Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Homens aquecem punhos no Lubango

GUD?NCIO HAMELAY no Lubango - 30 de Abril, 2017

Pugilistas angolanos estiveram em grande no primeiro dia de competição

Fotografia: Arão Martins

Com a integração de nove atletas zimbabweanos,  masculinos e femininas, aumentou o número de combates e consequentemente de países (três), para permitir outro nível competitivo à prova, com vista à preparação para o Campeonato Africano de Boxe que se disputa na República do Congo Brazzaville.

Na abertura, a Selecção Nacional de boxe em sénior masculino entrou bem na disputa do Campeonato Africano de Boxe da Zona IV, triunfou nos três combates inaugurais nas categorias dos 49, 56 e 75 quilogramas, diante dos pugilistas sul-africanos.

Deste modo, na categoria dos 49kg, o pugilista angolano Miguel Kembo impôs a sua supremacia ao derrotar o sul-africano, Siyabulela Mpongose, por dois pontos a um. Nos 56 kg, Kilombo Massala venceu o seu adversário, Mzwabantu Mbexeshi, pelo mesmo resultado. Na categoria dos 75kg, Raimundo Vidal, suplantou sem piedade o sul-africano  Augustino Kok, por 3-0, num combate vivamente ovacionado pelo público presente.

Noutro combate do dia, o atleta angolano, Naftali Goma, foi infeliz ao perder na categoria dos 64 kg frente o sul-africano Sinethemba Blon, por 1-2.

Apesar da boa exibição protagonizada pelo pugilista angolana durante os três rounds cronometrados em três minutos cada, os árbitros atribuíram vitória ao pugilista forasteiro.

Em face disso, por altura da divulgação do resultado, o público e a equipa técnica da Selecção Nacional contestaram a decisão tomada. O sector feminino, averbou derrota na sua estreia, em competições internacionais. Assim, a atleta angolana Nadine Mbaki, perdeu diante da sul-africana Zanele Kebeni, por 1-2.

 O capitão da Selecção Nacional, Raimundo Vidal, da categoria dos 75kg, considerou o combate difícil, mas justificou que se preparou bem, porque sabia de antemão acerca do clima do Lubango.

Apesar de reconhecer as potencialidades dos pugilistas sul-africanos, espera somar vitórias nos próximos combates, porque no primeiro combate, deu para abrir a caixa e acredita que noutras pelejas, possa estar ainda melhor.

 “Trabalhamos todos em conjunto, e eu na qualidade de capitão da equipa nacional com várias participações em competições internacionais, passei a mensagem a cada um dos meus colegas,  uns são novos, embora tenham já um traquejo, relativamente a atitude tomar quando entram em provas desse género”, declarou.

 Raimundo Vidal, lamentou o facto da competição africana registar fraca participação de países. “Também fiquei desmoralizado, esperava por mais aderência da parte de outras selecções. Mas não sei quais os motivos, que fizeram com que as selecções de outros países não comparecessem. Assim, estamos a competir com os pugilistas da África do Sul. Por isso, vamos esperar por outros combates subsequentes, e alcançar resultados positivos”, garantiu.

O seleccionador nacional de boxe,  sénior masculino, Enrique Carrión, disse estar contente com o trabalho feito, e o desempenho dos pugilistas, na primeira prestação em combate.

De acordo com o técnico, espera que as vitórias alcançadas nos combates inaugurais, sirvam de incentivo, e encorajamento aos demais atletas da Selecção Nacional. “Com a motivação dos atletas, por combater em casa, acredito que os pugilistas vão fazer melhores pelejas, daqui em diante”, destacou Enrique Carrión.

Ontem, disputou-se cinco combates nas categorias de 52, 60, 69, 81 e 91 kgs. Deste modo, no primeiro combate do dia, nos 52 kg, o angolano Evanilson Rocha defrontou o sul-africano Bongani Noncele, nos 60 kg, Francisco Gomes enfrentou o sul-africano Asanda Gingoi. Nos 69 kg, o pugilista nacional Pamelo Nsioma lutou com Shervantaigh Kooppman (sul-africano), nos 81 kg Hmenayami Mbambi (Angola) com Luvuyo Sizani (sul-africano). Ao fechar os combates do dia, os atletas angolanos Carlos Macias e Ferdinando Pedro, lutaram entre si na categoria dos 91kg.


 CONTESTAÇÃO
Seleccionador lamenta actuação da arbitragem


 O seleccionador nacional de boxe sénior masculino, Enrique Carrión, manifestou-se  desapontado com a atitude dos árbitros, que atribuíram vitória ao atleta sul-africano, Sinethemba Blom, no combate dos 64 kg, frente ao pugilista angolano Neftal Goma.

 Enrique Carrión admitiu que o combate entre Neftal Goma e o sul-africano Sinethemba Blom, o atleta angolano foi superior em relação ao adversário, “mas os árbitros averbaram uma derrota ao nosso pugilista, por 1-2”.

