Jornal dos Desportos

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Karatecas entram na fase derradeira

Teresa Lus| Rabat - 22 de Agosto, 2019

Fotografia: Dr

Em véspera do início do torneio de karaté, no próximo sábado, nos 12º Jogos Africanos de Rabat, os karatecas angolanos preparam-se com afinco com vista a conquista de medalhas no pavilhão multiusos Prince Moulay Abdallah.
Em declarações à imprensa, o técnico Carlos João garantiu que o grupo está pronto para começar a competir.
“Os treinos decorrem sem sobressaltos. Nesta fase, o grupo já está pronto. Vamos competir com três atletas de categoria pesada. Contamos com Aldovandi Muhongo, nos -74 Kg, Tuissana Daniel, -84 kg, e Adilson Neto, + 84kg. Os Jogos de Rabat são mais uma etapa das várias que temos para nos qualificar aos Jogos Olímpicos de Tóquio´2020”, disse.
Angola, Marrocos, Egipto e Camarões são os principais candidatos ao pódio. Carlos João fez saber que os egípcios são muito fortes, mas os combates não são iguais.
“Combatemos pela última vez no Africano de Brazzaville, em 2015. Eles são o alvo a abater. Cada categoria terá mais ou menos 40 a 50 atletas. Portanto, vamos ter muitos combates”, frisou.
Nas vestes de capitão, Adilson Neto assegurou haver equilíbrio em termos competitivos e, por essa razão, quem apresentar-se melhor, vai estar em condições de conquistar medalhas.
“Vai ser difícil, mas não é impossível subir ao pódio. Reconhecemos que não tivemos estágio pré-competitivo, mas os níveis motivacionais são altos. As dificuldades vivenciadas no início dos trabalhos fazem parte do passado. Todas as selecções merecem respeito. Se estão aqui, têm valor e vão demonstrá-lo no tatame”, garantiu.

Organização dos Jogos
gera descontentamento


Reclamações e insatisfação quase generalizada das distintas missões marcam a disputa da 12ª edição dos Jogos Africanos na cidade marroquina de Rabat até 31 do corrente com o selo da Associação Nacional dos Comités Olímpicos Africanos (ACNOA).
A extensão da prova em seis cidades, os diferentes postos de acreditação e as três Vilas Olímpicas são os primeiros “tira-teimas” das delegações. Antes, a burocracia para a cedência de visto junto das representações diplomáticas é apontada por alguns chefes de missão como “aquecimento prévio”.
Segundo fonte do Jornal dos Desportos, inovar é bom, mas deve ser feito de forma paulatina de modo a evitar choques.
“Trabalho nos Jogos pela quarta vez consecutiva. Marrocos tem excelentes instalações desportivas. É um país onde as coisas funcionam. Não precisavam de espalhar a prova em tantas cidades. Em Rabat e Casablanca tudo estaria resolvido. Três Vilas com condições diferentes não faz sentido”, desabafou.
Nos alojamentos, ainda segundo a fonte, há escassez de produtos básicos: “a comida e a água nunca chegam. O almoço começa a ser servido às 12h00. Se chegares às 13h00, comes as migalhas. A selecção de andebol feminino jogou às 12h00 no primeiro dia. Quando regressámos, não tinha comida. No dia seguinte havia jogo marcado. Não há gelo, papel higiénico, sabonetes”, disse.
Por sua vez, o comissário do ACNOA, João Alegre reconheceu as falhas, mas argumenta ser normal em eventos de grande envergadura, pois Marrocos teve pouco tempo para se organizar.
“Há problemas de acreditação e vistos de entrada. Há rigidez em determinadas situações. Mas tudo está a ser resolvido. Apesar de alguns constrangimentos, no cômputo geral, a avaliação é positiva. Esperamos que as pessoas saiam daqui satisfeitas. Os erros são normais”, defendeu.
Ghana acolhe a próxima cimeira desportiva, segundo revelou o comissário, e já trabalha com o ACNOA de modo a não repetirem as falhas.
Relativamente à questão das dívidas, João Alegre sem evasivas disse: “é o problema político entre os ministros dos desportos e a União Africana. Os atletas não devem ser penalizados. Os chefes de missão devem pagar as taxas de participação. As outras dívidas devem negociar com a União Africana”.