Jornal dos Desportos

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Lorenzo e Valentino Rossi decidem o título mundial

08 de Novembro, 2015

Grande Prémio da Comunidade Valência testemunha hoje a consagração do novo campeão

Fotografia: AFP

O título de Pilotos vai ficar nas boxes da equipa campeã de Construtores: Yamaha.

Valentim Rossi e Jorge Lorenzo entram com ansiedade acima da pele. Ontem, na classificação da grelha de partida, a sorte foi madrasta para o líder do campeonato de pilotos. O italiano caiu na última tentativa de melhorar a qualificação e terminou na 12ª posição. O resultado é mera ilustração. Rossi foi penalizado após o incidente polémico no Grande Prémio da Malásia, há duas semanas, e parte hoje na última posição.

O mesmo não se pode dizer de Jorge Lorenzo. O segundo classificado da tabela terminou as qualificativas com um recorde de pista valenciana. O espanhol da Yamaha cronometrou 1min30s011 e bateu o recorde anterior que pertencia a Marc Márquez desde 2013.

Com o tempo, Jorge Lorenzo parte da pole position do Grande Prémio da Comunidade Valenciana.

A possibilidade de chegar ao título mundial está favorável ao espanhol do que ao italiano. Separados por sete pontos, Jorge Lorenzo deve conquistar a prova e esperar que Valentino Rossi não ultrapasse Marc Márquez e Dani Pedrosa, segundo e terceiro posicionados na grelha de partida.

Caso Lorenzo triunfe em Valência, Rossi tem obrigatoriamente de ser segundo para terminar como campeão, desfecho que também se verifica caso Lorenzo seja segundo e Rossi terceiro. Se o espanhol ficar no último lugar do pódio, vai bastar a Rossi ser sexto.

A disputa da coroa mundial tem outros condimentos. Os três primeiros lugares da grelha do GP da Comunidade Valenciana estão ocupados por pilotos espanhóis. À semelhança do Grande Prémio da Malásia, a Honda Repsol entra na última prova disposta para vencer a corrida. O desejo ficou expresso no início da semana, quando o responsável desportivo da Honda disse que espera encerrar a polémica com uma vitória dupla.

Outras correntes defendem que Jorge Lorenzo, da Yamaha, tem apoio dos compatriotas da Honda Repsol, mormente, Marc Márquez e Dani Pedrosa. O jogo de protecção vai funcionar tal como aconteceu na Ásia. A acontecer, Valentino Rossi tem poucas possibilidades de celebrar o 10º título de campeão mundial na carreira. O veterano vai contentar-se com o vice-campeonato, depois de passar toda a época na liderança.

A destreza de Jorge Lorenzo é um factor a acrescentar na lista. O piloto espanhol realizou uma recuperação de pontos que nunca houve na MotoGP. O piloto da Yamaha assistiu à fuga do colega de equipa no início da época. Movido pelo desejo de vencer, adoptou um novo estilo de condução que surpreendeu todos os adversários. Jorge Lorenzo procurou sempre fugir nas primeiras voltas com uma aceleração espantosa.

O estilo do segundo classificado já mereceu reacções de diferentes adversários, mas foram infelizes. Marc Márquez, por exemplo, caiu várias vezes e não terminou as provas, quando procurava colar-se ao piloto da Yamaha. O mesmo não se pode dizer de Valentino Rossi. Mais experiente, o italiano procurou manter-se na pista para terminar sempre no pódio. Hoje, a história é diferente e o cenário tem outras cores. Qualquer deslize de Jorge Lorenzo vai dar o título de campeão a Valentino Rossi. E um atraso do italiano acima do terceiro lugar vai assistir à consagração do espanhol.


ROSSI VS MÁRQUEZ

Os inimigos aliados nos negócios


Valentino Rossi e Marc Márquez protagonizaram há cerca de 15 dias um incidente que pode custar o título de MotoGP ao piloto italiano. O italiano parte hoje em Valência na última posição da grelha na derradeira corrida da época, um castigo que lhe foi aplicado por ter derrubado propositadamente o espanhol na prova da Malásia.

