Jornal dos Desportos

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Lewis Hamilton domina na Espanha

15 de Maio, 2017

Hamilton esteve impecável durante o Grande Prémio de Espanha

Fotografia: AFP

Na tarde de ontem, realizou-se o Grande Prémio de Espanha, em Barcelona, a quinta prova da temporada de 2017 da Fórmula 1.  A corrida foi bem disputada entre Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, quem levou a melhor foi o britânico que viu a Mercedes acertar na estratégia.Hamilton e Vettel lutaram pela primeira posição durante toda a corrida. Melhor para Lewis que garantiu a segunda vitória na temporada. Apesar do segundo lugar, Sebastian segue na liderança do campeonato, com 104 pontos, enquanto o rival britânico tem 98 pontos.

Com uma corrida segura e tranquila, apesar da grande distância para os líderes, Daniel Ricciardo, da Red Bull, que largou na sexta posição, terminou em terceiro e completou o pódio. Outro destaque da corrida ficou por conta dos carros da Force India, com Sérgio Perez em quarto, e Esteban Ocon em quinto.

Felipe Massa não fez  boa prova. Mesmo largando em nono, o brasileiro saiu bem e pulou para sexto. Porém, após um toque em Fernando Alonso na primeira curva, foi obrigado a parar nas boxes, e voltou em último. O piloto da Williams ainda foi tocado por Stoffel Vandoorne, teve que novamente de ir ao pit stop. Assim, o representante do Brasil ficou em 15º lugar.

A próxima prova da temporada de 2017 da Fórmula 1, o Grande Prémio de Mónaco, acontece daqui a duas semanas. Fernando Alonso não vai participar da disputa, porque vai competir nas 500 Milhas de Indianápolis, principal prova da Fórmula Indy. Para o lugar do espanhol, a McLaren conta com o campeão mundial de 2009, Jenson Button.

A corrida – A patida do GP de Espanha foi agitada. Não obstante ter saído na segunda posição, Sebastian Vettel largou melhor do que o pole Lewis Hamilton, e  pulou para a ponta. Na disputa pelo terceiro lugar, Valtteri Bottas acabou por embater em Kimi Raikkonen, na primeira curva. O finlandês da Ferrari, após o toque do seu compatriota, acabou por bater em Max Verstappen,  o que forçou o holandês para fora da prova.Bottas não sofreu danos, mas Raikkonen e Verstappen foram obrigados a abandonar a corrida. A Ferrari de Kimi sofreu problemas no pneu dianteiro esquerdo, enquanto o holandês da Red Bull teve problemas na suspensão.

Essa não foi a única polémica da partida. Após conquistar a melhor posição na grelha da actual temporada, ao largar em sétimo, Fernando Alonso acabou por ser tocado por Felipe Massa, e escapou da pista. O espanhol da McLaren perdeu quatro posições e voltou para a 11º, enquanto o brasileiro foi obrigado a parar nas boxes para fazer reparos, e retornou na última colocação, em 18º.

Enquanto isso, Vettel abria cada vez mais a distância na liderança da prova, enquanto Hamilton reclamava com a Mercedes pelo rádio, dizia que não conseguia acompanhar o ritmo do tetracampeão. Porém, os pneus do alemão desgastavam-se, e o britânico começou a diminuir a distância. Na volta 16, Sebastian foi para o pit stop, e voltou na quarta posição.

Na volta 16, outro momento polémico no GP de Espanha. Kevin Magnussen, da Haas, e Carlos Sainz, da Toro Rosso, estavam parados nas boxes. O espanhol saiu antes da parada, mas o dinamarquês acabou por sair do pit stop na sequência, e fechou o piloto da Toro Rosso. Irritado, Sainz tentou a ultrapassagem na saída das boxes, mas Magnussen fechou a porta e Carlos acabou por parar na relva, mas logo retomou a corrida, a reclamar bastante.

Hamilton foi para as boxes na 22ª volta, e surpreendeu ao colocar  pneus médios. O britânico voltou ao terceiro lugar, enquanto a diferença de Vettel para Valtteri Bottas, então líder da prova era pequena, e o tetracampeão tentava a ultrapassagem, procurava retomar a ponta da corrida e não perder tempo atrás do finlandês, porque Lewis  aproveitava-se da batalha entre eles, para diminuir a distância. Após algumas tentativas frustradas, Vettel ultrapassou, assim como Hamilton, que não teve dificuldades em deixar o companheiro para trás.

