Jornal dos Desportos

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Igor Silva mais perto do título

Álvaro Alexandre, em Caxito - 17 de Outubro, 2015

Igor Silva e Benfica de Luanda podem ser coroados como os primeiros vencedores da primeira edição da prova mais importante do calendário da Federação Angolana de Ciclismo

Fotografia: Jornal dos Desportos

A surpresa do dia chegou da equipa Santos Futebol Clube. Osvaldo Jacinto foi o mais rápido aos sprints e conquistou ontem a vitória da nona etapa da Volta a Angola em bicicleta, que se disputou entre a localidade de Quibaxe e a cidade de Caxito, capital da província do Bengo. O percurso de 98 quilómetros foi dominado em 3h35min37s.

Cansado de assistir aos jogos entre Benfica de Luanda e Défense de França, Osvaldo Jacinto imprimiu uma estratégia que deu alegria à equipa da Samba. Revestido de força e inteligência, o vencedor resistiu as intempéries do percurso. Com sorriso aos lábios, o atleta do Santos Futebol Clube silenciou as principais estrelas e candidatas ao título. O camisola amarela da competição, Igor Silva, foi relegado à terceira posição com o mesmo tempo do vencedor. No top-5, o líder da competição angolana é o único atleta do Benfica de Luanda.

Na segunda posição, os franceses não desarmam. Noel Richet, do Clubs de la Défense de França, voltou a superar o camisola amarela e encurtou a distância na tabela de classificação. Medric Clain, outro francês, posicionou-se na quarta posição. O quinto lugar foi atribuído a Lucas Camilo, do Jair Transportes de Benguela.

Com a vitória, a estatueta do mapa de Angola, em que se contorna todo o percurso da competição, vai fazer morada na galeria do Santos Futebol de Angola, como um dos primeiros classificados da Volta a Angola. A equipa da Samba torna-se na terceira a subir ao pódio mais alto da competição, depois do Benfica de Luanda e Défense de França.

A vitória de Osvaldo Jacinto não deixou de pintar alguns percalços. Como estava previsto, a organização da Volta a Angola teve de encurtar a prova, de 123 Km para 98 Km, para evitar situações dolorosas. A má condição técnica da estrada está na base da medida. Ontem, o troço entre Quibaxe e Caxito registou acidentes graves a ciclistas.

O corpo de Bombeiros foi forçado a intervir em acidentes que envolveram oito ciclistas. Os mais graves atingiram o moçambicano Miguel Duarte, o santomense Sílvio Aguiar e o angolano da Cuca Nocebo do Huambo, Betilson Jeobani.

Na classificação geral da nona etapa, Osvaldo Jacinto (Santos Futebol Clube) cortou à meta à frente de Noel Richet (Clubs de la Défense de França), Igor Silva (Benfica de Luanda), Medric Clain (Clubes de la Défense de França) e Lucas Camilo (Jair Transportes de Benguela).

Na distribuição de camisolas, após nove etapas disputadas, Igor Silva continua a vestir a camisola amarela; o francês Noel Richet (verde escura); Cruz Tuto (bolinhas); Dário António (branca); Bruno Araújo (Verde Alface) e Lucas Camilo (Angola 40 anos).

Volta a Angola
encerra no Kilamba


A última etapa da Volta a Angola em bicicleta termina hoje, às 15h30, na centralidade de Kilamba, depois de cumprir os últimos 54 quilómetros, no percurso entre Caxito e Luanda. Inserida nas festividades do 40 anos da proclamação da independência nacional, a serem assinalados a 11 de Novembro próximo, o tiro de largada está prevista para as 13h00 defronte à Administração de Caxito.

 Igor Silva e Benfica de Luanda podem ser coroados como os primeiros vencedores da primeira edição da prova mais importante do calendário da Federação Angolana de Ciclismo. O camisola amarela não arreda o pé dos pedais e o tempo que o separa do segundo concorrente é grande. Mas o angolano tem a forte concorrência de franceses e congoleses democráticos que já deram as provas de serem "donos" de percursos planos.

Durante 11 dias, os 85 ciclistas completam um percurso de 1156,8 quilómetros, tornando na Volta a Angola numa competição de nível dois mundial.

Depois do tiro de largada a 7 de Outubro, na cidade de Cuito, província do Bié, os ciclistas desfrutaram de belezas naturais e do carinho das populações nas províncias de Huambo, Benguela, Cuanza Sul, Cuanza Norte, Malanje, Uige e Bengo. O apreço da "gente da nossa terra" fica assim registado nos anais da história da Volta a Angola.

Restam por concluir 85 quilómetros que retratam a história de Angola no Caxito, Porto Quipiri, desvio do Dande, Panguila, Posto Policial de Cacuaco, Ponte do Cacuaco, Via Expresso, Viana, Centralidade do Zango e do Kilamba.

Com olhos no título, o bloco de frente vai ser preenchido pelo Benfica de Luanda, Clubs de la Défense de França e Selecção da República Democrática do Congo. O maior desafio para as duas equipas estrangeiras vai ser "vencer" o troço entre a passagem superior de Cacuaco e a Centralidade do Zango. Os "reis" dos troços planos vão ter de se empenhar para lograr uma vitória.

Os aspirantes ao grupo de elite são o Jair Transportes de Benguela, Selecção Nacional de Esperanças, Clube D´Helvetia de Portugal, Santos Futebol Clube de Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Hotel Luso de Benguela e Nocebo-Cuca do Huambo.