Explicou que Neftal Goma foi superior em todos os aspectos, “mas são decisões, que infelizmente ocorrem neste tipo de competições, e temos de nos conformar com esse resultado”, lamentou o seleccionador nacional.

 Acrescentou não ter visto perder nenhum dos seus atletas, inclusive, a pugilista angolana Nadine Mbaki que combateu com a sul-africana Zanele Kebeni, na categoria dos 60 kg.

 Nadine Mbaki, esclareceu Enrique Carrión, fez a primeira estreia em competições internacionais,  revelou que tem menos de 10 combates durante a carreira desportiva.

 “Acompanhei durante o combate o seu desempenho. Entregou-se ao máximo, mas infelizmente os árbitros entenderam atribuir uma derrota, por 1-2. Quem assistiu o combate, viu que a nossa atleta foi melhor que a sul-africana”, criticou.



DESEMPENHO
Carlos Luís confiante na conquista do título


O presidente da Federação Angolana de Boxe (FABOXE), Carlos Luís, revelou que Angola  anda à procura do título do primeiro lugar do Campeonato Aafricano da modalidade da região IV, desde 2014.

 Carlos Luís também lamentou o sucedido num dos combates inaugurais devido a má actuação da equipa de arbitragem, composta maioritariamente por sul-africanos, acredita na conquista do título do zonal IV.

  “Infelizmente, não foi possível conquistar o título do zonal IV, pelos factos que acabaram de acompanhar, o combate de Neftal Goma, nos 64 kg,  em que o pugilista venceu todos os rounds. Mas a maioria dos juízes eram sul-africanos, atribuíram vitória ao pugilista sul-africano. Eu quero dizer aqui, que se esses combates fossem realizados fora do país, nenhum angolano teria ganho”, queixou-se.

 Carlos Luís avançou , “é assim que nós somos prejudicados, quando participamos em eventos lá fora. Por isso, é assim que não conseguimos o título”, aclarou.

 O dirigente federativo afirmou que por esta razão, trouxeram a prova para o país, para provar ao povo angolano e a todos aqueles que ainda não acreditaram no desenvolvimento do boxe, que a modalidade está em bom caminho.

 “E, estou sempre convencido, que era possível organizarmos esta prova, não obstante a desistência de alguns países, na qual nós Federação vamos pedir desculpas, pelo esforço que os atletas fizeram, pelas diligências que essas federações fizeram, e não obtiveram os vistos ou obtiveram depois do momento da partida dos voos que tinham de aterrar em Luanda, nos dias previstos. Nós Federação, vamos fazer tudo para pedir desculpas”, frisou.

 Carlos Luís também pediu desculpas à Confederação Africana de Boxe, porque houve países que estavam interessados em participar no campenato, como  prova de preparação dos seus pugilistas.

 Acrescentou que a adesão seria grande, e seria um campeonato muito bem disputado. Todavia,  a antecipação da data da realização do Campeonato Africano do Congo Brazzaville, prejudicou certamente a vinda de outros países interessados, não obstante  encontrarem  dificuldades na obtenção de vistos de entrada no nosso país.

Destacou que o boxe angolano, nos dias de hoje, está a evoluir. Como prova disso, Carlos Luís apontou não ser muitas vezes, que Angola ganhe numa noite 4 combates consecutivos ,“com mais um, que deveríamos merecer”.

Ressaltou que “não é sempre que os atletas angolanos vencem todos os rounds claramente. E, então, estamos satisfeitos, e vamos ficar mais satisfeitos se a partir daqui, o boxe da Huíla ultrapasse os níveis de desenvolvimento que já atingiu no passado”, defendeu.


PARTICIPAÇÃO
FABOXE confirma 
presença de mais países


A chegada a Luanda, da selecção de boxe do Zimbabwe, foi confirmada ontem no Lubango, pelo presidente da Federação Angolana da modalidade, Carlos Luís, e assegurou  o desembarcar na capital huilana, na noite de ontem (sábado).

 “Não está fora de hipótese, a chegada de mais um outro país, nesta competição. Estamos a aguardar pela selecção do Zimbabwe, que já está em Luanda, onde temos o nosso secretário-geral, o chefe de departamento das selecções nacionais e outros membros, como o director técnico, que aguardam  a qualquer altura pelo Zimbabwe, e o vice-presidente deslocou-se na tarde de sexta-feira para fronteira da Namíbia, na expectativa de recebermos a selecção namibiana”, confirmou.

 Carlos Luís informou existir um ou outro país, com a intenção de chegar a cidade do Lubango, para ser incluído na prova e acrescentou, que o interesse é que cada um dos atletas tenha a oportunidade de combater, e poder representar o seu país condignamente, no Campeonato Africano do Congo Brazzaville.

O presidente realçou que Angola tinham um objectivo,  fazer deste campeonato uma das melhores provas já realizadas, aqui na zona IV.