Jornal dos Desportos

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Kimani conquista primeiro ouro

09 de Setembro, 2016

O fundista queniano superou o brasileiro na recta final dos 5000m

Fotografia: AFP

O queniano Samwel Mushai Kimani conquistou ontem a primeira medalha de ouro dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro com o tempo de 15min16s11, na classe de T11, para deficientes visuais totais. Na prova de 5000 metros, a medalha de prata ficou com o brasileiro Odair Santos, a primeira do país anfitrião.  

A vitória do queniano foi alcançada na parte final do percurso. A prova começou no ritmo lento para todos os corredores. A estratégia dos atletas juntou-os em bloco. Após dez minutos de prova, o brasileiro Odair Santos assumiu a liderança com certa tranquilidade. Quando tudo apontava para a vitória, nos últimos metros foi ultrapassado por Samwel Mushai Kimani. O sonho de ouro caiu por terra.

Na sua terceira participação, Odir Santos disputa a competição como deficiente visual completo na T11. Perdeu totalmente a visão em 2010. Antes, disputou as provas de Atenas'2004 e Beijing'2008. De 35 anos de idade, o brasileiro é o actual campeão mundial de 1500 metros.

UTILIDADES
DOS JOGOS

Os Jogos Olímpicos do Rio tiveram como uma das suas principais bandeiras a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente desde a cerimónia de abertura. No Parque Olímpico, o conceito ecologicamente correcto também foi empregado em larga escala com acções como a reciclagem de material não orgânico e a reutilização da água. A ideia é que alguns desses conceitos fiquem como legado após o fim das competições.

MENOR PIRA
DA HISTÓRIA

Os Jogos do Rio tiveram a menor pira olímpica de todas as edições. A pira que está na praça Mauá, região portuária da capital carioca, foi feita em um tamanho reduzido para consumir menos combustível e emitir menos gases poluentes. A ideia do Comité era usar a chama como um gesto simbólico para consciencializar a população e para que as pessoas repensem a sua forma de consumo.

ÓLEO SERVE PARA
SABÃO E BIODIESEL

Litros e litros de óleo de cozinha foram usados para o preparo da comida dos atletas na Vila Olímpica e dos espectadores do Parque Olímpico. Mas todo o óleo que seria descartado não vai para o lixo. É captado para ser transformado em combustível biodiesel e em sabão em barra. O sabão substitui o detergente que é considerado altamente poluente. Segundo dados do Rio 2016, cada litro jogado na rede de água pode poluir até mil litros. O projecto chamado Prove foi feito em parceria do Rio 2016 com o governo do Estado. Em todas as cozinhas da Vila e do Parque Olímpico, foram colocados galões onde são depositados todo o óleo usado. Esse material é encaminhado para as cooperativas da Ecoponto que repassam para as indústrias.

FEZES DE CAVALOS
SERVEM DE ADUBO

Os cavalos super premiados que passaram por Deodoro nas competições de hipismo e pentatlo moderno também deixaram um legado para o Rio de Janeiro. A Rio 2016 fez um projecto em parceria com a prefeitura do Rio de Janeiro para transformar as fezes dos animais em adubo que é usado na jardinagem de praças e parques da cidade. Após as competições, o resíduo formado pelas fezes dos animais junto com a palha é recolhido e passa por um processo chamado compostagem, um tipo de reciclagem do lixo orgânico em que micro-organismos, como fungos e bactérias, são responsáveis pela degradação de matéria orgânica. O material gerado vira um adubo rico em nutrientes que vai ser vendido para a Administração.

APROVEITAMENTO
DA ÁGUA DA CHUVA

Uma forma de evitar o desperdício nos Jogos é o aproveitamento da água da chuva no Parque Olímpico. Em diversas instalações, a água da chuva é captada por calhas no telhado que a encaminham para uma cisterna. Durante as competições, a água foi usada para o resfriamento do ar condicionado de arenas ou para regar jardins.


SUSANA SCHNARNDORF
O preço da superação


Ao contrário de muitos atletas que se preparam para uma competição olímpica com a perspectiva de um desempenho cada vez melhor, a nadadora brasileira Susana Schnarndorf Ribeiro disputa os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro sabendo que está pior do que há dois anos e que continua a ser assim.

Em entrevista à BBC Brasil, a nadadora disse: "Actualmente, tenho 40 por cento de capacidade respiratória. Agora diminuiu muito o número de braçadas que dou sem respirar. Já cheguei a passar mal, ter queda de pressão. É complicado para uma nadadora não ter ar".

Susana Schnarndorf Ribeiro reconhece a debilidade, mas está ciente da responsabilidade que leva nos ombros.

"Sei que não faço mais o tempo que fazia antes, mas preparei-me muito para esses Jogos. Farei o melhor que consigo agora", disse.
Aos 48 anos de idade, Susana convive há 12 anos com a Atrofia de Múltiplos Sistemas (MSA), uma doença degenerativa rara.