Jornal dos Desportos

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Jogos de inverno decorrem desde ontem

10 de Fevereiro, 2018

Cidade de Pyeong Chang alberga os maiores Jogos de Inverno da histria

Fotografia: MOHD RASFAN / AFP

Os Jogos de Inverno começaram ontem a movimentar a cidade de PyeongChang, na Coreia do Sul, são os maiores Jogos Olímpicos da história. Quase três mil atletas de 92 países vão estar em prova até o dia 25 de Fevereiro, número que ultrapassa os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, em Sochi, Rússia, em que estiveram 2.858 atletas de 88 países.
Dos 92 países, destaque para os Estados Unidos da América que participam com a maior equipa de sempre em Olimpíadas de Inverno, com 242 atletas e de seguida vai o Canadá com 226 atletas.
Em disputa vai estar um número recorde de medalhas de ouro – 102 no total – dado que as Olimpíadas têm novas disciplinas, como por exemplo, o esqui alpino por equipas.
A Coreia do Sul, país anfitrião, apresenta um número recorde de atletas nas Olimpíadas de Inverno, 144 atletas.
Pyeong Chang2018 marca a estreia da Malásia, Singapura, Kosovo, Eritreia e Equador em Jogos Olímpicos de Inverno.
De 09 a 25 de Fevereiro vão disputar-se 102 finais em 15 disciplinas, dos sete desportos que constam no programa dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018. Há três modalidades de patinagem (patinagem artística, patinagem de velocidade e patinagem de velocidade em pista curta), seis de esqui (esqui alpino, cross-country, estilo livre, combinado nórdico, salto de esqui e snowboard) e três de deslizamento sobre o gelo (bobsleigh, skeleton e luge). As outras modalidades são o biathlon, o curling e hóquei no gelo.
Na 23.ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, há a destacar seis novas provas a serem disputadas pela primeira vez: duplas mistas no curling, equipas mistas de esqui alpino e largada colectiva na patinagem de velocidade. Em relação a 2014, o slalom paralelo foi substituído pelo big air no snowboard.
É sob o signo da paz que Pyeong Chang recebe os 23.ª Jogos Olímpicos de Inverno, prova que arrancou ontem dia 09 de Fevereiro. A tensão entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul baixou de intensidade, há diálogos entre altos representantes dos dois países, que até formaram uma equipa mista para mostrarem ao mundo que a unificação é possível.
Para ajudar a que tudo corra normalmente, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou por unanimidade uma resolução, que insta os países a respeitarem trégua olímpica, uma tradição da Grécia antiga, berço da competição, que se recuperou pela primeira vez em Barcelona1992. Este período de armistício, que começa sete dias antes dos Jogos Olímpicos e que termina uma semana depois do encerramento dos Jogos Paralímpicos, os países participantes devem evitar medidas que limitem a participação de atletas.

AFRICANOS
Atletas realizam sonho olímpico


As delegações dos países africanos que participam nos Jogos são pequenas , a África é um continente que nunca ganhou uma medalha nos Jogos de Inverno, e algumas são compostas por atletas que nem sequer nasceram no país, mas que realizam o sonho olímpico, ao mesmo tempo honram a terra dos antepassados.
Este é o caso de Seun Adigun, Ngozi Onwumere e Akuoma Omegora, três mulheres norte-americanas de nascimento que vão representar a Nigéria no bobsled. Antes delas, nem homens ou mulheres alguma vez representaram um país africano no bobsled olímpico. Na competição de bob-2, têm a “concorrência” das jamaicanas.
Ao contrário das três mulheres nigerianas que não nasceram no país que representam, Sabrina Simander nasceu no Quénia, a maior potência olímpica de África (102 medalhas, 95  no atletismo. A atleta vai competir em quatro provas de esqui alpino, a mais democrática das modalidades nos Jogos de Inverno (tem representantes de 80 dos 92 países participantes).
Simander nasceu no Quénia, mas cresceu na Áustria e desde cedo  habituou-se à neve. Foi por influência do padrasto austríaco  iniciou-se no esqui, e aos 19 anos realiza o seu sonho olímpico, à custa de muito sacrifício e de boa vontade de muita gente. Da parte do país que representa, não teve muito mais que uma palmada nas costas de incentivo,  recorreu ao crowdfunding e patrocinadores para financiar toda a campanha.
Outras atletas também competem, como  os casos de Alessia Afi -Dipol que é italo -togolesa, no esqui alpino, assim como Mialitiana Clerc que representa o Madagáscar. Samir Azzimani é de Marrocos já competiu em Vancouver em 2010 no esqui alpino, está a preparar-se, para  desta vez, disputar o esqui nórdico.

