Jornal dos Desportos

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Modalidades

Inter-provincial marca 20 de Maio na Huíla

Gaud?ncio Hamelay, no Lubango - 22 de Maio, 2017

A associação organizou um torneio em alusão a data com os escalões de formação considerados os futuros viveiros do andebol

Fotografia: Jose Soares | Edições Novembro

Participaram do torneio em alusão ao Dia 20 de Maio, oito equipas das quais seis da Huíla e duas provenientes da província do Cuando Cubango.

Trata-se das formações do Interclube da Huíla, Águias do Calumbiro, Sporting Clube do Lubango, Colégio Evangélico, Logos e Renascer.

Os jogos realizados em forma de maratona, decorreram no período da tarde no maltratado pavilhão anexo nº 2, do Complexo Turístico e Desportivo da Nossa Senhora do Monte arredores da cidade do Lubango.

Zeca Funbelo, presidente da Associação Provincial de Andebol da Huíla, disse que atendendo às condições que a modalidade vive na província, não quiseram deixar passar em branco o Dia Nacional do Andebol, por se tratar de uma data tão importante pelo facto de proporcionar alegria ao povo angolano com a conquista de vários troféus internacionais.

Destacou que por essa razão, a associação organizou um torneio em alusão à data com os escalões de formação considerados os futuros viveiros do Andebol. Zeca Funbelo ressaltou que os resultados não estiveram muito em causa, mas a participação das duas equipas do Cuando Cubango em representação do Clube ADCOFIL, trouxe uma inovação à competição.

“É uma troca de experiência muito valiosa entre as duas províncias, porque temos crianças novas na modalidade, na Huíla e o Cuando Cubango também traz uma outra inovação. Através destes intercâmbios, os petizes que despontam na modalidade, vão conhecer-se melhor e aprimorar através desta troca de experiências as técnicas do ABC do Andebol”, realçou.

Acrescentou que as crianças puderam aproveitar a ocasião para ver como as outras fazem as técnicas de bater a bola a correr. “E elas vão vivendo um pouco um do outro de como se bate numa bola ou correr. Então, é uma óptima troca de experiências para as equipas e os resultados não importam aqui”, apontou Zeca Funbelo.

Numa altura em que o Andebol nacional comemorou mais uma data, Zeca Funbelo, referiu que a modalidade na província da Huíla, não está muito mal. Argumentou que, \"a classificação das equipas huilanas no campeonato nacional passado incentivou muito a sua rapaziada a aderir à prática da modalidade. Neste contesto, estamos a desenvolver o Andebol de acordo as condições que vivemos. Os nossos problemas são os mesmos desde os anos anteriores porque os clubes estão carentes por falta de material, principalmente bolas. Não temos muito. Este é o nosso maior problema”, revelou. Indicou que em conversas mantidas com as direcções dos clubes que desenvolvem a modalidade alegam não terem possibilidades de aquisição do material desportivo necessário para massificar e praticar o Andebol. Os treinadores, explicou o presidente da Associação de Andebol da Huíla, são os que tentam desenrascar e acrescentou que quem conseguir uma ou duas bolas traz ao clube.

“E assim vamos andando. Estamos preocupados com essa situação. Mas também, não estamos parados com o processo de massificação. Os iniciados, juvenis e juniores em masculinos e femininos, são os escalões que movimentam o Andebol na província enquadrados no clube do Interclube da Huíla, Águias do Calumbiro, Sporting Clube do Lubango, Colégio Evangélico, os projectos Logos e Renascer”, disse.

Para Afonso Mário, treinador da equipa juvenil da ADCOFIL, a participação num torneio inserida nos festejos da data do Andebol nacional, constitui uma mais-valia, porque os petizes em processo de formação ganham mais experiências com os atletas dos clubes huilanos.

Na província do Cuando Cubango, revelou, para realização de competições internas dividem a equipa em dois. Contou que com o único clube existe naquelas paragens tem um número acima dos 20 praticantes, reparte o grupo em 4 equipas sendo duas masculinas e igual número em feminino e jogam entre si todos contra todos para dar maior rodagem competitiva aos petizes.


“Temos falta de mais equipas e clubes no Cuando Cubango. Assim, com a nossa participação no torneio alusivo ao Dia Nacional do Andebol, já podemos observar pormenorizadamente onde há evolução no seio dos nossos atletas e corrigir as possíveis falhas detectadas ao longo dos jogos. Por isso, gostaríamos continuar sempre com a realização dos intercâmbios daqui em diante”, defendeu.


DÉFICE
Cuando Cubango tem apenas um clube que movimenta andebol


A modalidade de andebol na província do Cuando Cubando é desenvolvida apenas pela equipa da ADCOFIL, na categoria de juvenis em ambos os sexos, afirmou no Lubango, o técnico da única agremiação daquelas paragens mais ao sul do país, Afonso Mário.

