Jornal dos Desportos

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José Sayovo regressa as pistas

02 de Fevereiro, 2015

Tricampeão paralímpico mostra confiança no apuramento da selecção aos Jogos do Rio

Fotografia: M. Machangongo

Afastado das pistas há sensivelmente dois anos, devido a problemas de saúde, o velocista angolano José Sayovo, tricampeão paralímpico dos 100, 200 e 400 metros, feito conseguido em Atenas, Grécia, em 2004, está de regresso, integrando a pré-selecção nacional de atletismo que este ano vai em busca do passe de acesso aos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, Brasil, competição agendada para 2016.

Aos 43 anos de idade, José Sayovo continua a ser o expoente máximo do desporto adaptado angolano, particularmente na disciplina do atletismo, isto na classe dos T11 (deficiente visual total). Depois de ter enfrentado graves problemas de saúde, logo após a disputado dos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, "Saiouro", como  também é conhecido nas lides do atletismo paralímpico, esteve à beira de perder a audição.

Recuperado do trauma, o internacional angolano mostra-se apto para ajudar a Selecção Nacional de atletismo na classe dos visuais a conseguir o apuramento aos Jogos Paralímpicos de 2016, prova marcada para o Brasil. Sem ritmo competitivo, José Sayovo Armando considerou positivo as primeiras duas semanas de preparação do combinado nacional que trabalhou na capital do país, em regime de concentração.

"Penso que foram duas semanas bastante proveitosas de uma maneira geral. Eu, particularmente, tive de me aplicar ao máximo, porque estou praticamente a sensivelmente dois anos fora das pistas. Acredito que é extremamente difícil para um atleta de alta competição ficar parado durante dois anos e no atletismo é mais complicado ainda. Se em duas semanas sem treinar és capaz de perder alguma mobilidade imagine em dois anos".

Questionado sobre o seu estado de saúde, José Sayovo foi peremptório em afirmar que já se sente bem, razão pela qual integrou os trabalhos da pré-selecção nacional que tem pela frente vários compromissos internacionais. "Felizmente já me encontro bem. Passei por momentos de angustia neste últimos dois anos.

Imagine um atleta com a minha deficiência perder  a audição seria doloroso mas, felizmente, o tratamento que começou no Hospital Militar e terminou no Brasil correu muito bem. Por isso, gostaria de aproveitar a oportunidade que o Jornal dos Desportos está a proporcionar-me para  agradecer publicamente ao Ministério da Juventude e Desportos, à direcção do Hospital Militar, ao Comité Paralímpico Angolano assim como ao Exercito Angolano pelo apoio que me deram."

O velocista angolano reconhece que ainda não atingiu metade da sua forma desportiva mas, prometa trabalhar arduamente nos próximos dias, quando a pré-selecção retomar a sua preparação, em princípio no mês de Março, logo após a disputa do Campeonato Nacional de Corta-Mato.
"Como deve compreender neste momento nem estou a 50 por cento do meu rendimento.

Em princípio os trabalhos de preparação devem reatar no mês de Março. Até lá vou procurar fazer trabalhos específicos com o seleccionador nacional para que eu posso atingir o mais rapidamente possível dos níveis dos meus colegas."

Com três presenças consecutivas em Jogos Paralímpicos, nomeadamente, Atenas, Grécia, em 2004, Pequim, China, em 2008, e Londres, Inglaterra, em 2012, o recordista paralímpico dos 100, 200 e 400 metros está confiante no seu apuramento aos Jogos do Rio de Janeiro, onde pensa encerrar a sua carreira de aproximadamente de 18 anos.

"Quero disputar os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, por isso, vou trabalhar de forma árdua para conseguir as marcas exigidas pelo Comité Organizador dos Jogos Paralímpicos".

Angola começa a sua odisseia com vista aos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro na Tunísia, onde vai disputar o Meeting Internacional, de 20 a 26 de Março próximo, seguindo-se o Open Internacional de Lotarias de São Paulo, Brasil, prova a decorrer de 20 a 25 de Abril, culminado com os Jogos Mundiais para Cegos, em Seul, de 10 a 17 de Maio do ano em curso.

REVELAÇÃO
Velocista reconhece potencial de Chamoleia


O futuro do atletismo paralímpico angolano está cada vez mais salvaguardado, em face do trabalho sistemático de prospecção levado a cabo pela direcção do Comité Paralímpico Angolano (CPA), em parceria com as associações provinciais e núcleos. A constatação é do velocista José Sayovo Armando, recordista mundial e paralímpico dos 100, 200 e 400 metros.

