Jornal dos Desportos

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Modalidades

Huíla vai ter tartan

Gaudêncio Hamelay , No Lubango - 22 de Outubro, 2016

Candidatos da lista C apresentaram candidatura no Lubango

Fotografia: Dombele Bernardo

A carência de tartan tem dias contados na província da Huíla. Os tempos de sofrimento chegaram ao fim e os velocistas locais vão beneficiar do "tapete" no primeiro ano de mandato de Bernardo António João, caso ganhe as eleições na Federação Angolana de Atletismo, marcado para o dia 8 de Novembro, visando o ciclo 2016-2020. A promessa de instalação do tartan foi feita durante a apresentação da candidatura, na cidade de Lubango, na última quarta-feira.

Perante os representantes da Associação provincial e de clubes huilanos, o líder da lista C garantiu que a aquisição do tartan conta com apoio de uma empresa patrocinadora. Para além da Huíla, uma segunda província também vai beneficiar do equipamento.

"Temos a promessa do nosso patrocinador para brindar-nos com duas pistas de tartan, das quais uma vai ser instalada na Huíla", prometeu.

Bernardo António João esclareceu que a Huila consta do programa de acção como "o principal pólo de desenvolvimento de atletismo" no país. Por essa razão, "a responsabilidade com a província é acrescida por dispor de muitos talentos na forja".

A transformação da Huíla no principal pólo de desenvolvimento é justificada também pela aproximação com as províncias do Namibe, Cunene, Cuando Cubango, Bié e Huíla, que ostentam muitos talentos das especialidades de fundo e meio fundo da região Sul.

A aposta de Bernardo António João vai cingir-se apenas na formação das duas especialidades por a Huíla dispor de boas qualidades atléticas. Por esse motivo, "queremos responsabilizar a Associação local para este tipo de acção".

Quanto à lista de consenso, Bernardo António João esclareceu que a degradação crescente e gritante do atletismo preocupa quem ama a modalidade e urge a necessidade do resgate da mística.

"O atletismo está avariado. Os nossos resultados actuais nunca as tivemos em momento algum. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro'2016, tivemos uma imagem muito triste. Em masculino, as marcas obtidas não fazem fé às nossas pretensões como antigo praticante e homens ligados à modalidade", justificou.

Para inverter a realidade, o líder da lista C assegurou a formação contínua de treinadores e de atletas por não haver no país especialistas com qualidades necessárias. Essa é a razão do "divórcio" dos antigos praticantes.

"Nas nossas linhas de força constam a união da família para resgatar o atletismo. Queremos maior aproximação com as Associações, clubes e outros agentes por serem actores directos do atletismo. Percebemos e sentimos a necessidade de imprimir uma nova dinâmica", disse.

O antigo lançador e recordista nacional sustentou que conta com especialistas credenciados para darem formação de treinadores. Um protocolo com o Instituto de Educação Física e Desportos pode ser assinado. A equipa de Bernardo António João pretende inserir os professores no programa de desenvolvimento do atletismo nas escolas (do primeiro e secundo ciclos e Institutos).

"Fui um diamante lapidado na escola que se tornou campeão e recordista nacional. Portanto, a minha experiência serve para aproveitar essa franja de tenra idade que está fora do atletismo". exemplificou.

JOÃO NTYAMBA
RELATA DECLÍNIO


O candidato à vice-presidência da Federação Angolana de Atletismo pela lista C, João Ntyamba, reafirmou que "o atletismo nacional está de rastos" por inexistência de perspectivas de quem dirige a modalidade no país.

“Não existe e nem se faz sentir o atletismo em Angola. A modalidade está de rasto. Como homens do atletismo, sentimo-nos muito tristes e a nossa lista de consenso é uma vantagem para que o desporto tenha vida ou venha a ser o de ontem”, apontou.

João Ntyamba justificou que integrou a lista de consenso por se rever na família do atletismo e quer contribuir na inversão do actual quadro. Apelou aos ex-praticantes a contribuírem em prol do atletismo e o momento ideal é agora para que as novas gerações dêem outra lufada de ar fresco.

“Não só corremos, mas podemos ser bons gestores, treinadores, monitores, juízes e cronometristas para a melhoria do atletismo”, sublinhou.



PROVA PROVINCIAL
Corta mato
desbrava Kuwa



Os campeonatos provinciais da Huíla de corta mato nos escalões de iniciação, juvenis, juniores e seniores arrancam hoje, na cidade do Lubango, a partir das 7h00, com a disputa da primeira jornada. Cem atletas movimentam o evento com espírito centrado no lugar de honra do pódio.

O corta mato compreende sete jornadas e conta com a participação de atletas do Interclube da Huíla, Clube Desportivo da Huíla, Benfica do Lubango, Ferroviário da Huíla, Clube de Treinamento Manuel Jamba Sports, Projecto Okuhateka, 1º de Agosto, Inter Clube de Angola e Petro de Luanda.
Para além da prova de oito quilómetros, estão contempladas as de um, dois e quatro quilómetros. A abertura do evento acontece na zona de Kuwa, arredores da nova centralidade da cidade de Lubango.

Em declarações ao Jornal dos Desportos, a presidente da Associação local da modalidade, Ana Isabel, referiu ontem que a organização criou as condições técnicas e administrativas. O asseguramento, assistência médica e medicamentosa estão garantidos.

A realização do corta mato serve de antecâmara, no quadro de preparação dos atletas, para a maior competição de estrada em Angola, a São Silvestre de Luanda, que ocorre no último dia do ano, segundo Ana Isabel. As equipas técnicas vão aferir os níveis competitivos para reprogramar as sessões de preparação.

Quanto aos programas de acção apresentados por Bernardo João e Carlos Rosa, Ana Isabel disse que apoia os projectos que visam melhorar a modalidade. A verdade é que "o atletismo está mal no país".

"Queremos ver melhorado em todos os aspectos a partir das camadas jovens até os seniores. E quem tem de fazer este esforço é a Federação. As associações e as direcções provinciais dos Desportos não têm competência para resolver essa situação. Se estão a lutar pelo cargo na Federação, então os candidatos têm de resolver os problemas do atletismo”, manifestou.
GAUDÊNCIO HAMELAY, NO LUBANGO