Jornal dos Desportos

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Modalidades

Huíla aposta no fundo e meio fundo

11 de Março, 2017

Projecto de massificação Okuhateka é liderado pela antiga fundista Ana Isabel

Fotografia: Nuno Flash

A província da Huíla aposta fortemente no trabalho de formação de novos talentos, em ambos os sexos, na especialidade de fundo e meio fundo, para granjear o estatuto de uma das potências na modalidade de atletismo à nível do país,  vencer em provas nacionais assim como internacionais.

Deste modo, os conceituados fundistas internacionais, João Ntyamba, José Lourenço, João Carvalho, Eugénio Katombi, Lázaro João, Tchingui Teles, Manuel António e Francisco Caluvi, em masculino, assim como Ana Isabel, Rosa Tomás, em feminino, entre outras vedetas, estão a  servir de fontes de inspiração às novas gerações praticantes do atletismo na Huíla.

O projecto de massificação Okuhateka, liderado pela antiga fundista Ana Isabel, o Clube de Treinos Manuel Jamba Sports, a Escola Baptista, o Interclube da Huíla, Benfica Petróleos do Lubango e o Clube Desportivo da Huíla, estão engajados nesta árdua tarefa de massificar a modalidade, nas terras altas da Chelas.

Eduardo Samuel José, chefe de Departamento da Política Desportiva da Direcção Provincial da Juventude e Desportos da Huíla, destacou que foi um grande orgulho para os desportistas e não só, a edição passada da corrida de fim-de-ano, São Silvestre, ganha por um corredor huilano.

Sublinhou, que a vitória do fundista Francisco Caluvi, na São Silvestre de 2016, não constitui novidade porque a Huíla sempre esteve no topo.

“ João Ntyamba e Ana Isabel já mostraram isso, uma vez. E, em 2016, Francisco Caluvi também mostrou que a Huíla é uma potência no atletismo, a nível do país. Agora, temos de apostar nesses atletas, que na realidade levantam a nossa bandeira a nível nacional. E, temos de promover a nova geração para o futuro de outras especialidades, como, lançamento de dardo, saltos, velocidade, estafeta, a Huíla é capaz de ter estas especialidades em termos de atletismo”, destacou.

Nesta perspectiva, o chefe de Departamento da Política Desportiva da Direcção Provincial da Juventude e Desportos da Huíla, apelou à classe empresarial para apoiar a modalidade, para que a província atinja outras vitórias de relevo, à nível nacional e internacional. Acrescentou que o atletismo a nível empresarial é a modalidade mais simples, que não requer muitos gastos em recursos financeiros, comparativamente, ao patrocínio de uma equipa de futebol.

“No atletismo, se tivermos por exemplo três atletas masculinos, e igual número em feminino, podem representar na totalidade uma província ou o país. Então, se apostar no atletismo com o mínimo que os empresários tenham, acredito que em termos do desporto na Huíla estar sempre no auge”, defendeu.

Ana Isabel, presidente da Associação Provincial de Atletismo da Huíla  (APAH), afirmou que o triunfo de Francisco Caluvi na edição da corrida da São Silvestre de 2016, em Luanda, constituiu uma inspiração para futuras vitórias dos atletas huilanas.

Explicou que por este motivo, o órgão reitor da modalidade na província, está a trabalhar para que nos próximos anos consiga somar vitórias, na São Silvestre de Luanda.

 “Sonhar não é proibido. Por isso, nós estamos a trabalhar. É só dar mais tempo para ver se  formamos outro Francisco Caluvi, Ana Isabel, João Ntyamba, João Carvalho, João Lourenço, entre outros. Estamos aqui de mãos dadas com a associação, dirigentes, empresários, imprensa, para encontrar uma solução para formar outros campeões. Queremos continuar a dignificar a própria província”,garantiu.

Ana Isabel indicou que matéria humana na Huíla existe, porém, a Associação debate-se com dificuldades da falta de meio de transporte e de material desportivo. “ Matéria humana, existe. Imagina ter matéria humana  sem material desportivo, não estamos a fazer absolutamente nada. Daí, que apelo a quem de direito, a procurar formas de nos patrocinar com material desportivo”, implorou.

Ana Isabel reconheceu que o Francisco Caluvi é um atleta que representa o Interclube e a Associação de Luanda, mas foi formado na província da Huíla. Sustentou que o facto de ter triunfado na edição passada da São Silvestre, constitui um grande orgulho por ser a Huíla que sai a ganhar, em termos de projecção desportiva.

Para o coordenador do Conselho de Juízes e Cronometristas da Associação de atletismo local, José Pedro, a província da Huíla é o viveiro da modalidade, e continua a dar  frutos. “Sei, que ainda teremos muito mais vitórias, na corrida de fim-de-ano, de Luanda. Para nós, a vitória de Francisco Caluvi, na edição passada é algo que dignifica a província da Huíla”, manifestou.

Para que haja mais outros campeões, com o “quilate” de Francisco Caluvi, defendeu José Pedro, é necessário que haja um esforço de toda a sociedade, e reconheceu que mesmo os treinadores em pequeno número, fazem um trabalho de louvar. “E, aí vão as minhas felicitações, porque sem os esforços desses treinadores sacrificados, a Huíla não ostentava o estatuto de província viveiro de atletismo”, realçou José.