Jornal dos Desportos

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Igreja desaloja Associao de Luanda

Pedro Futa - 23 de Julho, 2018

Atletas pedem alternativas ao Estdio dos Coqueiros

Fotografia: Jornal dos Desportos

A oração tem poder. A máxima pertence aos seguidores da espiritualidade. O facto ocorreu no último sábado no Estádio dos Coqueiros. Quando se ajustavam à pista à espera do tiro de largada da décima jornada do campeonato provincial de atletismo de Luanda, uma força do além paralisou todos os atletas. Atónitos, cada um procurou perceber as razões do que acontecia.
Em busca da explicação, a Associação de Atletismo deparou-se com o \"senhor dinheiro\", um ser que rompe fronteiras e não olha aos benefícios de homens. Imune e sem forças para contrapor, a direcção associativa rendeu-se à evidência.
Longe do \"adversário\", o secretário geral da Associação, Pascoal Chitumba, prometeu apresentar a indignação junto do Governo Provincial de Luanda para se esclarecer a prioridade do uso das instalações do Estádio dos Coqueiros.
\"Devido aos constrangimentos causados, vamos remeter o caso junto do Governo de Luanda. Já são várias vezes que adiámos as provas a favor de outras actividades extra-desportivas (actividades religiosas) num recinto construído para a prática do desporto\", disse.
Sem alternativas para a realização do evento, a Associação de Luanda adiou a prova para o próximo fim de semana no mesmo local.
Os agentes desportivos estão indignados com a decisão tomada. O treinador do Petro de Luanda, Santana Lopes, solicita a Associação para que encontre outras \"saídas\" a fim de não prejudicar as performances dos atletas.
\"Aproxima-se o campeonato nacional e não devemos viver momentos como esse. O Campeonato nacional já devia estar terminado. O campo do Olimpáfrica, em Viana, devia ser a alternativa, mas não dispõe de condições para a prática de desporto, no caso o atletismo\", lamentou.
Zangado, o atleta do 1º de Agosto, Osvaldo Alexandre, defende que a Associação de Luanda e a direcção do Estádio deviam encontrar meio termo para ambos não saírem prejudicados.
\"Devia haver entendimento entre as duas instituições. Reconhecemos que o Estádio dos Coqueiros precisa de dinheiro para a manutenção, mas as actividades religiosas ou outras não podem paralisar as actividades desportivas\", disse.
Além do Estádio dos Coqueiros, nenhum outro no país dispõe de pista de tartan. 

ACÇÃO RELIGIOSA
Empresa Gestor confirma o evento

A paralisação de todas as actividades desportivas no último sábado no Estádio dos Coqueiros foi confirmada por uma fonte próxima daquela instituição desportiva. Em causa está a obtenção de receitas para satisfazer as despesas do empreendimento.
\"Confirmo a realização da actividade religiosa. A Gestão do Estádio dos Coqueiros é privada e temos a liberdade de decidir o melhor para o empreendimento. A Associação de Atletismo de Luanda não paga o uso deste meio. Precisamos de dinheiro para a manutenção do campo\", disse a fonte que pediu anonimato.
Os custos do empreendimento não se circunscreve apenas à manutenção. São elevados quando se acrescenta as despesas com o pessoal contratado. Para responder às necessidades, as actividades religiosas e os espectáculos diversos, em especial, os musicais, têm prioridade na agenda da empresa gestora do Estádio dos Coqueiros.
\"A realização de um espectáculo varia entre oito a dez milhões de kwanzas, que servem para pagamento de salários de empregados e a manutenção\", enfatizou.
O Estádio dos Coqueiros organiza anualmente entre cinco a dez espectáculos, o que perfaz uma arrecadação de receitas suficientes para \"ajudar o Orçamento Geral do Estado\".