Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Justin Gatlin é o mais odiado do atletismo

26 de Agosto, 2015

"Mostrei ao mundo que é possível fazer isso (vencer) estando limpo.

Fotografia: AFP

Justin Gatlin está a correr mais rápido do que nunca aos 33 anos de idade. O norte-americano fechou os 100 metros rasos do Mundial de Beijing'2015 com os cinco tempos mais rápido na prova. Na meia-final, fez 9s77, a melhor marca de todo o campeonato. Se tivesse repetido na final, seria ouro, mas perdeu a medalha por um centésimo.

A melhor marca na carreira do atleta foi estabelecida em Maio deste ano, em Doha: 9s74. É a melhor registada desde 2012, quando Bolt foi campeão olímpico em Londres com 9s63. Desde que regressou às pistas, depois de cumprir uma suspensão de quatro anos por doping, a segunda da sua carreira, os seus tempos estão a melhorar, consistentemente, ano a ano (com excepção de 2013). Em 2010, voltou com 10s09. Em 2012, correu na casa de 9s79. Em 2014, fez 9s77. Agora, deve fechar o ano como o número um do mundo pelo segundo ano consecutivo.

O medalhista de ouro de 100 metros rasos nos Jogos Olímpicos de Atenas'2004 e Mundial de Helsínquia«2005 não desperta respeito nem admiração. Pelo contrário, é a pessoa mais odiada no atletismo em dia em dia. No Mundial de Beijing, foi vaiado muitas vezes pelo público chinês. O velocista está a ser condenado pelo seu passado.

Justin Gatlin cumpriu duas suspensões por doping. A primeira aconteceu em 2010, quando ainda era atleta universitário e consumiu estimulantes. O culpado foi um remédio usado para tratar déficit de atenção. A punição seria de dois anos, mas teve pena reduzida após o segundo julgamento. A outra suspensão ocorreu em 2006, quando os testes apontaram presença de testosterona. Desta vez, Gatlin culpou um massagista pelo exame positivo.

O atleta afirmou que o médico usou uma substância proibida para prejudicá-lo. Teoricamente, Gatlin deveria ter sido banido do desporto por ser reincidente, mas como a primeira punição foi atenuada, cumpriu apenas oito anos de suspensão. A pós uma nova apelação, teve a sua pena mudada mais uma vez, com o tempo de suspensão diminuída para quatro anos. Muita gente no atletismo é contra o seu regresso às pistas.

No ano passado, o campeão olímpico do disco, Robert Harting, pediu para deixar a lista de melhores da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo) ao ver o nome de Gatlin. Harting considerou um insulto aparecer ao lado de um atleta que já tinha sido punido por doping. O britânico Sebastian Coe, bicampeão olímpico eleito recentemente presidente da IAAF, admitiu o desconforto. O dirigente ressaltou que "não existe nenhuma regra que o proíba de competir".

"Depois de tudo o que já disse, não posso negar que fico incomodado ao pensar em alguém que foi suspenso por uma ofensa séria possa continuar a competir e ganhar títulos mundiais", disse antes do arranque do Mundial. Após a medalha de prata no Ninho de Pássaro, o agente de Gatlin, Renaldo Nehemiah, disse que o corredor não vai mais falar com a imprensa do Reino Unido, incluindo a BBC, uma das detentoras de direito do Mundial.

Renaldo ressaltou que os britânicos, em especial a BBC, "estão a ser extremamente injustos com Gatlin; nada positivo é comentado há algum tempo. Cada matéria envolve apenas doping e tratam-no como um vilão. Para manter a dignidade e respeito próprio, Gatlin sente que o melhor é não falar com eles". Após a final de 100 metros rasos, Justin Gatlin foi questionado ao menos três vezes sobre o doping e deu respostas curtas para mudar o tema. Bolt também deu uma insinuação sobre o seu rival após a vitória.

"Mostrei ao mundo que é possível fazer isso (vencer) estando limpo. Sempre me dediquei muito. Para mim. trata-se de trabalho duro e dedicação; foco no objectivo", disse Usain Bolt. Justin Gatlin e Usain Bolt voltam a estar em disputa na final de 200 metros rasos a realizar-se amanhã na pista de tartan do Estádio Ninho de Pássaro na capital chinesa.

CAMPEÃO MUNDIAL
Fajdek paga ouro ao taxista


O polaco Pawel Fajdek precisou da ajuda da polícia chinesa para recuperar a medalha de ouro que conquistou no último domingo, na prova do lançamento de martelo do Campeonato Mundial de Atletismo de Beijing. O atleta teria abusado da bebida nas comemorações pelo feito e chegou a pagar um táxi com o objecto.O episódio aconteceu na viagem de regresso do restaurante, em que o polaco jantou, após o triunfo, para o hotel onde está hospedado. Ao se dar conta do que tinha feito, horas depois, Fajdek accionou a polícia local.

Quando os agentes da Polícia localizaram o taxista e conseguiram recuperar o objecto, ouviram do motorista que o polaco tinha pago a corrida com ela. Na versão de Fajdek, teria perdido a medalha no carro. Aos 26 anos, o atleta facturou o título mundial com um arremesso de 80,88m. O tadjique Dilshod Nazarov e o também polaco Wojciech Nowicki ficaram com as medalhas de prata e bronze.Pawel Fajdek já havia sido campeão do mundo na edição de Moscovo, em 2013.

BARREIRAS
Queniano Nicholas
é campeão mundial


O queniano Nicholas Bett mostrou ontem que o seu país não brilha apenas nas provas de meio-fundo ao se sagrar campeão mundial dos 400 com barreira, no "Ninho de Pássaro", com o tempo de 47 segundos e 79 centésimos, que constitui a melhor marca da temporada. O atleta de 23 anos conquistou a terceira medalha de ouro do seu país neste Mundial, depois do tetracampeonato de Eezequiel Kemboi nos 3.000 com obstáculos e do "bi" de Vivian Cheruiot nos 10.000, ambos na passada segunda-feira.

Bett deixou para trás o russo Denis Kudryavtsev (prata, 48.05, novo recorde nacional), e Jeffrey Gibson, de Bahamas (bronze, 48.17). O experiente americano Kerron Clement, bicampeão mundial em 2007 e 2009, ficou apenas em quarto, perdendo o pódio por apenas um centésimo.