Jornal dos Desportos

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Jogos africanos tm incio hoje

Teresa Lus| Rabat - 19 de Agosto, 2019

Qunia (411), Senegal (267), Camares (219), Etipia (142), Zimbabwe (145), Ghana (169), Uganda (77), Costa de Marfim (103), Angola (77) e Ilhas Maurcias (79).

A 12ª edição dos Jogos Africanos começam oficialmente hoje, em Rabat, Marrocos, e são disputados até 31 do corrente por 6 mil 396 atletas, em ambos os sexos, em representação de 54 países. O evento tem a chancela da Associação dos Comités Nacionais Olímpicos Africanos (ACNOA) 54 anos depois da estreia. A organização pertencia à União Africana, em parceria com o Conselho Superior dos Desportos.
Os Jogos são extensivos às cidades de Temara, Benslimane, Casablanca, Salé e El Jadida. O Estádio Moulay Abdlaah, com capacidade para 53 mil espectadores, acolhe as cerimónias de abertura e de encerramento. O pagamento de taxa de participação avaliada em 50 euros por cada membro das distintas delegações é outra novidade.
Das 29 modalidades eleitas, 17 são qualificativas para os Jogos Olímpicos de Tóquio'2020. Egipto, Nigéria, África do Sul e Marrocos, na condição de anfitrião, são as nações favoritas ao domínio do quadro de medalhas.
Os egípcios, com 1.362, a par dos nigerianos, com 1.199, são os que mais vezes conquistaram o maior número de medalhas. Os sul-africanos também entram na corrida à semelhança dos argelinos e de tunisinos.
Desistências e incertezas antecederam a indicação de Rabat como sede dos Jogos. Ghana (Accra), Quénia ( Nairobi) e Zâmbia (Lusaka) apresentaram interesse em sediar a cimeira desportiva, mas não passou de intenção.
A Guiné Equatorial candidatou-se para organizar em Junho de 2016, mas por problemas de ordem económica desistiu. Na sequência, surgiram as especulações sobre a possibilidade de Lusaka acolher o evento, mas recusou por alegada falta de instalações desportivas.
Rabat foi eleita para albergar os Jogos Africanos em Julho de 2018.
Atletismo, boxe, basquetebol 3x3, badminton, remo, canoagem, ciclismo, xadrez, esgrima, futebol, ginástica, andebol, judo, karaté, lutas, natação, snooker, hipismo, taekwondo, ténis, ténis de mesa, tiro, triatlo, voleibol de praia, voleibol e levantamento de peso são as modalidades seleccionadas pela Comissão Organizadora.

EGÍPCIOS OS MAIS
MEDALHADOS                
 
Em 54 anos de competição, o Egipto lidera o top 15 dos países que mais medalhas ganharam com um total de 1.362. Importa realçar que a classificação depende do número de medalhas de ouro conquistadas. Por essa razão, há países que arrebataram um número considerável de prata e bronze, mas encontram-se nas posições abaixas.
A Nigéria ocupa a segunda posição da tabela classificativa com 1.199 à frente da África do Sul (967), seguida pela Argélia (897), Tunísia (684), Quénia (411), Senegal (267), Camarões (219), Etiópia (142), Zimbabwe (145), Ghana (169), Uganda (77), Costa de Marfim (103), Angola (77) e Ilhas Maurícias (79).
 
