Jornal dos Desportos

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Juiz autoriza transmissão de julgamento de Pistorius

27 de Fevereiro, 2014

Justiça sul-africana quer desfazer o mito de que é dura com os pobres e acessível aos ricos com o julgamento de Pistorius

Fotografia: AFP

O juiz Dustan Mlambo decidiu que o julgamento do astro olímpico e paralímpico Oscar Pistorius pode  ser transmitido pela televisão, dando a milhões de pessoas ao redor do Mundo acesso directo a um dos julgamentos de celebridade s mais falados desde o de O.J. Simpson. Pistorius, de 27 anos, admitiu ter desferido um tiro na namorada, a modelo Reeva Steenkamp, na sua casa de Pretória na data em que se comemorava o dia dos namorados, no ano passado, mas alegou ter sido um acidente, por tê-la confundido com um ladrão.

Se for condenado por homicídio, Pistorius pode apanhar prisão perpétua. O julgamento  começa  no dia 3 de Março. Numa decisão transmitida pela televisão a partir de um tribunal superior de Pretória, o juiz Dustan Mlambo disse ser vital para os cidadãos sul-africanos pobres, que se sentem maltratados pelo sistema judicial, o acesso em primeira mão ao julgamento.

"O sistema judicial ainda é percebido como instituição que trata os ricos e famosos com luvas de pelica, enquanto é ríspido com os pobres e vulneráveis", disse o juiz. "Dar a uma grande parte da sociedade sul-africana a oportunidade de seguir em primeira mão um processo criminal que envolve uma celebridade  vai ter um grande alcance no desfazer dessas percepções negativas e infundadas", argumentou o juiz.

Mlambo impôs diversas condições, incluindo ressalvas de que nenhuma gravação vai ser permitida durante os intervalos e que nenhuma comunicação confidencial entre as partes envolvidas no julgamento vai poder ser gravada.

O juiz determinou ainda que as câmaras não vão poder fazer "fechos extremos" nem gravar depoimentos de testemunhas sem o seu consentimento.
Mlambo afirmou que o juiz responsável pelo julgamento pode ordenar a interrupção da transmissão “caso se torne aparente que a presença de câmaras impedem o direito de uma testemunha à privacidade e dignidade ou o direito do réu a um julgamento justo".