Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Imagens traumatizaram internautas

12 de Dezembro, 2013

Pessoas expostas a longo período na internet têm mais probabilidades de sofrer stress

Fotografia: AFP

Um estudo realizado após os atentados na Maratona de Boston revela que as pessoas que passaram seis horas por dia na Internet à procura de informações estavam mais traumatizadas do que aquelas que se encontravam no local.

A pesquisa realizada nos Estados Unidos e hoje tornado público levanta questões sobre o impacto psicológico da exposição repetida à violência através da comunicação social no primeiro grande ataque terrorista no território norte-americano de 11 de Setembro de 2001.

Os resultados foram baseados numa pesquisa com 4.675 adultos norte-americanos realizada após os ataques mortais de 15 de Abril passado e aquela que foi considerada  uma “frenética perseguição” de cinco dias, em que um suspeito, Tamerlan Tsarnaev, foi morto e o seu irmão, Dzhokhar, acabou por ser preso.

Dzhokhar Tsarnaev foi acusado de colocar bombas caseiras na linha de meta da corrida, matando três pessoas e ferindo 260, algumas das quais com membros arrancados pela força das explosões.

Muitas das imagens mais sangrentas foram censuradas ou modificadas pelos meios de comunicação, mas as imagens não-editadas, tiradas por testemunhas, e vídeos em bruto  circularam amplamente no Twitter, YouTube, Facebook e outras redes sociais, disse a co- autora do estudo Roxane Cohen Silver.

“Surpreendente o impacto dessa exposição na comunicação social, mesmo para pessoas que não conheciam ninguém, que não estavam lá naquele dia”, disse Roxane Silver, professora de Psicologia da Universidade da Califórnia Irvine, à agência de notícias France Press.

As pessoas presentes na maratona ou que conheciam alguém que lá estava estavam mais propensas a sentir sinais de stress agudo do que as ausentes e foram também os mais inclinados a ver mais meios de comunicação sobre os ataques, revelam os resultados do estudo da National Academy of Sciences.

O estudo pretendia saber como seriam os indicadores de stress em pessoas que tivessem seis ou mais horas de consumo de notícias na Internet e outros meios de comunicação social sobre o atentado, apesar de ausentes do local do incidente.

“Não que a exposição directa não fosse importante, mas era relevante saber se os efeitos da exposição às imagens geraram uma resposta mais forte a esse stress agudo”, revelou Roxane Silver. Ao comparar as pessoas que viram uma hora por dia  imagens sobre os ataques a pessoas que consumiam seis ou mais horas, o ultimo grupo tinha nove vezes mais probabilidades de sofrer stress agudo, revelou o estudo.