Jornal dos Desportos

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Lewis Hamilton é mistério na grelha

20 de Outubro, 2016

Lewis Hamilton não tem amigos e os colegas reconhecem que pouco sabem sobre o piloto

Fotografia: AF

As superstições acompanham a vida de Lewis Hamilton, na Fórmula 1. Quando o desfile de pilotos que antecede as largadas é feito num camião, Lewis Hamilton é sempre o último a subir e posiciona-se no mesmo canto, afastado dos demais pilotos, com o inseparável fone no ouvido.Na grelha, Lewis Hamilton não tem amigos e os colegas reconhecem que pouco sabem sobre o piloto, que faz a décima época na categoria, e luta pelo quarto título.

"É isolado e tem um jeito pessoal. Creio que não tem relação com nenhum piloto da Fórmula 1.  Respeito-o, à sua maneira. Cada um tem o seu jeito, assim como tem aquele que sorri demais e não se sabe se é pelo jeito pessoal ou outra coisa", revela Felipe Massa.Mesmo quem correu na mesma equipa com Hamilton, diz não desenvolver qualquer relação fora do âmbito profissional, com o piloto.

"Não passo tempo nenhum com Lewis. Não sei a pessoa que é, não o conheço. Mantém a vida privada longe de nós. Sempre que conversamos, é amigável, como deve ser. Afinal, estamos a fazer a mesma coisa,  estamos no nível máximo do desporto que amamos", disse Jenson Button. Os dois foram companheiros entre 2010 e 2012 na McLaren.

O isolamento de Hamilton aconteceu aos poucos, veio com uma mudança de postura do inglês, que passou a adoptar um visual diferente ao longo dos anos, especialmente depois de deixar a McLaren, no final de 2012. Nas medias sociais, Lewis também passou a expor mais os gostos e a vida pessoal. É o 'diferente' da turma.

Lewis Hamilton voa com o seu próprio avião, é músico nas horas vagas, não esconde que gosta da vida de solteiro. No paddock, destaca-se com os seus ténis de cano alto, meias coloridas, bermudas rasgadas e valiosíssimas correntes cravejadas de diamantes. Um visual bem diferente do garoto de 22 anos, protegido pela McLaren, que chegou à Fórmula 1 em 2007.

"Só de olhar, dá para ver que mudou. Fez várias tatuagens, hoje, veste-se de um jeito bem diferente. Mas não convivemos. Então, é difícil dizer", lembra Massa.Quem sentiu bastante a mudança foi o actual companheiro, Nico Rosberg. O alemão conheceu Hamilton na adolescência, quando os dois faziam parte da equipa de kart, da Mercedes. Mas a relação de amizade que existia entre os dois, que são vizinhos em Mónaco, hoje é diferente.

"A dificuldade entre nós dois, é que ambos somos muito competitivos. Então, é difícil ter uma amizade no momento" explicou o líder do campeonato, que tenta no quarto ano em que divide a Mercedes com Hamilton, vencê-lo pela primeira vez.Com ou sem amigos na grelha, a abordagem de Lewis Hamilton parece estar a dar certo, para o piloto mais vencedor da actual grelha, e terceiro com mais vitórias na história. O seu momento, no actual campeonato, não é dos melhores: sem vencer desde Julho, Lewis tem 33 pontos de desvantagem para Rosberg,  tenta reverter o quadro neste final de semana, no GP dos Estados Unidos.

 LIVRO
Ross Brawn desconfiou de Wolff  e Lauda


A história da Fórmula 1, registou de forma indelével, a passagem de Ross Brown. Uma das figuras mais icónicas da história recente da categoria rainha, está prestes a lançar um livro sobre a carreira. Com o título 'Total Competition', a publicação está prevista para ser colocada à venda na Europa, a partir de 3 de Novembro, foi escrita em conjunto pelo ex -presidente da Williams, Adam Parr.

Na obra, Brawn comentou a passagem pela Mercedes, encerrada ao fim de 2013. O ex-dirigente disse que deixou a equipa, que veio a tornar-se tricampeã do  de Construtores, por não confiar em Niki Lauda, presidente não -executivo, e em Toto Wolff, nomeado como director -desportivo da Mercedes, ao fim de 2012.

A relação de Brawn com a Mercedes começou em 2009. Naquela época, o britânico assumiu o espólio da Honda, que deixou a F1, e firmou um acordo com a fábrica alemã para o fornecimento de motores. A união resultou em sucesso inesperado e avassalador: com um ano de vida, a Brawn conquistou os títulos do Mundial de Construtores e de Pilotos, com Jenson Button. Ao fim daquele ano, o engenheiro vendeu a equipa à Mercedes, que voltava à F1 como equipa, em 2010, com Nico Rosberg e Michael Schumacher.

Os problemas de Brawn começaram, quando o britânico teve de compartilhar a gestão da equipa com Niki Lauda e Toto Wolff, que foi alçado ao posto de director -desportivo da Mercedes, após a saída de Norbert Haug, que se aposentou em 2012. No seu lugar, assumiu Wolff, que até então era accionista da Williams.

“O que aconteceu na Mercedes, é que pessoas que não podia confiar, foram-me impostas. Nunca soube muito o que estavam a tentar fazer. Niki dizia-me uma coisa. Então, ouvia-o a falar outra coisa”, escreveu.Ross Brawn, revelou que tomou conhecimento das críticas de Toto Wolff, dirigidas a ele por meio de uma conversa gravada pelo ex-chefe de equipa, Colin Kolles.

