Jornal dos Desportos

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Kyrgios falha jogo das estrelas

12 de Fevereiro, 2017

Nick Kyrgios perde dois eventos por ambição desmedida

Fotografia: AFP

O futuro pertence a Deus. Essa frase responde o desejo de Nick Kyrgios. O tenista australiano é fã confesso de basquetebol norte-americano e sempre sonhou jogar entre as grandes estrelas da NBA. Num momento inesperado, o seu nome constou da lista dos potenciais candidatos a exibir-se no próximo dia 17 no Jogo das Estrelas.

Emocionado, Nick Kyrgios resolveu cancelar a sua participação no ATP 500 de Roterdão, onde constava como um dos principais rostos ao lado de outras "feras" mundiais para participar do jogo das celebridades. A menos de uma semana para a disputa, a organização divulgou as duas equipas de celebridades que vão juntar-se aos ícones da NBA nos Jogos das Estrelas. Para sorte do tenista, o seu nome não faz parte da lista definitiva. Nick Kyrgios perde dois importantes eventos.

Em Outubro do ano passado, o australiano anunciou a desistência do ATP 500 para ter a agenda preenchida pelo Jogo das Estrelas. No ano passado, a tenista canadense Eugenie Bouchard havia sido a convidada.

A decisão do tenista australiano irritou alguns membros do torneio da Holanda.  O director do evento e ex-tenista profissional, Richard Krajicek, criticou a decisão de Kyrgios de renunciar à competição.

"Não queremos alguém que considere o ténis secundário na sua vida. Queremos ver os melhores e Kyrgios coloca a sua paixão acima da sua profissão", disse.

CASO SHAPOVALOV

A desclassificação de Denis Shapovalov, no último fim de semana, no quinto e decisivo jogo entre Canadá e Grã-Bretanha, por ter atirado a bola ao juiz de cadeira por acidente, mereceu a reacção de Nick Kyrgios.

Na rede social Twitter, o australiano escreveu: "Shapovalov não vai receber uma suspensão. Isso é muito bom". Mais tarde, apagou a mensagem.

Kyrgios levou uma suspensão no fim do ano passado que o impediu de disputar os torneios nas últimas semanas da época.

A Federação Internacional do Ténis (ITF) não deixou passar a batida do canadiano de apenas 17 anos e aplicou uma multa de sete mil dólares.

Shapovalov lamentou o ocorrido e disse que foi um acidente.  Revelou ter ficado feliz, depois de ver que o árbitro de cadeira não sofreu nada de mais grave.

"Sinto-me muito sortudo por juiz estar bem. Se algo mais grave tivesse acontecido, não conseguiria perdoar-me e não sei se conseguiria deixar isso passar. Espero aprender com o que fiz e continuar em frente. Que isso me sirva de lição", afirmou o jovem canadiano em entrevista à Rádio BBC.

NADAL DESISTE
DE ROTERDÃO

Nick Kyrgios não é o único ausente do ATP 500 de Roterdão. Antes, Stan Wawrinka comunicara a desistência. Na prova que começa amanhã, a organização do torneio perdeu também o Rafael Nadal, que anunciou indisponibilidade no evento holandês.

"Lamento anunciar que não poderei jogar em Roterdão na próxima semana. Depois de perder alguns torneios no fim do ano passado, comecei bem nesta época e fiz um esforço significante durante os torneios australianos", declarou o canhoto de Mallorca em comunicado divulgado pelo torneio.

"Conversei com os meus médicos e aconselharam-me firmemente a ir com calma e descansar o meu corpo o suficiente antes de voltar a competir, evitando assim novas lesões. Entendo completamente o desapontamento dos fãs holandeses e agradeço a Richard (Krajicek) que entendeu o meu lado", complementou Nadal.

O director da competição, Krajicek lamentou uma ausência deste peso em cima da hora.

"É uma grande perda para nós, assim como para todos os fãs de ténis que gostariam de vê-lo a jogar em Roterdão. Tentamos um substituto à altura, mas isso se provou impossível", afirmou o ex-tenista profissional holandês.

Krajicek disse ter entrado em contacto com todos os top 5 e também com o suíço Roger Federer para negociar a participação, mas estava muito em cima da hora e as conversas não deram em nada. Com isso, o croata Marin Cilic assume a liderança do torneio, seguido pelo austríaco Dominic Thiem.


RECONHECIMENTO
Serena Williams deve estar ao lado de Muhammad Ali


O reconhecimento de Serena Williams como um dos maiores nomes da história do desporto mundial ganhou o apoio do ex-número um do mundo Andy Roddick. A norte-americana já havia falado que por ser mulher demorou a ser colocada no patamar dos melhores e agora foi o compatriota que resolveu endossar as suas palavras.

"Falar que ela é a melhor atleta mulher não deve ser tomado como ofensivo, até porque está na conversa com os atletas homens entre os maiores de todos os tempos. Temos de colocá-la no mesmo patamar de (Michael) Jordan e (Muhammad) Ali", disse Roddick em entrevista à ESPN norte-americana.

