Jornal dos Desportos

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Imprensa desportiva celebra aniversrio com homenagens

Silva Cacuti - 03 de Março, 2020

Cerimnia teve assinalvel presena do representante do ministro da Comunicao Social

Fotografia: Edies Novembro

A Associação de Imprensa Desportiva (AIDA) esmerou-se na homenagem aos jornalistas desportivos, durante uma cerimónia realizada no auditório do Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor) e que marcou o encerramento dos festejos de mais um aniversário da instituição, assinalado a 1 de Fevereiro. A AIDA foi fundada em 1997.
A cerimónia contou com as assinaláveis presenças do representante do ministro da Comunicação Social, do secretário-geral do Sindicato de Jornalistas e foi prestigiada por grandes nomes do jornalismo angolano.
Houve, homenagens póstumas. Os homenageados, pouco mais de 20, podiam bem ostentar o título de grandes jornalistas. Muitos deles, fruto do exercício diário do carácter, da capacidade de  manter-se íntegro em todos os momentos, da ousadia de procurar a verdade, são merecidamente grandes jornalistas.
Hoje, pouco conhecidos até pela nova vaga que desconhece a proveniência da sua herança jornalística, seus nomes vão além de uma bela recordação, no que toca ao bem fazer jornalismo.
Alguns, nem passaram por grandes escolas da especialidade, foram, isso sim, encontrados pelo jornalismo, algures nas circunstâncias da vida. Uns, encontravam-se na vida militar, outros, cruzaram-se  com a oportunidade numa mesa de bar, chamados por um amigo... de variadas formas chegaram ao jornalismo falado, escrito ou televisivo.
Aceitaram o desafio e praticaram-no com distinção. São, hoje, referências do jornalismo desportivo angolano.
Policarpo da Rosa, por exemplo, era professor, leitor assíduo do Jornal de Angola. Entretanto, na casa dos 30 anos, leu um anúncio para interessados em fazer jornalismo e não desperdiçou.
 "Fui ao Jornal de Angola, onde o Gustavo Costa e o Victor Silva me disseram que não era lá, que devia ir ao actual Codemn. Posto lá, encontrei o Ângelo Silva que me deu um tema para desenvolver. Era para falar do desenvolvimento do desporto angolano, da independência até áquela data. Creio que corria o ano de 1987. Escrevi, fui aprovado e na mesma semana mandaram-me cobrir, no Huambo,  o jogo  1º de Agosto - Desportivo da Chela, porque o 1º de Agosto estava de castigo, não podia jogar em Luanda. Foi a minha primeira crónica de jogo", lembra.
Como "Man Poli", como é tratado o antigo director do Jornal dos Desportos, cada um dos "gurus" do jornalismo desportivo angolano tem uma história.
Receber a homenagem da Associação de Imprensa Desportiva é algo especial, segundo Man Poli. É o reconhecimento justo de um trabalho feito anos a frio.
José Cunha, outro homenageado, disse que a homenagem  deixa-lhe honrado.
"É o reconhecimento de um trabalho que nós, da geração dos anos de 70, 80 e 90 fizemos, em prol do desenvolvimento do jornalismo desportivo angolano. É uma geração que contribuiu, não só para o jornalismo desportivo, mas para o jornalismo no geral", começou.
José Cunha arriscou caracterizar a geração homenageada. "Era uma geração que cultivava a cultura da excelência, a auto superação. A maior parte desta geração não teve um curso de jornalismo, mas eram elementos que aprofundaram muito e lutaram para ter uma cultura geral muito grande. Foram autodidactas que estudaram referências, não só do jornalismo português, brasileiro, mas mundial e que soube fazer um trabalho que muitas vezes não era feito na base de uma remuneração. Gostávamos do desporto e considerávamos uma missão informar os adeptos angolanos", concluiu.

Homenagem
Nenhuma senhora entre os distinguidos


À Luísa Rogério, jornalista e dona de uma suculenta crónica desportiva,  a AIDA atribuiu um diploma pela sua contribuição para o sucesso das actividades da sua Comissão Revitalizadora. Foi uma das pessoas singulares, ao lado de instituições públicas como as Edições Novembro, TPA, ANGOP, Rádio 5, LAC, Supersport, o Conselho Central de árbitros da FAF, o árbitro Inácio Cândido, o advogado Egas Viegas, o professor Carlos Calongo, aos jornalistas Silva Candembo, Jorge Guerra e Teixeira Cândido.
A lista de jornalistas homenageados não inclui qualquer senhora. Foram homenageados: Rui de Carvalho, Francisco Simons, Joseph Mputo Dongala, Felisberto da Costa, Graça Campos, Pedro Kalanguinho, Policarpo da Rosa, Victor Silva, Gustavo Costa, Gil Tomás, António Ferreira "Aleluia", Arlindo Macedo, João Silva, Carlos Pereira, Ladislau Silva, Alexandre Gourgel, Mateus Gonçalves, José Cunha, Elísio de Gregório, Manuel Rabelais, Oliveira Campos, Luís Fernando e Fontes Pereira.

 Reacção
Graça Campos realça diferença de contextos


Um pai, professor, mais velho é o que se pode dizer de Graça Campos, outro homenageado pela AIDA. O gigante do jornalismo angolano também iniciou-se na narrativa desportiva e emocionado pela distinção que acabada de receber, evitou termos comparativos entre a sua e a nova geração de jornalistas desportivos.
O contexto, em que cada uma das gerações trabalha, é um elemento a não descurar quando se deseja fazer comparações.
"Nós crescemos e desenvolvemo-nos em contextos diferentes. Esta geração que foi homenageada, não tinha as preocupações que a geração actual tem. Não tínhamos preocupações de ordem doméstica, éramos miúdos, não tínhamos família constituída, tínhamos disponibilidade total para o trabalho. Não tínhamos condicionantes, como horários, hoje, é tudo diferente. Naquela altura Luanda não era tão povoada como hoje, não tínhamos grandes preocupações de transporte para fazer coberturas, para sair de um estádio para outro, andávamos a pé, portanto, os contextos são completamente diferentes. Há um marco decisivo para a diferença, é que a geração que hoje foi homenageada, era constituída, maioritariamente, por pessoas que já tinham uma formação académica sólida.
Nenhum de nós foi ao jornalismo para aprender a escrever e líamos bastante. Admito as falhas que hoje existem, porque o contexto é mais difícil", comentou.Graça Campos faz, também, uma avaliação à narrativa desportiva de hoje e considera pouco empolgante "porque o próprio desporto, também, não é empolgante".