"Estava a lidar com pessoas que não sentiam confiança; eram as pessoas dentro da equipa, que me deixaram decepcionado, em termos de abordagem. No começo de 2013, soube que Paddy Lowe tinha assinado contrato para unir-se à equipa, e tinha assinado em Stuttgart. Quando confrontei Toto e Niki, culparam-se um ao outro, num encontro. Os dois apontaram um ao outro”, revelou.

O britânico acrescentou que "não podia confiar neste povo, não via futuro nisso, a menos se estivesse disposto a entrar em guerra e tirá-los de lá". "Não via futuro nenhum, com as pessoas que não sentia que confiasse”, disse.Ross Brawn disse que jamais viveu algo parecido na carreira. E, por não querer estar num ambiente de guerra, achou que o melhor era deixar a equipa. Desde então, o engenheiro chegou a ver o seu nome ligado à F1, novamente pela Ferrari, mas jamais Ross assumiu a vontade de regressar ao desporto.

“Nunca tinha enfrentado isso, e talvez não me sentisse apaixonado o bastante com todo o projecto para continuar à frente com isso”, assumiu. O engenheiro concluiu que a finalidade da complicação era tornar "Toto e Niki accionistas, o que foi uma decisão interessante para a Mercedes". Para Brown nunca entendeu "isso". "A visão da Mercedes era torná-los accionistas e ganhavam um maior respeito da equipa. Que eles, em parte, são donos da equipa. Por isso, ao tornarem-se accionistas, colocaram o seu dinheiro onde as suas bocas estavam”, finalizou.

RECOMENDAÇÃO
Motivos para ver
a corrida de Austin


Lewis Hamilton desembarca nos EUA em situação bem diferente, da que viveu há um ano, quando teve a oportunidade de fechar o campeonato a seu favor, e conseguiu. Agora, é Nico Rosberg quem determina as regras do duelo. Embora o alemão não tem como assegurar o título de forma antecipada, a confortável vantagem de 33 pontos dá-lhe o fôlego que Hamilton não tem, para o GP norte-americano. 

Aliás, a grande expectativa para a corrida texana, é acompanhar como vai ser a reacção (ou se será) do inglês no campeonato. E, as armas que Lewis vai usar na disputa contra o companheiro de Mercedes, vem de uma sequência vitoriosa na época. Já são quatro triunfos, nas últimas cinco etapas.  A favor do inglês está o histórico: nas quatro edições da prova, em Austin, Hamilton venceu três, inclusive nos últimos dois anos. E, foi lá também, que o britânico conquistou o seu terceiro título mundial de F1, no ano passado.
 
PAPEL DE COADJUVANTE
Como acontece com frequência neste ano, a grande questão para uma nova etapa da F1, é saber quem vai assumir o papel de coadjuvante, já que o protagonismo permanece nas mãos da agora tricampeã Mercedes. Nas últimas provas do calendário, a Ferrari ensaia uma recuperação, mas a verdade é que a Red Bull  apresenta-se mais competitiva.

Desde que assumiu a segunda posição no campeonato, após o GP da Alemanha, onde colocou os dois pilotos no pódio, a esquadra dos energéticos soma cada vez mais pontos do que a rival italiana. Já celebrou uma segunda vitória no ano, quando tirou proveito do abandono de Lewis Hamilton na Malásia, para vencer com Daniel Ricciardo. Enquanto isso, o último pódio ferrarista aconteceu em Monza, com o terceiro lugar de Sebastian Vettel.  E, neste momento, a classificação apresenta um reflexo dessa melhor fase da Red Bull. São 50 pontos de diferença, entre as duas adversárias.  A Ferrari pode buscar nos resultados do ano passado, uma inspiração. Afinal, Vettel foi ao pódio com o terceiro lugar.

DUELO INTERMEDIÁRIO
Além da disputa entre Red Bull e a Ferrari, o campeonato também acompanha uma luta até mais acirrada, na parte intermediária da tabela. Trata-se da batalha entre Force Índia e Williams pelo quarto lugar no Mundial de Construtores. Actualmente, a vantagem está nas mãos dos indianos, que sustentam uma diferença de dez pontos para os ingleses.

A equipa de Vijay Mallya evoluiu muito mais, ao longo da época. Foi ao pódio,  é mais ousada nas suas escolhas de pneus e estratégia. A Force Índia também vence em números de pódios: 2X1.O circuito de Austin, costuma ser palco de desempenhos mais consistente da Williams, nos últimos anos. Massa e Bottas foram quarto e quinto, em 2014.

HASS COMO HONDA?

A Hass disputa a primeira corrida em casa, na F1. A equipa norte-americana viveu um início de vida no Mundial, muito aquém das expectativas. Somou pontos nas primeiras corridas e impressionou. A boa fase não durou muito, a pouca experiência também cobrou o preço. A equipa de Gene Hass teve de lidar com a falta de confiabilidade do carro, e também com as diferentes estratégias e comportamento de pneus. Mesmo assim, a esquadra ocupa uma sólida oitava posição, no Mundial de Construtores, com 28 pontos, 20 a mais que a Renault, na nona.