"O desporto adaptado, particularmente, o atletismo têm surgido cada vez mais atletas com grande margem de progressão, em virtude do trabalho de prospecção que o Comité Parlímpico Angolano e os seus filiados têm levado a cabo em todo a extensão do território nacional. José Chamoleia é o exemplo vivo deste trabalho que tem sido feito.

É importante que este trabalho continue porque só assim é que Angola vai continuar no top do atletismo paralímpico mundial", alertou o internacional angolano que a par de José Chamoleia vai liderar o combinado nacional nos mais variados compromissos internacionais. Aos 17 anos, José Chamoleia, da classe T11 (deficiente visual), tem-se destacado nos últimos tempos, principalmente no continente africano, onde já amealhou várias medalhas, entre ouro e prata.

Dado ao seu bom desempenho, o jovem atleta tem sido apontado como o possível substituto do tricampeão mundial e paralímpico, José Sayovo Armando. Já no sector feminino destaca-se também a nova geração de atletas  lideradas por Maria da Silva e Esperança Gicasso, que em 2012 se estrearam nos Jogos Paralímpicos.                                      
M.C

PERCURSO
Palmarés invejável


Em dezoito anos de prática do atletismo adaptado, José Sayovo acumula várias medalhas, arrebatadas nas mais variadas provas a nível do continente africano e mundial, onde tem sido um verdadeiro fenómeno. José Sayovo é nesta altura o atleta mais medalhado do desporto adaptado em Angola, com 48 medalhas, sendo 25 de ouro, 21 de prata e apenas duas de bronze, feitos que resultam de um trabalho do Comité Paralímpico Angolano (CPA), iniciado em 1994,.

Nascido na Província do Bié, na localidade de Catabola, a 3 de Março de 1973, o velocista angolano realizou a sua primeira prova oficial em 1999. 
O ex-militar do Exercito Angolano subiu ao pódio em três ocasiões consecutivas em Jogos Paralímpicos, em Atenas, em 2004, Pequim, 2008 e Londres, em 2012.

Em 2000, no Campeonato do Mundo de Corta-Mato, prova realizada em Portugal, José Sayovo conquistava a sua primeira medalha de ouro. Neste mesmo ano, no Campeonato Africano do Egipto, o velocista conquistou nada mais nada menos do que três medalhas de ouro. Em 2003, no Campeonato do Mundo para Cegos, no Canadá, Sayovo, tinha conquistado duas medalhas de ouro e uma de prata e o respectivo recorde mundial na disciplina dos 400 metros.

E para não variar, nos Jogos Pan-africanos de Abuja, Nigéria, em 2003, o internacional angolano conquistava mais duas medalhas de ouro.
Contra todas as expectativas, José Sayovo viria a surpreender o mundo em 2004, ao ter-se tornado no primeiro atleta no mundo a conquistar  três medalhas de ouro e os respectivos recordes, nas especialidades de 100, 200 e 400 metros, nos Jogos Paralímpicos.

No ano seguinte, no Campeonato Africano da Tunísia, "Saiouro" arrebatava duas medalhas de ouro e uma de prata. Em 2006, no Campeonato do Mundo da Holanda, o velocista angolano tinha conquistado apenas uma medalha de bronze. Nos Jogos Pan-africanos da Argélia, em 2007, Sayovo tinha levado mais uma medalha de ouro.

Em 2007, no Campeonato do Mundo para Cegos, o velocista angolano foi surpreendido por um atleta da casa, tendo ficado com três medalhas de prata. A cena repetiu-se nos Jogos Paralímpicos de Pequim, com o brasileiro Lucas Prado a destronar o atleta angolano, que acabou por conquistar três medalhas de prata.

Em Marrocos, isto em 2010, Sayovo tinha conquistado duas medalhas de ouro, ao passo que na Turquia, no Campeonato do Mundo, o tricampeão paralímpico tinha conquistado duas medalhas de ouro e uma de prata. Em Maputo, nos Jogos Pan-africanos, ficou com apenas uma medalha de prata.

No Meeting Internacional da Tunísia levou três medalhas de prata. No Meeting de Espanha foram duas medalhas de prata. O atleta angolano voltou a brilhar nos meetings da Tunísia, Quénia e Tunísia, isto em 2010 e 2012, com sete medalhas de ouro e duas de prata respectivamente.                                     
M.C