Jornal dos Desportos

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Jeptoo suspensa por mais dois anos

28 de Outubro, 2016

Maratonista tinha manifestado o desejo de regressar em breve à competição após cumprir a primeira pena

Fotografia: AFP

Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) ter anunciado quarta-feira o agravamento de um castigo, também de dois anos, que deveria terminar no domingo.

Em comunicado, o TAS explica que a decisão de prolongar a suspensão da atleta foi tomada após um recurso apresentado pela Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF).

O organismo justifica o prolongamento do castigo da atleta, que em 2008 venceu a meia-maratona de Lisboa, com o surgimento de “circunstâncias agravantes”, que indicam a existência de um “programa planificado”.

Em Setembro de 2014, Jeptoo teve um controlo positivo, que acusou eritropoietina (EPO), uma hormona de glicoproteína que controla a produção de glóbulos vermelhos do sangue.

Jeptoo, que soma vitórias em quatro maratonas nos Estados Unidos, em 2013 e 2014, foi entretanto proibida de competir até 30 de Outubro deste ano.

Recentemente, a maratonista queniana, de 35 anos, manifestou o desejo de voltar em breve à competição, embora admitisse que esse regresso dependia da decisão do TAS. Em 2014, Rita Jeptoo, considerada na altura a melhor maratonista do Mundo, foi acusada de andar a dopar-se há mais de três anos, segundo o seu ex-marido, que forneceu documentos à agência France Presse.

Estes dados surgiram uma semana depois de a federação de atletismo do seu país ter revelado um controlo positivo de eritropoietina (EPO): a atleta de 33 anos negou as acusações e pediu contra-análise.

Em carta de Abril de 2013, aquando do início do processo de separação, o advogado do marido de Jeptoo dava conta à atleta de que o seu companheiro tinha “percebido que ela tinha recorrido a uma hormona desaconselhada ou interdita que aumentava os glóbulos vermelhos no sangue”.

MEDALHAS
Seis medalhados de Pequim 2008 viram quarta-feira o Comité Olímpico Internacional (COI) retirar-lhes as medalhas, por fazerem parte de um lote de nove atletas que deram positivo na reanálise das amostras dos Jogos Olímpicos de há oito anos. Três halterofilistas, a ucraniana Olha Korobka (prata nos 75 kg) e os bielorrussos Andrei Rybakou (prata nos -85 kg) e Nastassia Novikava (bronze nos -53 kg), os lutadores Soslan Tigiev, do Uzbequistão (prata nos 74 kg), e Taimuraz Tigiyev (prata nos 96 kg), do Cazaquistão, e a atleta russa Ekaterina Volkova (bronze nos 3000 metros obstáculos) vão perder as medalhas conquistadas em Pequim.

Além dos medalhados, a reanálise das amostras de sangue e urina recolhidas nos Jogos Olímpicos de 2008 detetou o uso de substâncias proibidas por parte de outros três desportistas: o halterofilista Sardar Hasanov, do Azerbaijão, o saltador cubano Wilfredo Martinez e a atleta espanhola Josephine Nnkiruka Onyia.

As novas análises às amostras recolhidas em Pequim2008 permitiram detectar 60 casos de dopagem. No total, entre Londres2012 e Pequim2008, o COI já reanalisou 1.243 amostras, com base em novos métodos de detecção, num processo que decorre desde o verão de 2015.


DOPING * RÚSSIA
Agência Mundial publica relatório


A Agência Mundial Anti-dopagem anunciou na quarta-feira que irá publicar no início de Dezembro a totalidade do relatório elaborado pelo jurista canadiano Richard McLaren, que denunciou um esquema organizado de doping na Rússia. De acordo com o Relatório McLaren, Vitali Mutko, na altura ministro do desporto da Rússia e nomeado a 18 de Outubro vice-primeiro-ministro, foi o principal responsável por um esquema organizado de doping no desporto russo, criado em 2001 e que abrangia 30 modalidades.

Em consequência da primeira parte do relatório, a Rússia foi impedida de competir nas provas de atletismo dos Jogos Olímpicos Rio20016 e também toda a equipa paralímpica russa foi excluída pelo Comité Paralímpico Internacional (CPI) dos Jogos Rio2016.