Vitishko foi condenado a três anos num campo de reclusão por ter feito um buraco na cerca que rodeava, no meio de uma floresta, a residência do governador de Krasnodar, Alexander Tkachev. A ONG considerava que a cerca tinha sido erguida ilegalmente. O COI solicitou depois esclarecimentos às autoridades russas mas clarificou que as respostas que recebeu permitiram ao organismo concluir que a situação de Vitishko não tem qualquer relacionamento com os Jogos de Inverno. “Isso é uma situação que nada tem a ver com os Jogos. Pedimos esclarecimentos e entendemos que esse caso particular não tem qualquer relacionamento com os Jogos Olímpicos de Inverno”, disse Mark Adams, um porta-voz do COI.

Vitishko tinha sido condenado em 2012 a três anos de prisão com pena suspensa, mas a sua pena foi transformada em reclusão no final de 2013, porque a justiça russa considerou que este não cumpriu a obrigação de se apresentar às autoridades.

O ambientalista participou na redacção de um relatório que denunciou o alegado impacto ambiental dos gigantescos trabalhos de preparação dos Jogos de Sochi, um projecto acarinhado pelo presidente russo, Vladimir Putin, e que custou 37 mil milhões de euros (cerca de 4,9 trilhões de kwanzas), valor recorde na história do olimpismo. “Vitishko foi condenado por ter vandalizado uma casa. Por isso, entendemos que a situação não está relacionada com este evento”, concluiu o porta-voz do COI.