Jornal dos Desportos

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Leonel defende centro polivalente

Francisco Carvalho - 11 de Novembro, 2014

Leonel da Rocha Pinto esteve ladeado de António da Luz (à esquerda) na conferência de imprensa em alusão ao vigésimo aniversário

Fotografia: Nuno Flash

Os lançamentos de boccia, goall-bal e futebol para cegos em Angola estão condicionados à construção de infra-estruturas desportivas especializadas. O projecto do Comité Paralímpico Angolano (CPA) tem garantias de financiamento, mas a falta de um espaço para erguer um centro polivalente emperra o desejo da direcção liderada por Leonel da Rocha Pinto.

Falando em conferência de imprensa a propósito dos 20 anos do CPA, que se celebraram ontem em todo o país, Leonel da Rocha Pinto realçou a perda de um espaço no Zango. "O terreno, que nos havia sido atribuído de forma informal, foi vendido com o passar dos anos", disse.

O responsável assegurou que o centro polivalente do CPA é um projecto com valências desportivas que visam a manutenção do bom nome de Angola nos eventos internacionais. Comporta infra-estruturas para todas as modalidades paralímpicas. Com a sua construção, os talentos descobertos nas províncias podem desfrutar de um espaço para melhor acompanhamento e desenvolvimento das capacidades motoras.

A direcção de Leonel da Rocha Pinto aspira à preservação das conquistas nos eventos internacionais e a introdução de uma bolsa paralímpica para os atletas é outro projecto em carteira. A consolidação da Taça Lwini, do projecto Criança e a parceria com patrocinadores, em especial a British Petroleum, constituem outros objectivos.

No âmbito da reflexão sobre o percurso histórico do desporto paralímpico angolano, Leonel da Rocha Pinto destacou a medalha de ouro, conquistada por José Sayovo, no Campeonato do Mundo do Canadá. "O desporto paralímpico tem como missão ajudar os atletas a desenvolver a auto-estima" depois de serem submetidos de forma indirecta a vários processos de transformação social.

A adopção do nome Comité Paralímpico Angolano resultou de uma orientação do Comité Paralímpico Internacional (CPI), que defendia a uniformização da marca em todos os países membros. O país filiou-se naquela instituição internacional com a Federação Angolana de Desportos para Deficientes, criada em 1996.

O embrião foi a Associação dos Desportos para Deficientes de Angola (ADDA), constituída a 10 de Novembro de 1994. A ADDA respondeu a uma necessidade do Executivo angolano que se impunha na época. Face às reclamações de jovens inconformados com a sua situação física, resultante da guerra civil, as atenções viraram-se para o Hospital Militar Central, Centro Ortopédico Neves Bendinha, Hospital da Polícia Nacional, Centro Social de São Paulo e o Centro da Funda, que concentravam a maior parte de soldados feridos em combate.

O desporto serviu de meio de reintegração social. Sob a égide da Comissão de Apoio aos Mutilados de Guerra para actividades desportivas e recreativas começou um processo que se oficializou a 10 de Novembro de 1994 com a realização do primeiro campeonato provincial de Luanda de atletismo, no espaço adjacente ao Cine Atlântico. Hoje, o Comité Paralímpico Angolano tem representações em todas as províncias do país.

Em cada actividade desportiva movimenta mais de 200 atletas. A formação de treinadores consta da agenda anual e o país já beneficia dos dividendos da filiação no CPI. Vários acordos foram assinados com diferentes países. O presidente do CPA, Leonel da Rocha Pinto, acumula as mesmas funções no Comité Paralímpico Africano e tem assento no Comité Executivo do CPI. Para além de atletismo adaptado, o Comité Paralímpico Angolano realiza competições de futebol com prótese, basquetebol em cadeiras de rodas e natação.