Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Leonel Pinto termina no pdio

Pedro Futa e ROSA PANZO - 30 de Dezembro, 2019

Fotografia: Dr

A captação de \"sponsors\" e a aposta na formação de técnicos nacionais com o apoio da Agitos Fundation, instituição ligada ao Comité Paralímpico Internacional voltada ao desenvolvimento adaptado em África, marcaram o ano de 2019. A liderança de Leonel da Rocha Pinto potenciou diferentes modalidades paralímpicas, mormente, o atletismo, natação, basquetebol em cadeiras de rodas e halterofilismo.

Para o sucesso dos atletas, a celebração de acordos entre o Comité Paralímpico Angolano e a multinacional petrolífera BP-Angola foi um dos destaques da gestão de Leonel da Rocha Pinto. A parceria entre as duas instituições estipula a atribuição de um valor em kwanzas equivalentes a mil dólares norte-americanos por mês aos embaixadores José Chamoleia, Regina Dumbo, Befília Buio, Esperança Gicasso e José Sayovo, este último em regime vitalício.

As conquistas de 15 medalhas no meeting internacional de Tunis em atletismo paralímpico constituiu a glória dos angolanos. As cinco medalhas de ouro, igual número em prata e em bronze garantiram a qualificação de Angola ao campeonato do mundo de Dubai (Emirados Árabes Unidos), onde disputou as meias-finais.

No capítulo interno e administrativo, a direcção técnica realizou os meetings BP Angola e Unitel, os campeonatos nacionais de pista e de corta-mato. Por indisponibilidade financeira, não foi realizada a Taça Sayovo.

O número de praticantes, distribuídos em diferentes modalidades paralímpicas, aumentou para 800, um acréscimo de 30 por cento comparativamente o ano anterior.

Leonel da Rocha Pinto pode colocar o lugar à disposição em 2020 devido à conjuntura económica e financeira, aliada às vicissitudes administrativas de outras instituições enfrentadas ao longo do mandato. Desde o momento que assumiu o cargo à frente dos desportos paralímpicos, não consegue beneficiar de um terreno em Luanda para a construção de um Centro de Alto Treinamento. A falta de infra-estruturas próprias e o fraco apoio financeiro condiciona o desenvolvimento do desporto paralímpico. O Estado e a BP - Angola são os únicos patrocinadores.

A não conclusão das obras do Campo Olimpáfrica, avaliada em mais de dois milhões de dólares norte-americanos e localizado em Viana, defraudou as expectativas das selecções nacionais paralímpicas, que pretendiam aproveitá-lo para treinos.

Corridas com cambalhotas

O não pagamento de prémios da comissão que trabalhou na São Silvestre de Luanda de 2018 e dos vencedores dos campeonatos nacionais marcou o ano de 2019. Diante das dificuldades financeiras, o elenco liderado por Bernardo João não cruzou os braços e realizou todas as provas da Federação Angolana de Atletismo, nas quais se destacam a Taça de Angola, a Taça Herói Nacional, Campeonatos nacionais de pista e de corta-mato.

A internacionalização da Taça Herói Nacional foi um dos maiores ganho da Federação no ano que termina. A realização da primeira edição da Taça Cuima na província do Huambo elevou a massificação do atletismo na região planáltica.

Com a mesma finalidade, a Federação construiu uma pista na comuna de Quéssua, província de Malanje, para acolher provas de corta-mato. Para o sucesso do projecto, foi ministrada uma acção de formação de treinadores na localidade.

Em meio a dificuldades, o ano fica marcado pela presença de Angola no campeonato mundial de Qatar, em Doua. A atleta do 1º de Agosto, Neide Dias, foi a representante legal (12º lugar), depois de levar a bandeira Angola nos Jogos Africanos de Rabat, Marrocos. A meia-fundista militar custeou do seu bolso as despesas relacionadas com os dois eventos internacionais. Quer no estágio quer em Doua, Neide Dias não se fez acompanhar de nenhum membro da Federação.

Angola obteve a medalha de prata no meeting das ilhas Maurícias. A responsável pelo hastear da bandeira nacional chama-se Neide Dias.

A implementação de seguros de saúde obrigatório a todos os participantes da 64ª edição da São Silvestre de Luanda foi a maior novidade na recta final do ano. A Federação Angolana de Atletismo e a Empresa Nacional de Seguros (ENSA) assinaram um acordo que obriga a cada participante pagar o valor de cem kwanzas pelo seguro.

À semelhança de outros anos, a presença de atletas estrangeiros está em risco. A disponibilidade tardia das verbas solicitadas coloca os angolanos em pole position para  o pódio. Dos 18 milhões de kwanzas solicitados ao Ministério da Juventude e Desportos apenas quatro milhões entraram nos cofres da Federação. O dinheiro vai servir para comprar os bilhetes de passagem, alojamento e alimentação, bem como pagamento de prémios. 

Angola faz história em África   

  A classe Optimist angolana viveu o ano de 2019 em grande estilo. A selecção nacional dominou o campeonato africano decorrido de 25 de Agosto a 1 de Setembro nas Ilhas Maurícias. A equipa liderada por Moisés Camota voltou a evidenciar o \"profissionalismo\" dos jovens. A África e o mundo renderam a homenagem merecida.

O mérito pela performance de Ronâncio Paulo rendeu-lhe a medalha de ouro na categoria individual. Para a coroação de Angola, Armindo Sousa colheu a prata e Osvaldo da Gama ergueu a de bronze. Um pódio com a bandeira de Angola.

Na classe feminina, Aline Lourenço regressou a Angola com a medalha de ouro ao peito, ladeada de Joana de Brito com a prata.

A boa prestação dos velejadores levou-os à cidade alta, onde foram condecorados pelo Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço.

Angola inscreveu o nome no pódio do campeonato africano da Argélia. O treinador Manuel Lello \"ordenou\" o hastear da bandeira nacional pela conquista da medalha de bronze da classe 470. Pela primeira vez, o atleta conquistou uma medalha continental. Com a bronze, Angola falhou a qualificação aos Jogos Olímpicos de Tóquio\'2020. Rodney Goveinden (Ilhas Seichelles) e Aly Badawy (Egipto) foram os laureados com visto para as terras do sol nascente.