Jornal dos Desportos

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Modalidades

Hóquei bieno à espera de melhorias

Sérgio V. Dias e J. Constantino no Cuito - 02 de Dezembro, 2013

Organização do mundial por Angola impulsionou a prática da modalidade mas a falta de apoios financeiras tem dificultado a massificação

Fotografia: Jornal dos Desportos

O país apesar de ser uma potência no hóquei em patins no continente e afirmar-se, no contexto mundial, o quadro da modalidade é menos bom no Bié. A modalidade, com estatuto mundialista no país clama por melhorias nas paragens do Planalto Central. Com efeito, a 41ª edição do Campeonato do Mundo da modalidade, que confirmou a Espanha como campeã pela quinta vez consecutiva e consequentemente a 16ª nesta grande montra, passou para a história faz já algum tempo, mas ficam os seus registos.

 Várias entidades a nível do Bié entre governantes e dirigentes do associativismo desportivo, recordam, ainda, os grandes benefícios que país obteve com o evento de dimensão mundial que pela primeira chegou à África.O vice-governador do Bié para a Área dos Serviços Técnicos e Infra-estruturas, José Fernando Tchatuvela disse à nossa reportagem, que foi «um grande ganho» a organização do Mundial de Hóquei em Patins por Angola.

O governante apontou o carácter especial que teve a organização deste evento no país, por ser o primeiro do género no continente, o empenho do Executivo angolano, bem como da própria Federação da modalidade, para que a prova fosse um sucesso. Para José Tchatuvela, além da boa vontade das autoridades angolanas na organização desse Campeonato do Mundo, saltou igualmente à vista os ganhos no capítulo de infra-estruturas que projectam o desporto angolano para altos patamares.

O secretário provincial do Movimento Nacional Espontâneo (MNE) no Bié, Domingos Óscar Costa Pascoal realça, à semelhança do vice-governador José Fernando Tchatuteva, que a organização do Mundial traduziu inúmeros ganhos para o país. De acordo com o também director provincial da Hotelaria e Turismo do Bié, «só pelo facto ter sido agraciada com a organização do Mundial de Hóquei em Patins, Angola obteve já uma grande vitória».

Domingos Pascoal lembrou, por outro lado, que o Mundial deste ano confirmou a prova que Angola já deu em termos de capacidade de organização de eventos. «Além deste Mundial, o Afrobasket de 1999 e o Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2010 são provas evidentes da capacidade demonstrada por Angola em organização de eventos», disse Domingos Pascoal.

Os benefícios da organização do Mundial de Hóquei em Patins não se circunscrevem apenas às infra-estruturas, segundo Fernando Cristóvão Diniz, coordenador do Núcleo Provincial da modalidade no Bié. Fernando Cristóvão Diniz manifestou a crença no contacto mantido com o Jornal dos Desportos. «A realização do Campeonato do Mundo, de certo modo, pode ajudar a promover o hóquei em patins em Angola, se tivermos em conta que a prática da modalidade restringe-se a poucas províncias do país», disse.

Vale lembrar que além de Angola, na qualidade de anfitriã, e a Espanha, de campeã em título, desfilaram também nesta prova as selecções de Brasil, Áustria, Suíça, Argentina, Uruguai, França, Alemanha, Portugal, Chile, África do Sul, Moçambique, Itália, Colômbia e Estados Unidos da América.

Hóquei em patins
1º de Agosto fica pelo caminho


A eliminação da equipa do 1º de Agosto, terceiro classificado do último campeonato nacional, é o destaque da primeira fase da Taça de Angola em hóquei em patins, cuja segunda mão disputou-se no sábado. Depois do empate a dois golos na primeira-mão, os militares comandados por António Gaspar não tiveram forças para conter a motivada equipa da Académica de Luanda, que ainda festeja a conquista do campeonato nacional.

No derradeiro jogo veio a superioridade dos estudantes, sob comando do jogador e treinador Jurandir Silva, venceram por 5-3, perfizeram 7-5 no cômputo da eliminatória. A eliminação da equipa agostina, que era uma das favoritas à conquista do ceptro reduz para três, os que têm possibilidades reais. A disputa está resumida ao Petro de Luanda e aos finalistas do campeonato nacional, Juventude de Viana e Académica de Luanda.

Embora se tenha em linha de conta a imprevisibilidade dos jogos da Taça de Angola, é pouco crível, que o Hóquei 2000 siga em frente após eliminar o Hóquei Clube do Lobito. O misto do Namibe e o Kabuscorp transitaram para esta fase após vitórias administrativas sobre o Codefa e o Benfica de Luanda, tenham garras para disfrutarem algum favoritismo. A segunda fase da Taça de Angola vai ser sorteada hoje, na sede da Federação e começa a ser jogada amanhã.

A ambição por uma renhida repetição anima a equipa da Académica, enquanto ao Petro de Luanda e Juventude de Viana motiva a necessidade de salvar a época. O título da Taça está em posse do Juventude de Viana        
SILVA CACUTI

Nos últimos tempos
Província do Bié perdeu mística

 Fernando Cristóvão Diniz, coordenador do Núcleo Provincial que superintende o hóquei em patins no Bié recorda os tempos, em que a região era de excelência desta modalidade em Angola, é uma potência no contexto africano. «O percurso glorioso do hóquei no bieno foi interrompido pela guerra, após as eleições legislativas de 2002. De lá para cá a modalidade decaiu na nossa província e encetamos esse trabalho de massificação», disse.
A Lei do Mecenato que está na forja é apontada por alguns entendidos na matéria, como Anastácio Severino Sambowe, o «homem forte» do desporto bieno, como uma possível solução da crise que sector desportivo enfrenta.

O número «um» do Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD) no Bié sublinha mesmo, haver ainda muita coisa por fazer a nível do sector.
Não obstante o quadro menos bom do sector, ainda assim deve relevar-se algumas acções que ocorrem aqui e acolá, na perspectiva de mudar o actual rumo dos acontecimentos das diferentes disciplinas desportivas, com inclusão do hóquei em patins.

Na época de glória do hóquei recorda-se, pontificavam duas equipas no Bié, os Dínamos do Cunje e Sporting do Bié, que faziam furor em vários campos do país.Em todo este processo de massificação, destaca-se o empenho pessoal de Diogo Quessongo, ex-praticante, que conduziu o processo desencadeado pela equipa leonina. O Victória Atlético Clube é outra agremiação desportiva, que enceta também passos rumo à massificação do hóquei em patins e que num futuro os frutos hão-de surgir.