Jornal dos Desportos

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Kimi Raikkonen supera Senna

06 de Abril, 2016

Raikkonen com a disputa do último Grande Prémio soma oitenta e um pódios contra oitenta do tricampeão brasileiro

Fotografia: AFP

A actuação de Kimi Raikkonen que o guindou ao segundo lugar no GP do Bahrein, rendeu-lhe elogios do chefe da Ferrari, Maurizio Arrivabene. E, ainda resultou numa marca importante para o finlandês que superou Ayrton Senna e entrou no top 5 dos pilotos com mais pódios na história da Fórmula 1.

Raikkonen disputou o seu 234º GP, encaixa agora a soma de 81 pódios contra 80 do tricampeão brasileiro que obteve em 162 provas. O campeão de 2007, contudo, não é o piloto em actividade com mais pódios, por ter sido superado por Lewis Hamilton que tem 89 e por Fernando Alonso com 97 pódios. A estatística é liderada por Michael Schumacher com 155 pódios, seguido por Alain Prost com 106.

A performance agradou a  Arrivabene. "Acho que a maneira como Kimi pilotou durante a prova foi espectacular, absolutamente espectacular. A ultrapassagem por fora em cima de Ricciardo lembrou-me do piloto dos velhos tempos."

No entanto, a Ferrari sente que a partida ruim do finlandês comprometeu um resultado que podia ter sido até melhor. "Talvez - e destaco que apenas talvez - ele comprometeu a vitória na corrida. Não estou a  inventar nada", disse Arrivabene que explicou o porquê dos primeiros metros do único carro da Ferrari que disputou o GP do Bahrein - depois de Sebastian Vettel ter uma quebra de motor na volta de apresentação - terem sido ruins.

"Ouvi dizer, que provavelmente ,o dedo dele escorregou da embraiagem. É algo que acontece. Mas o que ele fez depois foi inacreditável."

ECCLESTONE
ATACA PILOTOS

A recente revolta manifestada pelos pilotos devido ao actual estado da Fórmula 1 não está a  agradar ao chefe da categoria, Bernie Ecclestone. Para o dirigente, não é papel deles dar opiniões sobre como o desporto devia ser dirigido.

"Qual é o interesse dos pilotos para além de tirar dinheiro do desporto? Nunca vi nenhum deles investir nenhum dólar. Você janta com eles e nem sequer pagam a conta. Não devia ser permitido que falassem.

Eles deviam entrar no carro e pilotar." Nas últimas semanas, liderados pelos campeões do mundo, os pilotos fizeram uma série de críticas à Fórmula 1, que vão desde a necessidade de poupar o equipamento durante as corridas para impedir que eles forcem o ritmo o tempo todo, até à decisão unilateral da FIA de mudar o sistema de classificação.

Por meio da sua associação, a GPDA, os pilotos chegaram a formalizar suas reclamações por carta, em pediam mudanças na forma como as alterações nas regras são feitas e pediam que tivessem participação.

Para o dirigente, a solução para os actuais impasses da categoria é simples: retirar as equipas do processo decisório. "Talvez o que devêssemos fazer é permitir que a FIA escrevesse as regras e perguntar se as equipas querem entrar no campeonato. Não deviamos pedir a opinião deles, só se eles querem entrar no campeonato."

Actualmente, o chamado Grupo de Estratégia, a FIA, Ecclestone e as cinco melhores equipas do campeonato têm direito a voto, é quem define a maior parte das regras. Quando houver necessidade de mudar algo durante a temporada, como no caso do actual impasse a respeito do treino classificatório, é necessário ter unanimidade entre todas as equipas.


REACÇÃO
Mercedes está preocupada com partidas más

A Mercedes começou a temporada de 2016 da mesma forma que terminou as últimas duas: a ganhar corridas. Porém, o chefe da equipa, Toto Wolff reconhece que as más partidas, especialmente de Lewis Hamilton, são motivos de grande preocupação para o restante do ano.

"Acreditamos que é mais uma questão de hardware do que da parte electrónica. E não dá para resolver isso, de uma corrida para a outra", explicou o dirigente, Além disso, como o regulamento deste ano retirou uma das embraiagens utilizadas pelos pilotos na largada, a chance de erros aumentou. "É meio aleatório.

A partida de Nico na volta de apresentação, por exemplo, foi ruim porque ele seleccionou a segunda marcha e o motor morreu. Então, é possível que tudo tenha a ver com essa mudança das regras."

Os pilotos da Mercedes não tiveram grandes partidas nas duas primeiras provas. No caso de Hamilton, toques nas primeiras curvas na Austrália e no Bahrein acabaram por complicar ainda mais a situação e fazer com que o britânico tivesse de fazer prova de recuperação para chegar a dois pódios. Já Rosberg não teve prejuízos tão grandes e venceu as duas provas.

Porém, isso não é suficiente para a Mercedes. "Estamos a trabalhar para resolver isso, a maneira como os pilotos apertam a embraiagem e como nós a calibramos. Obviamente, a maneira como o piloto está a usar o equipamento precisa de ser optimizada. Mas o principal é a nossa colaboração com a Daimler para optimizar o hardware, e isso leva tempo.


CLASSIFICAÇÃO
Polémica continua


Após uma chuva de críticas na segunda prova em que foi adoptado um sistema de “dança das cadeiras” na classificação da Fórmula 1, os dirigentes da categoria não  chegaram  a consenso sobre a substituição do formato, o que estende a novela para a  China, daqui a duas semanas.

A exemplo do que já  aconteceu após a classificação da Austrália, os chefes de equipa  reuniram-se no paddock no Bahrein com o presidente da FIA, Jean Todt, o promotor Bernie Ecclestone e o representante da Pirelli, Paul Hembery, para decidirem o que fazer com o formato.

A maior parte das equipas opinam o regresso ao sistema usado até o final do ano passado, mas os dirigentes recusam-se a voltar atrás. Tanto, que uma terceira possibilidade - dois treinos com tempos agregados, algo que chegou a ser usado por algumas etapas em 2005, antes de ser abandonado devido à ineficiência - começa a ganhar força.

"Eles disseram que voltar para o formato de 2015 não era aceitável, porque  não era bom o bastante", revelou o chefe da Mercedes, Toto Wolff que é um dos mais descontentes com o impasse. No formato que está actualmente em vigor, os pilotos são eliminados a cada 90s a partir de determinado tempo em cada uma das três fases da classificação - Q1, Q2 e Q3.

Porém, tanto na Austrália quanto no Bahrein, como o número de jogos de pneus é limitado, os pilotos optaram por não permanecerem na pista para melhorar os seus tempos, esvaziando as sessões. Em ambas as ocasiões, por exemplo, o pôle - position foi conhecido mais de três minutos antes do fim do treino. "A FIA tem de aparecer com uma proposta pensada", defendeu Claire Williams.

"Tomara que seja uma solução que funcione para todos e que seja fácil para os fãs entenderem, além de fazer com que tenhamos mais carros na pista." Christian Horner, da Red Bull, salientou que é importante que se chegue a consenso, uma vez que o formato actual não pode perpetuar. "A questão é que se não chegarmos a um acordo, vamos ficar travados com o que temos agora e todos concordam que isso não está certo."