Jornal dos Desportos

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Justiça ordena entrega de amostras de sangue

16 de Junho, 2016

Juíza ordena a destruição das mostras para proteger os direitos fundamentais dos atletas envolvidos no uso de doping.

Fotografia: AFP

A justiça espanhola ordenou na terça-feira a entrega a distintas autoridades desportivas,  amostras de sangue apreendidas durante a 'Operação Porto,' contra o doping no ciclismo, para evitar o "perigo de que outros atletas sejam tentados a utilizar o doping".

A Audiência Provincial de Madrid atendeu os recursos da Federação de Ciclismo de Espanha, da União Ciclista Internacional, da Agência Mundial Antidoping (Wada) e do Comité Olímpico Italiano contra a decisão da magistrada que julgou o caso em primeira instância.

A juíza ordenou a destruição das mostras para proteger os direitos fundamentais dos atletas envolvidos.A Audiência considerou que a entrega das bolsas de sangue aos distintos organismos que apresentaram recursos, para a análise e comparação com as suas próprias bases de dados, é "proporcional ao atender que o fim perseguido é lutar contra o doping".

Os juízes do tribunal de apelação insistiram, que sem a entrega das bolsas, "gera-se o perigo de que outros atletas possam ver-se tentados ao doping, além de emitir uma mensagem social negativa de que os fins justificam os meios".

A 'Operação Porto' explodiu em 23 de Maio de 2006, quando Eufemiano Fuentes, ex-médico de várias equipas de ciclismo espanholas, foi detido ao lado de quatro pessoas, pela Guarda Civil.  As ações de busca na época, permitiam a apreensão de mais de 200 bolsas de sangue e plasma, que permanecem armazenadas num laboratório de Barcelona. A justiça também absolveu na terça-feira os dois únicos réus condenados no caso: Fuentes, considerado o líder da rede de doping sanguíneo, e o preparador físico Ignacio Labarta.
 
Fuentes foi condenado em Abril de 2013 a um ano de prisão por um "crime contra a saúde pública", enquanto Labarta foi condenado a quatro meses de prisão, como "cúmplice".
O tribunal recordou que o sangue utilizado nas transfusões por Fuentes não é um medicamento, "e não constando que fosse tratado com medicamentos, a sua conduta não tem relação com o delito imputado" contra a saúde pública.