Jornal dos Desportos

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Isimbayeva retira candidatura

10 de Dezembro, 2016

Atleta russa desistiu das eleições após ser nomeada para comissão do COI

Fotografia: AFP

A bicampeã olímpica de salto à vara, Yelena Isinbayeva, desistiu à última hora de ontem, sexta-feira, de concorrer à presidência da Federação Russa de Atletismo (FRA). Isinbayeva era até então uma dos quatro candidatos a presidir a FRA, à qual a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) ainda não devolveu a licença para que os seus atletas participem em competições internacionais devido à conivência da entidade com o doping.

Os outros candidatos, são o actual presidente, Dmitri Shliajtin, o ex-campeão olímpico de salto em altura, Andrei Silnov, e o secretário-geral da federação, Mikhail Butov. Isinbayeva  apresentou a sua candidatura em Novembro, dois meses após anunciar a aposentação do desporto, ao ser excluída dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, pela IAAF.

A russa decidiu não prosseguir nas eleições, após ser nomeada membro da comissão de atletas do COI, e nessa semana, presidente do comité de controle da agência antidoping da Rússia (RUSADA). Bicampeã olímpica em Atenas e Pequim, e bronze em Londres, Isinbayeva ia tentar a terceira medalha de ouro no Rio, contava com a segunda melhor marca do ano, ao ar livre (4,90m).

A desistência de Isinbayeva coincide com as críticas de Silnov, que esta semana denunciou uma possível fraude nas eleições para a presidência da FRA. "Os delegados dizem que são convocados, inclusive pelo Ministério dos Desportos, para que votem pela candidatura de Shliajtin. Dessa forma, ocorrem pressões administrativas", disse.

Silnov também questionou a decisão de realizar as eleições à porta fechada."Para que necessitamos desse sigilo? Os estrangeiros questionam se a Rússia quer esconder algo de novo. Não descarto que haja fraude. O apuramento de votos deve ser pública, mas não querem fazer assim", ressaltou.

O Conselho Director da IAAF decidiu manter na semana passada a suspensão da FRA, mas os seus atletas podem competir a título individual, se forem submetidos a controlos de doping independentes. O britânico Sebastian Coe, presidente da IAAF, confirmou que a Rússia não pode participar do Campeonato Europeu de Atletismo em Pista Coberta, que vai ser sediado em Belgrado, em Fevereiro.

O desporto russo tenta melhorar a imagem com nomeações de antigos atletas para altos cargos, como é o caso do campeão olímpico de esgrima, Pavel Kolobkov, designado recentemente ministro dos Desportos, em substituição do criticado Vitaly Mutko.


RÚSSIA
Mais de mil atletas caem no doping


A segunda parte do relatório McLaren, divulgada ontem, aponta que mais de 1.000 atletas russos, de 30 modalidades, estavam envolvidos ou beneficiaram de práticas de doping, patrocinado pelo governo do país entre 2011 e 2015.

O documento independente, confeccionado a partir de soliticação da Agência Mundial Antidoping (Wada), afirma que existiu uma "conspiração" na Rússia, realizada com apoio de autoridades do Ministério do Desporto e com apoio da agência local antidoping e do Centro de Preparação das Equipas Nacionais.

"Podemos confirmar o que anunciamos no primeiro relatório: aconteceu um acobertamento que começou em 2011,  seguiu até depois dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi. Um acobertamento que evoluiu até níveis sem precedentes", afirmou o professor Richard McLaren, da Western University do Canadá.