Jornal dos Desportos

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Jorge Lorenzo encoraja pilotos da F1

06 de Dezembro, 2016

Jorge Lorenzo conduziu carro do

Fotografia: AFP

Em Outubro, Jorge Lorenzo realizou um sonho: pilotar um carro de Fórmula 1. O espanhol conseguiu a oportunidade de testar o W05, carro com o qual Lewis Hamilton conquistou o título de 2014, em Silverstone. O circuito alberga  o GP da Grã-Bretanha de F1 e da MotoGP Como convidado da Mercedes, para acompanhar a final da época, em Abu Dhabi, Lorenzo avaliou as diferenças entre as duas competições motorizadas, numa entrevista concedida a Motorsport.com.

Como avaliou o teste com a Mercedes?

A potência do motor impressiona, mas a aderência nas curvas chamou a minha atenção. O piloto pode travar muito tarde, porque tem aderência. Nas curvas rápidas, o downforce e a aderência mecânica do carro são fantásticos. A primeira curva na Fórmula 1 faz-se na sétima velocidade, quase com o pé cravado no acelerador. Na MotoGP, fazemos em terceira marcha. A diferença é enorme. Esperava um carro muito mais difícil de conduzir, andei com um carro de F2 ,dois dias antes, em Snetterton e era um carro muito complicado: o motor era muito nervoso e a direcção dura demais. Quando fui para o simulador da Mercedes, pensei 'nossa, isto é muito mais fácil'.
Talvez o simulador fosse fácil e a realidade muito mais dura, mas não. Andei com o carro e a direcção é macia, a potência é entregue com consistência. Pensei que o risco de perder o controlo e rodar nas curvas fosse grande, mas a aderência estava alí, e foi muito fácil andar rápido.

Conseguiu ser veloz desde o início?
Comecei tranquilo, sem forçar. Não queria cometer nenhum erro e causar problemas. Na última saída para a pista, dei o meu máximo, e fiz tempos de volta bastante satisfatórios.

Em que aspectos encontrou mais tempo de volta?
Parece-me que é relativamente fácil fazer uma volta rápida com pneus novos. O problema é ficar uma hora e meia no mesmo nível e ritmo com os pneus usados, pois o carro não tem o mesmo nível de aderência. É isso, creio, que separa os novatos e os não -profissionais da F1, dos profissionais. Normalmente, pilotos da MotoGP conseguem ser relativamente velozes, quando andam com um carro. O nível seguinte é ficar uma hora e meia em temperatura alta, sem perder a concentração e permanecer consistente durante tantas voltas.

Fisicamente, como foi a experiência?
Mais fácil do que imaginava, mas para mim, seria muito difícil ficar uma corrida inteira com a mesma velocidade e precisão. Mas, como disse, a direcção é suave e a entrega de potência é progressiva. Então, pode relaxar um pouco a cabeça no carro. Sem esses suportes laterais seria complicado demais.

Pensa em fazer novos testes na F1?
Se me derem nova oportunidade e tiver tempo, com certeza gostava de repetir a dose. Vamos ver no futuro. Gostava de testar noutra pista para ver a evolução do carro.

Encontrou-se com os controlos no volante? Há botões demais num carro de F1?
Sim. É uma das coisas mais difíceis. Na MotoGP, temos dois botões: um para o controlo de tracção e outro para a travagem do motor. Na F1, o piloto tem 30 a 40 botões. Usei dois ou três, mas aprender a usar os demais durante uma corrida é o mais complicado. Há 30, 40 anos, tinham o volante e a caixa de embraiagem. Lidar com todos os comandos é a coisa mais difícil para um piloto de F1, actualmente, em comparação com o passado.

Sonhou em algum momento ser piloto de F1?
Não. O meu pai era mecânico de motos, quando era mais jovem e foi piloto amador. A paixão dele era moto, não carro. Não éramos ricos. Então, o meu pai começou a construir uma moto para o meu tamanho, e comecei a andar aos três anos. Sem o meu pai, jamais seria piloto. Sou o que sou por causa dele.Disputaste uma prova de GT há alguns anos...Sim. A minha primeira corrida de carro foi em 2010. Corri as 3 Horas de Aragón com um Fiat 500. Depois, assumi o volante de um Seat Leon e disputei as 24 Horas de Montmelo (Barcelona). Venci na nossa categoria. Há três anos, estive aqui e disputei as 12 Horas de Abu Dhabi, com uma Ferrari 458, também venci na nossa categoria.

Fará mais corridas de carro no futuro?

Estou bastante ocupado no momento, mas quando me aposentar da MotoGP, pretendo fazer mais corridas de carro.

Qual o apelo dos carros de corrida?

A adrenalina é a mesma, mas é algo diferente. Você é jornalista, quando chega em casa não quer escrever. Comigo é a mesma coisa, quando estou em casa, não quero pilotar motos. Quero pilotar outras coisas.