PERCURSO
Angola marca nona presença consecutiva

Angola marca presença nos Jogos Africanos pela nona vez consecutiva no evento que faz a abertura oficial hoje em Rabat, Marrocos. A primeira missão angolana disputou o evento continental em 1987 em Nairobi, Quénia.
Num leque de 24 nações participantes, Angola terminou na 20ª posição da tabela classificativa. Quatro anos depois, em 1991, Cairo, Egipto, os angolanos melhoraram oito lugares e encerraram a participação no 12º posto. O certame foi disputado por 30 países.
Em Harare, Zimbabwe, 1995, com 33 países inscritos, Angola obteve a pior classificação de sempre ao baixar 17 lugares e ocupar o 29º lugar. Em Joanesburgo, em 1999, a missão voltou a ocupar a 12ª posição nos Jogos disputados por 36 nações.
Na cidade de Abuja, Nigéria, em 2003, com o mesmo número de países, a missão angolana repetiu o feito em termos de classificação. Decorridos quatro anos, em 2007, Argel, Argélia, o país baixou um lugar e encerrou a participação no 13º posto com 36 países.
Na cidade de Maputo, Moçambique, em 2011, com igual número de nações, a delegação terminou na 10ª posição da tabela classificativa, a melhor classificação de todos os tempos.
Em 2015, em Brazzaville, com a participação de todos os países do continente, a missão baixou três lugares e terminou em 13º lugar.

HISTÓRIA
Cinco Décadas

Os Jogos Africanos são um evento multi-desportivos, disputados há cinco décadas a cada quatro anos. É um encontro exclusivo dos atletas do continente. Os primeiros ocorreram em Brazzaville em 1965 e possuem o reconhecimento do Comité Olímpico Internacional (COI).
As primeiras tentativas de realização dos Jogos Africanos datam de 1925, em Argel, e depois em Alexandria em 1928.
Apesar de toda a preparação, registou-se um atraso de três décadas. O primeiro africano membro do COI, o velocista Angelo Bolanaki, doou fundos para erguer um estádio de modo a mitigar a situação, mas sem o efeito desejado.
No início de 1960, os países francófonos organizaram os 'Jogos da Amizade' em Madagáscar. No ano seguinte, a Costa do Marfim sediou a segunda edição e o Senegal a terceira. Antes da conclusão, os ministros da Juventude e Desportos reuniram-se em Paris, visando a inclusão das nações de língua inglesa.
A prova passou a ser denominada de Jogos Pan-africanos e reconhecida pelo COI. Até a edição de 1987, guerras e problemas técnicos adiaram, transferiram e cancelaram as edições seguintes.
Instituídos em 1965, em Brazzaville, a União Africana (UA) chamou a si a organização do evento, mas com um pendor governamental, contrariamente, à actual realidade, cujo principal foco é a competição.
O Egipto conquistou o maior número de medalhas na edição pioneira, na qual participou com 500 atletas. Quatro anos depois, foi a vez de Bamako, mas ficou adiada. Em 1973, Lagos sediou os Jogos. Os egípcios voltaram a dominar o quadro de medalhas.
Em 1978, em Argel, 45 nações marcaram presenças, mas a cimeira ficou marcada pela desistência dos faraós por desentendimento com os libaneses. A Tunísia foi a mais medalhada.
A seguir o evento registou um interregno de quase dez anos, motivado por guerras civis e conflitos. Nairobi acolheu a competição em 1987, onde mais uma vez os faraós foram os mais eficazes. Os Jogos da capital queniana marcam a estreia de Angola.
Decorridos quatro anos, no Cairo, a Namíbia participou pela primeira vez e alcançou o nono posto da tabela. Em 1995, Harare, foi a vez da África do Sul arrecadar o maior número de medalhas.
Na edição seguinte, em Joanesburgo, o netball foi a modalidade estreante. A cerimónia de abertura contou com espectáculos de dança e parábolas dos guerreiros zulos. Em 2003, Abuja, os nigerianos conquistaram mais medalhas.
A nona edição, em 2007, em Argel, os egípcios tomaram de salto o quadro de medalhas. A Argélia tornou-se a primeira nação a receber os Jogos por mais de uma vez.
Em 2011, em Maputo, os sul-africanos ofuscaram os faraós. Moçambique acolheu a competição em substituição da Zâmbia.
Nos 50 anos dos Jogos, em 2015, em Brazzaville, os egípcios ganharam mais medalhas. O Congo à semelhança da Argélia são os únicos países que sediaram a prova em duas edições.