BRINDES AOS ATLETAS
Irão ameaça Samsung
de represálias comerciais


Autoridades iranianas ameaçaram na quinta-feira ao gigante sul-coreana Samsung de represálias comerciais, depois dos organizadores dos Jogos Olímpicos de Inverno 2018  privarem de participar na competição aos atletas iranianos e norte-coreanos dos smartphones que receberam ofertas de presente.
Coincidência ou não, a ameaça foi seguida de um anúncio do Comité Olímpico Internacional (COI) a garantir, que ao contrário do que a organização dos Jogos de Pyeong Chang anunciaram, \"todos os atletas\" que participarem na competição recebiam um smartphone.
O comité tinha indicado no dia anterior, que os atletas norte-coreanos e iranianos não recebiam os smartphones devido às sanções da ONU contra os respectivos países.
A Samsung Electronics, uma das patrocinadoras dos Jogos, doou quatro mil exemplares da \"edição olímpica\" de seu principal modelo, o Galaxy Note 8, para serem distribuídos entre atletas e integrantes do COI.
Quase todas as sanções da ONU contra o Irão estão suspensas, graças à resolução 2231 do Conselho de Segurança, adoptada em Julho de 2015, no contexto da aprovação do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.
O Irão enviou quatro atletas aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeong Chang, que acontecem entre 9 e 25 de Fevereiro.

CERIMÓNIA DE ABERTURA
Papa elogia desfile conjunto

O papa elogiou na quarta-feira a decisão das duas Coreias de desfilarem sob a mesma bandeira, durante a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, considerou tratar-se de um exemplo de esperança para a resolução pacífica de conflitos.
A posição do papa Francisco foi pronunciada durante uma audiência antes da 23.ª edição dos Jogos de Inverno em Pyeong Chang (Coreia do Sul), na qual participam 92 países.
\"A trégua olímpica deste ano assume uma importância especial: a delegação das duas Coreias (Coreia do Norte e Coreia do Sul) desfilam sob uma única bandeira e vai competir como uma única equipa\", afirmou.
Segundo defendeu, esta aproximação faz renascer a \"esperança num mundo no qual os conflitos são resolvidos pacificamente, em diálogo e mútuo respeito, além de também ser um exemplo para o desporto\".
Ao saudar os líderes do Comité Olímpico Internacional, os atletas participantes no evento e o povo da península coreana, Francisco desejou que estes Jogos Olímpicos \"sejam uma festa de amizade e desporto\".
Pela primeira vez, uma delegação do Vaticano liderada pelo subsecretário do papa para a cultura - o espanhol Melchor Sánchez de Toca - participou na cerimónia de abertura de Jogos Olímpicos de Inverno com o estatuto de observador.
Os Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang2018 começam ontem na Coreia do Sul. A Coreia do Norte boicotou os Jogos Olímpicos de Verão de 1988.

DOPING
Tribunal Arbitral do Desporto
rejeita recurso de atletas russos

O Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) anunciou ontem na cidade de Pyeong Chang, na Coreia do Sul, onde começaram os Jogos Olímpicos de Inverno, que rejeita os recursos apresentados por um total de 47 atletas e técnicos russos contra a decisão do Comité Olímpico Internacional (COI) de não os convidar para o evento desportivo.
A decisão foi anunciada durante um pronunciamento no Centro Principal de Imprensa de Pyeong Chang, por Matthieu Reeb, secretário -geral do TAS, que explicou que a divisão do CAS criada para este fim (Divisão Ad hoc) rejeitou os recursos apresentados \"no dia 6 de Fevereiro por 32 atletas russos\" e \"no dia 7 de Fevereiro por (outros) 15 atletas e treinadores russos\" contra o COI.
Devido à suspensão do Comité Olímpico Russo, pela corrupção do sistema anti-doping no seu país, só podem participar nos Jogos de Pyeong Chang os atletas convidados pelo COI que representem uma bandeira neutra. Os russos que entraram com um recurso no TAS argumentaram que nunca estiveram implicados na violação das regras anti-doping.
\"Nas suas decisões, o painel de arbitragem considerou que o processo criado pelo COI para estabelecer uma lista de convites para competir (na equipa de) Atletas Olímpicos da Rússia não podia ser descrito como uma sanção, mas como uma decisão de elegibilidade\", explicou ontem em Pyeong Chang o secretário-geral do TAS.
\"Embora o Comité Olímpico Russo esteja suspenso, o COI decidiu dar a oportunidade de forma individual para diferentes atletas, sob condições prescritas, um processo que foi projectado para estabelecer um equilíbrio entre os interesses do COI na sua luta global contra o doping e os interesses de cada um dos atletas da Rússia\", explicou Reeb.
O secretário-geral do TAS explicou que o seu painel de arbitragem entende que os autores \"não mostraram\" que a maneira pela qual as duas comissões especiais - o Painel de Análise de Convites e o Grupo de Implementação de Atletas Russos - fizeram \"as suas avaliações independentes, ocorreram de forma discriminatória, arbitrária e injusta\".