A sensação de estar no limite é a mesma?

Depende dos pneus, mas perde menos tempos de volta numa moto do que num carro, quando os pneus se desgastam. Num carro com pneus usados, o piloto é muito mais lento. Tem quatro rodas em vez de duas. Entretanto, é impressionante o quanto consegue ser rápido num carro com pneus novos.

Quem tem mais cicatrizes, pilotos de F1 ou de MotoGP?

A segurança de um F1 atingiu um nível muito alto, com o cockpit e todas as protecções. As motos também evoluíram neste sentido, mas quando cai, o seu corpo é o chassis. Vai ao chão com o corpo. Então, é muito mais fácil contundir-se numa moto. Em condições normais, é muito difícil lesionar-se, seriamente, num carro de F1. Neste aspecto, creio que na MotoGP, temos mais coragem.

Qual foi o feedback que os engenheiros da Mercedes lhe deram?

Creio que ficaram impressionados com o dia no simulador, porque andei rápido desde o início. Colocaram-me em simulação de pista molhada, para que sentisse alguma dificuldade, porque no seco foi muito fácil. Na pista, também  mostraram-se impressionados pelo o facto de que, com apenas algumas horas de prática, um piloto inexperiente estivesse próximo do limite.

Como avalia um piloto de F1 na MotoGP?

Creio que seria muito mais complicado fazer bons tempos de volta, do que foi para mim na F1. É mais difícil. Num carro de F1, sente-se protegido e sabe que se sofrer um acidente, o seu corpo não vai para o chão. Além disso, numa moto o equilíbrio é muito mais importante. Se não tem equilíbrio, cai. Precisa mexer-se bastante. No carro, fica praticamente na mesma posição o tempo todo. Na moto, tem a sensibilidade nas mãos, mas precisa mexer o corpo todo e o seu peso é fundamental para o resultado final em termos de performance.

CONTRATO
Vettel nega
a Mercedes


Depois da inesperada aposentação de Nico Rosberg, dias após o piloto conquistar o título mundial da Fórmula 1, surgiram diversas especulações em relação aos nomes para substituírem o alemão na Mercedes. Sebastian Vettel, actualmente na Ferrari, negou qualquer tipo de rumor de que pudesse ocupar o lugar do seu compatriota.

Vettel lembrou que tem contrato com a Ferrari para o próximo ano, e disse que os rumores não fazem sentido, em entrevista ao site americano Motorsport.com. "Imagino que não é nenhum segredo, que eu e o Kimi (Raikkonen) temos um contrato para o próximo ano. Então, isto devia estar claro", declarou.

O piloto alemão também preferiu não opinar em relação aos rumos da Mercedes para o ano que vem, e uma possível queda de rendimento, já que a equipa terminou a época com os dois primeiros lugares do Mundial, com Nico Rosberg e Lewis Hamilton. "Não sei quais são os seus planos. Estamos a pensar em nós mesmos, para o próximo ano. Temos diversas coisas a mudar e estamos muito ocupados. Estamos optimistas para o próximo ano", afirmou.

Sobre a Ferrari, Vettel espera uma equipa mais forte, depois de terminar a época apenas na quarta posição, com o seu companheiro de equipa, Kimi Raikkonen, em sexto. "Creio que a equipa está a ficar mais forte. É isto que sentimos nos últimos meses, tanto na pista quanto na fábrica. Devemos estar prontos a entrar no próximo ano com um carro melhor"", disse.

Vettel comentou sobre a inesperada aposentação de Nico Rosberg. O piloto disse respeitar a decisão do compatriota e o desejou-lhe boas férias. "Todos são livres de fazer o que quiserem. Respeito a sua decisão. Tenho a certeza de que vai usar este tempo livre para descansar antes de fazer qualquer outra coisa. Boas férias", completou. A época de 2017 da Fórmula 1 está marcada para começar no dia 26 de Março, no Grande Prémio da Austrália.

RED BULL
Max Verstappen
dá impulso moral


O vice - campeonato de construtores em 2016 foi bastante comemorado pelo consultor da Red Bull, o austríaco Helmut Marko. Depois de conquistar quatro títulos entre 2010 e 2013, a equipa sofreu com a implementação da tecnologia híbrida na Fórmula 1, e as unidades de potência da Renault.

Depois de um ano difícil em 2015, a equipa regressou às primeiras posições em 2016, com duas vitórias e o segundo lugar entre os construtores."O grande passo à frente (em 2016) veio do lado do motor, e disseram-nos que podemos esperar um salto semelhante, novamente, para 2017. E, isso deve significar que estamos muito perto da potência da Mercedes", disse Marko no site oficial da F1.Helmut Marko sustentou que do lado do chassis, sempre foram "bons" e o deste ano "é um dos nossos melhores". "Até agora, todos os dados que temos do novo carro são positivos”, revelou.