Jornal dos Desportos

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Modalidades

Henriques Albano quer ver reorganizado desporto escolar

Gaudncio Hamelay, no Lubango - 09 de Fevereiro, 2019

Fotografia: Dombele Bernardo / Edies Novembro

A reorganização do desporto escolar, para se conseguir alimentar outras paragens da prática desportiva na província, foi defendida ontem, no Lubango, pelo presidente de direcção da Associação Provincial de Basquetebol da Huíla (APBH), Henriques Albano.
O responsável reconheceu que, actualmente. faz-se um desporto escolar com muitas debilidades. Por isso, olha para o desporto na Huíla com muita tristeza.
“É com muita tristeza que olho para o desporto na Huíla, porque não é aquilo que nós mais poderíamos esperar. Dói as vezes falar a verdade. Mas temos que falar, porque nós para falarmos do desporto na Huíla não podemos esquecer o ABC do próprio desporto”, disse.
Henriques Albano salientou, que quando se fala do ABC do próprio desporto, independentemente de tudo, não podemos deixar de falar do desporto na escola. Destacou que o desporto na escola é que alavanca a prática desportiva para outras pirâmides. “Isto significa para outros tipos de escalões. Se notarmos, é o desporto escolar que vai alimentar, quer direita ou indirectamente, o desporto de alto rendimento. E quando nós temos um desporto escolar logo de princípio com sua base toda ela devidamente identificada, significa que não só vamos ter um desportista, mas também vamos formar outros elementos ligados ao desporto como dirigentes, árbitros, juízes, entre outros”, descreveu.
O dirigente associativo lembrou, com muita tristeza, que outrora havia de facto um desporto escolar que dava nas vistas. Adiantou que qualquer criança inspirava-se numa determinada modalidade, mas através do desporto escolar.  
“Dizer que temos que reorganizar o desporto escolar, para conseguirmos alimentar outras paragens do desporto, isto no seu completo. Por exemplo, eu pessoalmente vi, pela primeira vez, uma bola de andebol, de basquetebol e voleibol na escola. E quando isso não acontece, nos dias de hoje, é um pouco triste. Fizemos um desporto escolar com muita debilidade”, frisou.
 Citou como exemplo, que hoje os nossos filhos não conseguem falar do voleibol condignamente e nem de andebol, entre outras modalidades, porque há debilidades. “Temos que ser realistas em dizer que não há um desporto na escola que pode dar o ABC. Não é preciso fazermos com que a criança saia da escola como um craque. Mas dar luzes do ABC do próprio desporto. E é necessário que as coisas funcionem”, apontou.
Henriques Albano asseverou que essa responsabilidade é do Estado, acrescentando que “é aí onde o Estado tem que investir”, para que o desporto, na sua essência, tenha uma grande vantagem.
“O desporto de rendimento é outro caso e outra responsabilidade. Então o ABC do desporto tem que ser alimentado dentro do desporto escolar”, defendeu o dirigente.


Na Huíla 
Dirigente defende profissionalização

O secretário-geral da Associação Provincial de Voleibol da Huíla (APVH), António Quilala, afirmou ontem, no Lubango, que hoje em dia se quisermos ter um desporto desenvolvido e consentâneo com as bases, tem que se profissionalizar  em todas suas esferas.
“Isto não é uma mera conversa, porque a base do desporto está na educação física. Não porque isto é uma realidade e científico”, assegurou.
Sustentou que se nós quisermos remeter um pouco a história das várias modalidades desportivas, elas sempre desenvolveram-se na escola e não em nenhum clube.
“Não quero com isso desprezar o papel que os clubes têm. Que é um papel extremamente fundamental. Mas tudo começa pela base. Então, se tivermos uma educação física organizada de A-Z, vamos ter um desporto escolar organizado de A-Z. Se tivermos um desporto escolar organizado, vamos passar para outros patamares da pirâmide do desenvolvimento do desporto, que seriam as selecções municipais e essas selecções municipais dariam corpo as selecções provinciais. As selecções provinciais as nacionais”, indicou.
António Quilala fundamentou, que assim chegamos no pico do desenvolvimento do desporto. Acrescentou que se nós quisermos que o nosso desporto se desenvolva, não devemos queimar etapas, mas sim cumpri-las.
O dirigente defende, que para se poder cumprir essas etapas, é preciso que existam pressupostos, mormente recursos humanos, material didáctico, infra-estruturas e material desportivo.
Mencionou que, se de facto, não existirem essas componentes, podemos falar várias vezes em desenvolvimento do desporto e não vamos chegar a lado nenhum.
 “Digo isso, porque as coisas estão aí a vista. É preciso haver vontade de quem de direito, para que se desenvolva o desporto”, confirmou.