Além de destacar o valor de Serena como atleta, Roddick relembrou da importância da caçula das irmãs Williams como mulher.

"Esse é o respeito que merece. Além disso há tudo o que fez pelas mulheres no desporto", comentou o ex-tenista profissional, que vai entrar para o Hall da Fama do Ténis neste ano.

Serena é a maior vencedora de Grand Slam da Era Aberta, bateu a marca de 22 títulos da alemã Steffi Graf com a conquista do último Open da Austrália, a 23ª da sua carreira. Agora luta para igualar as 24 taças da australiana Margaret Court, que soma 24 troféus nos quatro principais torneios do circuito.


EM NOVEMBRO
Murray marca exibição com Federer


Uma exibição de peso com a presença do britânico Andy Murray e do suíço Roger Federer foi confirmada a semana finda. Os dois vão enfrentar-se no dia 7 de Novembro no The SSE Hydro, em Glasgow.

"Vai ser um espectáculo divertido de ténis com a participação do público, comédia e música, que vai servir para arrecadar dinheiro para a caridade", afirma a divulgação do evento, que não vai ter apenas a presença de Roger Federer e Andy Murray.

Também estão em acção o irmão mais velho de Andy, Jamie Murray, e dois ex-tenistas profissionais: o iraniano naturalizado francês Mansour Bahrami e o britânico Tim Henman.

Esta vai ser a segunda vez que o actual número 1 do mundo organiza uma exibição para arrecadar fundos para a Young People’s Futures, entidade da Unicef baseada em Glasgow. No ano passado, arrecadou 305 mil libras.

Andy Murray e Roger Federer vão enfrentar-se noutra partida beneficente neste ano, no dia 10 de Abril de 2017 em Zurique, desta vez em duelo organizado pelo suíço. Os fundos arrecadados são revertidos para a sua fundação que ajuda as crianças na África.


PAUSA
Halep volta a Indian Wells


O joelho esquerdo vai deixar a romena Simona Halep afastada do circuito até Indian Wells. Depois de abandonar o Premier de São Petersburgo a meio, a sentir dores no local, preferiu dar um tempo nos torneios para se recuperar totalmente e voltar com tudo.

"O meu joelho não está bom. Depois da minha última partida, senti um pouco de dor e seria arriscado continuar. Não vou disputar a Fed Cup, Doha e nem Dubai. Resolvi dar uma pausa para voltar bem em Indian Wells e Miami", declarou Halep em entrevista ao Digisport.

Ao sair da equipa que vai defender a Roménia hoje na terceira ronda do Grupo Mundial II da Fed contra a Bélgica dentro de casa, Halep é substituída por Patricia Maria Tig, actual 106 do mundo, que se vai juntar a Irina-Camelia Begu, Monica Niculescu e Sorana Cirstea.

Simona Halep sofre com uma tendinite no joelho desde o WTA Finals, em Outubro do ano passado. Neste ano, a romena venceu apenas duas partidas, passou das primeiras rondas em Shenzhen e São Petersburgo. Foi superada na estreia no Open da Austrália pela norte-americana Shelby Rogers.


DURANTE A SUSPENSÃO
Sharapova
desfruta lazer


Suspensa desde o dia 26 de Janeiro do ano passado e com regresso marcado para 26 de Abril, Maria Sharapova contou um pouco da sua rotina no tempo afastado das quadras. A russa não deixou de treinar, mas colocou outras coisas na sua rotina: treinou boxe, estudou em Harvard e começou a escrever a sua biografia.

Durante a participação no Urgant Late Night Show, um talk show da TV russa, a tenista contou que calçar as luvas foi a parte mais divertida nestes últimos meses.

"Tentei lutar boxe, pois precisava manter-me em boa forma. Foi bom, pois podia imaginar algumas pessoas na quais gostaria de bater", disse a jogadora de 29 anos sem especificar quem seriam os seus alvos.

Sharapova, que foi apanhada com a substância Meldonium durante o Aberto da Austrália de 2016, relatou outras coisas que fez no período.

"Antes, não podia imaginar o que poderia fazer num período de tempo tão grande. Tive quase 12 meses para pensar, ler livros, etc. Também tirei férias na Croácia, comemorei o Ano Novo no Havaí. Nunca estive em Londres como uma turista antes. Vi quase tudo que não havia visto quando jogava em Wimbledon", disse.

A tenista que fez um curso na Escola de Economia de Harvard para expandir o seu negócio de doces, contou ainda que escreveu a sua autobiografia.
"Escrevi um livro que vai ser lançado em Setembro. Primeiro, vai sair em inglês, depois traduzido ao russo", especificou.

Noutra entrevista, à agência Tass, Maria Sharapova disse que ainda é cedo para prever a sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio'2020, mas que gostaria bastante de ir à competição.

"Amaria jogar. Foi duro assistir às pessoas a competir nos Jogos Olímpicos do Rio enquanto estava impossibilitada de jogar", disse.