Massa não teve uma corrida fácil. Na parte de trás da classificação, o brasileiro ainda se envolveu num outro embate. Ao ultrapassar Stoffel Vandoorne, Williams e McLaren acabaram por chocar. O belga levou a pior, indo parar fora da pista e abandonou a corrida, enquanto Felipe foi forçado a ir mais uma vez para as boxes. Vandoorne, porém, assumiu a culpa do acidente.


Desempenho
Alonso mostra que ainda
pode ser protagonista


A conquista do sétimo lugar de Fernando Alonso na grelha de partida do GP de Espanha, repercutiu muito mais, que a pole de Lewis Hamilton. O bicampeão mundial foi exaltado pelo mundo da F1, logo após \'tirar leite de pedra\' da sua McLaren, na classificação.

O sétimo lugar, foi o melhor momento de Fernando Alonso, nos últimos tempos. A sofrer com um carro e um motor pouco competitivos, o bicampeão sabe que em 2017, vai ter de viver de pequenas alegrias nesta temporada. Uma delas, aconteceu no  sábado (13), no Circuito da Catalunha. 

Depois de ficar fora de um dos treinos livres de sexta-feira, o espanhol  reinventou-se na classificação. Passou pelo Q1, pelo Q2, chegou ao Q3 pela primeira vez no ano, e ainda pôde superar Massa, Pérez e Ocon, todos com carros superiores que o seu, para conquistar a simbólica posição “o melhor do resto” — Mercedes, Ferrari e Red Bull estão muitos passos à frente. Um verdadeiro milagre.

 Alonso conquistou (ou, melhor dito, reconquistou) também, a admiração de figuras importantes do paddock, da F1.

“É quase inacreditável. Ele é realmente uma estrela do nosso desporto, porque seria muito fácil, simplesmente ficar desmotivado diante dessa situação. Mas o que ele fez? Lutou ainda mais. Diz muito sobre o tipo de pessoa que ele é”, elogiou Damon Hill, campeão mundial de 1996, em conversa com o GRANDE PRÉMIO no paddock de Barcelona.

Outro ex-piloto ,que se desfez em elogios ao asturiano, foi o alemão Christian Danner, um dos principais comentaristas da categoria na Europa. 

“Sabe qual é o mais fenomenal sobre Alonso? É a força mental dele. Porque fazer coisas meio estúpidas quando você está irritado – como ir jogar ténis ou sentar-se  numa cadeira ao lado da pista – todos podem fazer. Mas voltar para o carro, focar-se totalmente no trabalho, conseguir o que ele conseguiu, é impressionante. Eu admiro muito o que ele fez, porque é necessário ter força e muita personalidade”, afirmou empolgado com o feito do espanhol.

 Para Anthony Davidson, outro ex-piloto que transformou-se em comentarista da categoria, o feito de Alonso é um alento para uma equipa que estava à beira do caos, depois de inúmeros insucessos no início da temporada.

“É uma boa notícia para a equipa. Tem sido difícil para eles, desde o início do ano, e difícil para o Alonso, também. É uma óptima recompensa pelo espírito insistente dele. Um indivíduo como ele, e uma equipa como a McLaren não deviam ficar felizes com um sétimo lugar. Mas é o que eles conseguem no momento”, avaliou o piloto da Toyota, que lidera a classificação do WEC.

A surpreendente sétima posição de Alonso foi sem dúvidas, um dos momentos mais incríveis da história recente, do GP de Espanha. Nos últimos anos, só em 2012 houve surpresa maior no sábado – naquela ocasião, Pastor Maldonado levou a Williams à pole (no dia seguinte, ainda mais impressionante, venceu a corrida).

 O GRANDE PRÉMIO  também falou com o venezuelano, que estava empolgadíssimo com o que acabava de ver o bicampeão fazer. “Acho que nem ele mesmo esperava! Mas, como sempre, ele fez um grande trabalho. Fernando sempre faz a diferença nessas horas mais difíceis. Na primeira vez que as coisas funcionaram um pouco melhor, ele conseguiu. Nós sabemos os problemas que a McLaren e a Honda tiveram, e esse resultado também significa que a equipa trabalhou muito”, disse.

Felipe Massa conheceu de muito perto o espanhol nos anos de Ferrari, também elogiou o antigo companheiro. “Essa é uma pista em que o motor faz menos diferença. Mas eles talvez tenham um carro com mais pressão aerodinâmica que o nosso, talvez também tenham melhorado algo no motor, porque eles estavam a  sofrer até agora.