Jornal dos Desportos

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Jornal tem provas de subornos

02 de Junho, 2014

Mohamed Hammam foi banido em 2012 do Comité Executivo da FIFA por corrupção e agora surgem provas irrefutáveis

Fotografia: AFP

O jornal inglês "The Sunday Times" escreveu ontem que tem "milhares de emails, documentos e registos de transferências bancárias" que provam subornos na ordem dos cinco milhões de dólares para o Qatar acolher o Mundial 2022. O valor foi distribuído pelo qatari Mohamed bin Hammam, banido em 2012 do Comité Executivo da FIFA, que integrava desde 1996, por acusações de suborno quando se candidatou à presidência do organismo.

Ainda segundo a edição do jornal inglês, Bin Hamman, que também foi presidente da Confederação Asiática de Futebol, pagou avultadas quantias de dinheiro a "altos dirigentes" do futebol mundial para garantir a eleição do Qatar como sede do Mundial 2022.

Ainda de acordo com a investigação publicada ontem, o diário inglês diz ter provas de que o ex-membro do Comité Executivo da FIFA pagou cerca de 300 mil euros em despesas feitas por um outro membro daquele órgão, representante da Oceânia, Reynald Temarii, do Tahiti. Contudo, este não pôde votar na altura, por se encontrar suspenso.

Temarii tinha sido afastado pela própria FIFA por alegadamente ter solicitado dinheiro em troca do seu voto a responsáveis da candidatura dos EUA ao Mundial 2022.

Há ainda informações de provas materiais que têm a ver com uma suposta ligação de Hammam a um ex-vice-presidente da FIFA, Jack Warner, da federação de Trinidad e Tobago e responsável da Confederação das Caraíbas. O jornal avança que tem provas de que Hammam transferiu para Warner mais de 1,6 milhões de dólares.

Em 2010, a FIFA abriu um inquérito para investigar as denúncias de alegada corrupção nas escolhas da Rússia e Qatar para as edições de 2018 e 2022 do Mundial. O advogado norte-americano Michael Garcia, que lidera as investigações, deve entregar os resultados finais do inquérito até final deste ano.

Michael Garcia ia encontrar-se ontem com responsáveis do comité organizador do Mundial 2022, mas, segundo a agência AFP, a reunião ia ser adiada em virtude das denúncias ontem feitas pelo "Sunday Times".