Jornal dos Desportos

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Modalidades

Kerber levanta troféu

31 de Janeiro, 2016

Vitória de Angelique Kerber recoloca Alemanha no topo de um Grand Slam

Fotografia: APF

O troféu do Open da Austrália'2015 está na galeria de Angelique Kerber. A alemã conquistou ontem no Melbourne Park o seu primeiro título de um Grand Slam. Kerber derrotou na final Serena Williams por 2 sets a 1 com parciais de 6-4, 3-6 e 6-4. 

A vitória da sétima cabeça de série do Open da Austrália sobre a norte-americana tem semelhanças históricas. Em 2007, a actual líder do ranking chegou a Melbourne sem constar da lista das potenciais candidatas. Na final, Serena Williams superou a então líder do ranking da WTA, a russa Maria Sharapova.

Angelique Kerber tem sonhos iguais a de Serena. A força dentro da alemã superou a de toda poderosa líder do ranking. Ontem, Serena Williams entrou no Rod Laver Arena para fazer a história: conquistar o 22º título de Grand Slam e empatar com Steffi Graf no ranking. O sonho foi desfeito. No outro lado da quadra estava uma alemã disposta a impedir a igualdade.

Aos 28 anos de idade, Angelique Kerber disputou a sua primeira final de Grand Slam. O sacrifício da alemã desenhou-se cedo demais. Nada tinha a perder. O desejo de pôr fim ao jejum alemão, que perdurava desde 1994, quando Steffi Graf levantou a taça do Open da Austrália pela última vez, era o único gerador da força interior. Uma derrota não seria incomum. Diante de si, estava a número 1 mundial.

Angelique lançou-se ao jogo. Com ataque rápido, a alemã jogou um ténis firme e solto. A alemã conseguiu a primeira quebra logo no terceiro game e obrigou a Serena Williams fazer um jogo atípico.  Com 4 a 3 no placar, Angelique não sentiu a pressão e conseguiu o que ninguém havia feito na edição de 2016 do Open da Austrália. A norte-americana perdeu o primeiro set, algo que não acontecia em decisões de Grand Slam desde o Open dos Estados Unidos da América de 2011.

Para reaver o sonho, Serena teve de ser Serena. Com devoluções fortes e muitos gritos a cada pontuação, a norte-americana quebrou no segundo set o quarto game e não deu a menor oportunidade à adversária. no final a vitória.

Angelique sempre estava na cola de Serena e não importava o que a norte-americana faria. No terceiro set a alemã deu evidências que jogava para vencer: quebrou o segundo game e boa vantagem no placar. Serena respondeu com violência e devolveu a quebra: empate no jogo. A força de Serena estagnou aí. Angelique parecia incansável, mesmo depois de duas horas. Corria por todos os lados, contra-atacava com força e obrigava Serena a esforçar-se de maneira nunca visto no Open da Austrália. Na primeira oportunidade de sacar, sentiu a pressão e foi quebrada. A pressão virou raiva: a alemã atirou a raquete para longe. No reatamento, Angelique contou com erros não forçados da Serena Williams e conseguiu a quebra. Pela primeira vez, a norte-americana perdeu o terceiro set de uma final de Grand Slam.

Angelique é a segunda tenista a conseguir um título, um ano depois de um resultado ruim. O feito anterior era de Kerry Melville, em 1977. Por outro lado, faz parte do selecto grupo que venceram Serena Williams numa final de Grand Slam. Da lista constam a irmã Venus Williams (US Open'2001 e Wimbledon'2008), Samantha Stosur (US Open'2011) e Maria Sharapova (Wimbledon'2004).

A vitória de Angelique Kerber protege o recorde da sua compatriota e recoloca a Alemanha no topo de um Grand Slam. Em 1999, Steffi Graf havia sido a última a conseguir o feito em Roland Garros. Entre os homens, o último a ser campeão foi Boris Becker, no Open da Austrália, em 1996.


"Sinto-me fora do real"

Ninguém acreditou na vitória da sétima melhor classificada do mundo, a alemã Angelique Kerber, na final contra uma lenda viva do ténis, Serena Williams, a indiscutível número 1. A Aalemã Kerber fez a história acontecer.

Desde o primeiro game do jogo, mostrou personalidade e atitude no jogo, bateu a potência de Serena frente a frente.

Com devoluções perfeitas, a norte-americana simplesmente não acreditou no que estava para acontecer. Rebateu saques a 190 km/h (algo incomum no feminino), Kerber ganhou a confiança aos poucos e fechou o primeiro set com uma quebra de serviço para cima da norte-americana, 6/4.As palavras após o confronto revelam a dimensão do feito de Angelique Kerber.

"Sinto-me fora do real. Não estou a acreditar até agora que realizei esse feito”, disse a alemã. Foi a primeira final de Angelique Kerber de Grand Salam e conseguiu um feito inédito na sua carreira. Agora, a sétima do mundo vai dar um salto imenso no ranking e vai chegar ao quarto lugar da tabela.

ELOGIA O MESSI
Finalista vencida do Open da Austrália, Serena Williams não poupou elogios a Lionel Messi ao ser questionada sobre quem são os desportistas que mais admira. Aliás, Messi foi o único citado pela norte-americana que não joga ténis.


INDIAN WELLS

Venus Williams
encerra boicote


A norte-americana Venus Williams decidiu acabar com os 15 anos de boicote ao Indian Wells e vai voltar a competição em Março. Venus deixou de actuar na competição norte-americana desde 2001 sob a alegação de racismo contra ela e a sua família.