Afonso Mário esclareceu que o andebol na província do Cuando Cubango debate-se actualmente com a carência de atletas. Referiu que a modalidade está numa condição normal, apesar de estar carente de atletas. “Praticamente na província só existe uma equipa e a mesma é muito reduzida, mas com perspectivas de crescer. A ADCOFIL é a única equipa que desenvolve a modalidade de andebol no Cuando Cubango. Mas já estamos com previsões de se criar mais clubes. Mas o que está a dificultar neste momento, são mesmos os próprios atletas”, apontou.

Anunciou que o único clube que movimenta o andebol na cidade de Menongue conta com 32 atletas em masculino e feminino nos escalões de juvenis e avançou estar apostada na formação dos escalões de formação para aumentar o número de petizes e outras camadas. “Por isso, estamos a apostar na formação dos escalões inferiores”, assegurou.

Confessou uma das outras maiores dificuldades que enfrentam é a falta de recintos desportivos para a prática do andebol. “Estamos carentes também de campos. Creio que isso é que faz com que os atletas estejam desmotivados. Não adianta ter atletas e sem recintos desportivos para trabalhar. Material para massificação temos e atletas também. E só termos vontade de trabalho e agente cresce logo”, referiu.

Afonso Mário adiantou que no tocante aos apoios por parte do governo da provincial principalmente da direcção da juventude e desportos, não têm sido motivos de preocupação. “Não muito, mas é sempre um apoio”, destacou.

O também secretário-geral da Associação Provincial de Andebol do Cuando Cubango, garantiu que o objectivo fundamental da implementação do projecto de massificação no único clube da modalidade na província, consiste em trabalhar para crescer no sentido de mostrar ao país que em Menongue, pratica-se desporto especialmente o andebol. “Queremos trabalhar seriamente no progresso do andebol para sermos um dia campeões nacionais porque sonhar não é proibido”, perspectivou.

LIMITAÇÃO
Modalidade com falta de recinto de jogos


A direcção da Associação Provincial de Andebol da Huíla, tem encontrado inúmeros constrangimentos para disputar jogos no pavilhão anexo nº 2, atribuído àquele órgão devido à interferência que tem havido por parte de outras modalidades nos dias programados.

Em declarações ao Jornal dos Desportos, Zeca Funbelo, confirmou que em termos de recintos desportivos, estão a ter inúmeras dificuldades de cumprir com a programação planificada pela associação na realização de jogos do campeonato provincial unificado que já decorre nos distintos escalões sobretudo iniciados, juvenis e juniores.

Citou como o exemplo mais recente, a interrupção de uma partida de Andebol inserido nos festejos do Dia do andebol assinalado sábado. Explicou que o jogo, inicialmente estava agendado para as 9h00 de sábado, porém, a organização do torneio inter provincial foi obrigada a transferir o jogo para domingo devido aos desafios de futebol de salão.

“Temos utilizado o pavilhão anexo nº 2, atribuído ao andebol. Mas agora existe uma interferência com os colegas do futsal porque o administrador dos pavilhões entendeu fazer um calendário no meio dos jogos de andebol introduzindo as partidas seniores de futsal. Isso tem criado constrangimentos no desenvolvimento das equipas para dar  tempo suficiente nessas formações. Com as equipas do futsal, já não há tempo suficiente para o desenvolvimento daquilo que nós queremos. Mas não estamos parados”, lamentou.

Zeca Funbelo disse que o mais deplorável é o facto de o pavilhão anexo nº 2, construído no âmbito do CAN de Andebol que o país organizou em 2009, não estar em boas condições para albergar jogos de qualquer tipo de modalidade de sala.

Disse ser intenção da associação candidatar-se para organizar o campeonato nacional de Andebol nos escalões de juniores em ambos os sexos, mas com um pavilhão, será impossível.

“Com um pavilhão, creio que não será possível. Todavia, vamos ver quais as condições a criar até ao próximo mês de Dezembro. Caso não, então em Janeiro e Fevereiro do próximo ano. Para tal, vamos reunir com todos os treinadores dos clubes para ver quais as camadas a escolher para realizarmos um evento nacional na província. Se for nas categorias de juvenis, melhor para nós porque teremos a possibilidade de ter maior número de equipas a representarem a Huíla, enquanto em juniores apenas uma masculina e outra feminina com as quais poderemos participar”, frisou.

Zeca Funbelo sustentou que com os problemas que os clubes locais estão a enfrentar este ano, não terão as condições financeiras de fazer deslocar as suas equipas nos locais mais distantes da província.
Gaudêncio Hamelay, no Lubango