 COMPETIÇÃO
África presente
em Pyeon Chang

O continente africano está representado nos Jogos Olímpicos de Inverno que ontem tiveram início na cidade sul-coreana de PyeongChang, com desportistas do Togo, Eritreia, Quénia, Madagáscar e Marrocos, uma presença que não é inédita, uma vez que o continente esteve presente nos últimos jogos realizados em Sochi, na Rússia.
Pela segunda vez na sua carreira, a esquiadora togolesa Mathilde -Amivi Petitjean marca presença a defender as cores da bandeira do seu país, determinada a mostrar que não está na competição para fazer figura.
Tal como em Sochi, em 2014, a atleta togolesa vai competir em duas provas de cross-country, alguns dias antes de comemorar o 24º aniversário natalício. Uma nova etapa na carreira de uma desportista ambiciosa, que diz que não foi à Coreia do Sul \"apenas para participar\".
Nascida em Kpalimé, no Togo, Mathilde -Amivi Petitjean cresceu nas montanhas da Alta Sabóia. Chegou a França aos 3 anos de idade e começou a esquiar quatro anos depois, no clube de La Roche -sur -Foron. Em seguida, evoluiu no caminho tradicional dos jovens esperançosos da disciplina: comité regional, estudos desportivos no ensino médio e competições nacionais.
O técnico Jean -Paul Minary foi quem a treinou durante a adolescência, lembra-se de uma esquiadora que \"possuía qualidades reais\", para se distinguir ao mais alto nível. \"Ela era hábil no seu esqui, uma habilidade que outros não possuíam, mas também era capaz de atingir uma grande velocidade\", disse o treinador.
Neste momento, vive no Canadá, a atleta tem pouco tempo para visitar o Togo, onde viveu desde a infância e vivem os seus avós maternos  assim como \"todo um grupo de tios, tias e primos. \"Eu  sinto-me tanto togolesa como francesa\", refere a desportista.
No entanto, ela está consciente de que apesar das façanhas na neve, poucos togoleses se reconhecem nela. \"O povo da diáspora conhece-me, mas no Togo é difícil. Não há neve lá: como eles podem relacionar-se comigo?, interroga-se.
 \"Os desempenhos de Mathilde são de interesse para os togoleses\", diz Hyacinthe Edorh, vice-presidente da Federação Togolesa de Esqui. É muito importante que o Togo se apresente nas Olimpíadas de Inverno. Estamos no século 21 e ainda existem desportos praticados na Europa, América e Ásia, e não na África subsaariana. Esta é uma oportunidade de mostrar aos outros países tropicais que tudo é possível.”
Classificada  na 66ª posição nos últimos Jogos, Mathilde aponta para melhorias significativas. Ela sonha com um lugar na final, entre os 30 melhores na clássica  prova de velocidade que acontece no dia 13 de Fevereiro. \"Não estou aqui para fazer figura\", repete.
Dois dias depois, ela inicia uma corrida mais longa, com 10 km de distância. Com o desejo de provar que tem um lugar entre os desportos de Inverno de elite do mundo.

ÚLTIMA HORA
Coreias lançam mensagem de paz

A Coreia do Sul e a vizinha do Norte se aliaram para lançar uma mensagem de esperança na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang-2018, com as duas delegações desfilando juntas, pouco depois de seus líderes se cumprimentarem na tribuna.
Os quase 150 atletas de ambos os países - 22 da Coreia do Norte - deram a volta no estádio atrás de uma bandeira unificadora com o contorno do mapa da península em azul sobre um fundo branco. Pouco antes do início da cerimónia de abertura, o líder sul-coreano, Moon Jae-in, e a irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, Kim Yo-jong, cumprimentaram-se.
O presidente sul-coreano se aproximou do lugar onde a delegação norte-coreana estava e apertou a mão de Kim Yo-jong, primeiro membro da dinastia comunista que governa a Coreia do Norte a viajar para a Coreia do Sul. Ao longo de toda a cerimónia houve acenos à paz, como o tema "Imagine" de John Lennon, uma ode à convivência pacífica cantada por quatro famosos cantores sul-coreanos.
"Eu declaro abertos os Jogos Olímpicos de Pyeongchang", disse Moon Jae-in da tribuna. O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, aplaudiu os gestos das duas Coreias na cerimônia e durante os Jogos, já que uma equipe feminina unificada de hóquei no gelo vai participar do evento em Pyeongchang. Além disso, duas dessas atletas participaram do acender da pira olímpica.