Em 2001, Venus, a sua irmã Serena e o pai da dupla, Richard Williams, sofreram racismo por parte de adeptos que participavam da competição. Desde então, a família não participa de Indian Wells. O boicote da número 1 do mundo terminou em 2015.O chefe executivo do torneio, Raymond Moore, disse em comunicado: "Estamos entusiasmados em dizer que Venus Williams, umas das maiores tenistas da história, está de volta. Os nossos adeptos apoiaram Serena WIlliams, no ano passado, e não vai ser diferente com Venus".

O prestígio das irmãs Williams mexeram com as contas financeiras do torneio. O regresso das "manas" é imperioso.

HISTÓRICO
Em 2001, Venus Williams desistiu da prova depois de ter sido diagnosticada uma tendinite. A ausência da estrela da época desagradou alguns adeptos que ofenderam a actual número 1 mundial antes da final contra Kim Clijsters. A atitude dos adeptos irritou a família Williams. A partir de então, as duas irmãs Williams resolveram boicotar o torneio Indian Wells e não jogaram mais.

Em 2015, depois de 14 anos afastada, Serena Williams voltou a disputar o torneio californiano. Na estreia, defrontou Monica Niculescu, algoz da sérvia Aleksandra Krunic, na primeira ronda com parciais de 6-2 e 6-1. Nas meias finais, a norte-americana deixou a competição por conta de uma lesão no joelho.

Antes do regresso à quadra, Serena Williams havia anunciado que regressava à competição pelo "amor ao desporto". "É com esse amor à cabeça e com o novo entendimento do que é o perdão, anuncio que volto a Indian Wells", disse  na época.

Desde o fatídico dia, muita coisa mudou no circuito e na carreira de Serena. A caçula das irmãs Williams conquistou diversos títulos e consolidou-se como uma das principais tenistas da história. É a terceira maior campeã de Grand Slam, a quarta que mais tempo ficou como número 1 do mundo e a décima que mais venceu jogos na WTA.Do actual top 10, apenas a líder do ranking já era profissional naquele torneio. Número 2 do mundo, a russa Maria Sharapova iria disputar o seu primeiro torneio no circuito um mês depois de Indian Wells'2001. Do top 10, de 14 anos atrás, as irmãs Williams são as únicas que continuam em actividade.


MASCULINO
Murray e Djokovic jogam final hoje


O Rod Laver Arena acolhe hoje a final da chave masculina do Open da Austrália. Novak Djokovic e Andy Murray disputam pela quarta vez a final do primeiro Grand Slam da época. O histórico coloca o tenista sérvio em vantagem. Novak Djokovic venceu as finais de 2011, 2013 e 2015. O currículo do número um mundial ainda conta com vitórias de 2008 (contra Jo-Wilfried Tsonga) e 2012 (contra Rafael Nadal). Murray colecciona também derrota na final de 2010 (diante de Roger Federer).

Novak Djokovic disse ontem ter a ciência de que pode fazer história no ténis. Caso conquiste o título contra Andy Murray, hoje, o sérvio vai igualar a Rod Laver, com 11 títulos de Grand Slam.

"Tenho a consciência de que posso fazer história; trabalho para chegar a esse momento. É só um jogo e vou enfrentar um dos melhores tenistas do mundo", disse.

Após três vitórias sobre Andy Murray na final do Open da Austrália, Djokovic acredita que não vai ter a vida facilitada diante do britânico.

"Conhecemo-nos perfeitamente. Somos da mesma geração e não vai haver surpresas nesse sentido. Andy é um campeão de Grand Slam e merece todo o meu respeito", completou.A qualidade técnica de Djokovic contrasta com a de Murray. O tenista sérvio é calculista e dispõe de saques muito fortes. Movimenta-se com perfeição na quadra e está a atravessar bom momento desportivo. Depois de superar nas meias finais Roger Federer, a vitória sobre Murray é uma questão de confirmação.Do outro lado da quadra está um britânico. O campeão olímpico de Londres'2012. Murray está motivado e refeito do esforço aplicado nas meias finais em que derrotou o canadiano Milos Raonic. A conquista do título é o objectivo.Andy Murray é conhecido pelo seu jogo na rede. O britânico joga em cima do adversário, uma técnica que surtiu efeito até o momento no Open da Austrália. Diante de Novak Djokovic, dono de um direita forte e de um saque muito rápido, Andy Murray vai ter de se precaver de ascensão à rede.

O britânico garantiu a vaga à final do primeiro Grand Slam a época, depois de superar Milos Raonic por 3 sets a 2 com parciais de 4-6, 7-5, 6-7 (7-4), 6-4 e 6-2. O esforço empreendido nas meias finais do Open da Austrália espelha o cansaço. O confronto, que serviu para desempatar o histórico, foi de ensaio das técnicas para a final.Andy Murray ralha-se sempre que falha. A irritação é compensada por um apoio vindo das bancadas. Uma pequena falange de adeptos, que se faz apresentar de vestuários com o nome do jogador timbrado, cantam entre um game e outro. O carinho eleva a motivação do jogador britânico. Diante de Raonic, Murray levantou a claque ao forçá-lo um erro, que terminou na quebra no game a seguir, depois de 75 minutos de jogos: 1 a 1.

Para o jogo de hoje, Andy Murray e Novak Djokovic já se defrontaram 30 vezes e o sérvio tem ampla vantagem. Deste número, o líder do ranking mundial colecciona 21 vitórias. Desde 2014, defrontaram-se 11 vezes e o britânico tem apenas uma vitória.