Jornal dos Desportos

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Lewis Hamilton está sob pressão

29 de Junho, 2016

Piloto britânico ocupa actualmente a segunda posição do campeonato do mundo

Fotografia: AFP

Lewis Hamilton chegou confiante ao GP da Europa, em Baku, após duas vitórias seguidas em Mónaco e no Canadá, que diminuiram a desvantagem de 43 para nove pontos no campeonato, em relação ao companheiro Nico Rosberg. Porém, um erro no sábado e a dificuldade de entender uma configuração errada no carro, no domingo, não resultaram apenas na adição de poucos pontos para o britânico, no Azerbarijão,  como na desconfiança de que o tricampeão não se esforçou tanto quanto devia.

As críticas começaram, após a série de erros na classificação, que culminaram com um embate que colocou-o em décimo lugar. Nos dias anteriores, Hamilton admitiu que fizera  oito voltas no simulador da Mercedes para conhecer a pista, novidade no calendário, e dispensou a tradicional caminhada que os pilotos fazem ao lado dos seus engenheiros, nos circuitos, para entenderem detalhes que muitas vezes não são claros nos simuladores, como  a altura das zebras e as variações no asfalto.

Para efeito de comparação, pilotos como Rosberg e Sebastian Vettel declararam ter feito perto de 100 voltas no simulador, e até Kimi Raikkonen, que também não costuma fazer o chamado 'track walk' com os engenheiros, resolveu rever a pista de perto na quinta-feira, em Baku, de bicicleta.

Rosberg preferiu não opinar sobre a postura do companheiro, e salientou trata-se de um dos pilotos mais vencedores dos últimos tempos.
"Cada um tem a sua própria abordagem. A abordagem dele está a funcionar - ele é um tricampeão mundial, então deve estar a fazer algo certo. Então, quem tem o direito de criticar a abordagem dele? Não acho que isso cabe a mim. Tenho a certeza que houve jogadores na história do US Open, por exemplo, que dominaram a competição mesmo com abordagens diferentes.

Entretanto,  perguntado se chegava a uma pista desconhecida e fizer apenas oito voltas no simulador, e não andasse a pé antes, para conhecer os detalhes do circuito, Rosberg limitou a dizer que "não".

O ex-piloto Jean Alesi foi mais incisivo. "Hamilton aprendeu uma lição de humildade", disse no Canal Plus, de França. "Quando se tem um carro tão bom quanto o da Mercedes, é fácil cair numa armadilha. Acho que Lewis vai para casa com alguma humildade, porque você tem de tratar uma pista difícil, com mais seriedade."

MANUAL
DE INSTRUÇÕES


A dificuldade de Hamilton entender, por que recebia alertas no seu volante que indicavam que o sistema de recuperação de energia estava a funcionar aquém do necessário, só aumentaram as críticas à abordagem do britânico.

Por ter de ultrapassar carros, que largaram mais atrás, Hamilton estava a usar um modo mais agressivo do que o companheiro. Porém, quando começou a receber as mensagens, não sabia como proceder, uma vez que não fez alterações ao volante, previamente. Tal problema surgiu devido a uma pré-programação errada com base nos treinos de sexta-feira, e que atrapalhou Lewis cerca de 15 voltas. Como a equipa não pode instruir o piloto durante a prova, as perguntas do tricampeão sobre como proceder, não foram respondidas.

Rosberg recebeu o mesmo sinal de alerta e resolveu em menos de uma volta. Porém, a equipa explicou que ele desactivou um comando, que activou algumas voltas antes.
Ainda que a situação fosse mais simples para Rosberg, o problema abriu a discussão se Hamilton devia saber o que fazer numa situação destas, ou tratava-se de algo técnico demais para o piloto controlar em meio da corrida.

"Era só mudar um controlo, mas ele precisava descobrir isso, e quando você está a 350km/h no carro e a mexer no volante ao mesmo tempo, é algo complexo. Não acho que tem a ver com Lewis não ter feito  a lição de casa", salientou o chefe do piloto Toto Wolff.