A relação entre os dois pilotos ficou tensa e houve trocas de acusações mútuas. Marc Márquez pediu um castigo pesado para aquele que um dia considerou ser o seu ídolo e Valentino Rossi acusou o espanhol de ser mau perdedor. Há, contudo, um aspecto que continua a ligar os dois pilotos. Valentino Rossi é administrador da empresa VR46 Racing Apparel que, entre outros, gere os direitos de merchandising de Marc Márquez.

Na prática, é esta empresa com sede em Pésaro, Itália, que está encarregada de desenhar e comercializar vários artigos desportivos relacionados com o piloto espanhol, desde camisolas a luvas, passando pelos gorros e pelas bandeiras. Só em 2014, a VR46 Racing Apparel facturou 12,3 milhões de euros, sendo os lucros repartidos entre o seu proprietário - Rossi - e os pilotos que representa, entres os quais Márquez e Dani Pedrosa.

O incidente entre os dois pilotos de MotoGP pode acabar com esta parceria, de acordo com a imprensa espanhola. Marc Márquez deve romper o contrato com a VR46 Racing Apparel e assinar por uma concorrente, apesar de arrecadar cerca de 500 mil euros com a venda de produtos de merchandising, segundo algumas fontes.


MOTO3
Miguel Oliveira espreita título


O português Miguel Oliveira pode fazer história hoje. O piloto da KTM vai partir da quarta posição da grelha de partida do Grande Prémio da Comunidade Valenciana com olhos no principal lugar do pódio. O jovem cronometrou ontem 1min39s503, tempo que o relança para o título de campeão mundial da Moto3.

A 'pole position' foi garantida pelo também britânico John McPhee, com o tempo de 1min39s364, que parte pela primeira vez na carreira à frente de uma corrida.

Dotado de uma garra impecável, Miguel Oliveira surpreendeu os adversários a meio do campeonato do mundo. Depois de ameaçar a conquista de provas, chegou várias vezes ao pódio. À entrada da última prova do Mundial, o português disputa a coroa da Moto3 com o britânico Dany Kent, da Honda, que larga da 18ª posição, com o tempo de 1min40s013.

Danny Kent lidera o campeonato, com 24 pontos de vantagem sobre o piloto português. Vencedor das duas últimas corridas do Mundial e já com a promoção assegurada à categoria Moto2 em 2016, Miguel Oliveira precisa de vencer hoje a corrida de Valência e esperar que Kent não faça melhor do que o 15.º lugar, que vale apenas um ponto. Oliveira é o único que pode impedir o britânico de conquistar o título na 18ª e última prova do Campeonato do Mundo. Aquele cenário deixaria os dois pilotos em igualdade pontual, mas com vantagem para o português, já que, ficando ambos com o mesmo número de vitórias, o desempate seria feito pelo maior número de segundos lugares, que é favorável a Oliveira (três contra um de Kent).

Oliveira é o único português que já conseguiu subir ao pódio no Mundial de Motociclismo e soma cinco vitórias na categoria inferior, todas este ano, em Itália, Holanda, Espanha (Grande Prémio de Aragão), Austrália e Malásia.

A possibilidade de Miguel Oliveira chegar ao título é grande. A KTM colocou-o à disposição uma máquina com rotação superior a Honda. A evolução da KTM apanhou desprevenido os principais construtores, como a Yamaha, Honda e Suzuki. No entanto, a grande diferença na grelha de partida, entre Oliveira e Kent, espelha o que pode acontecer hoje em Valência. Na terceira e última sessão de treinos livres, Miguel Oliveira foi o mais rápido na pista.


MOTO2
Zarco destaca foco do português

O Moto2 é a única categoria que não vai decidir em Valência o título. Há muito que tem campeão, o francês Johann Zarco. O piloto de 25 anos é também um bom amigo de Miguel Oliveira e alguém com quem o português se aconselha.

"Tenho dito ao Miguel para relaxar e para não se deixar consumir com a pressão. Se conseguir controlar a pressão, esta passa para o lado contrário. Já tive a experiência das então 125cc e por isso tento dar-lhe apoio", diz o gaulês, que desde cedo percebeu o potencial do piloto de Almada.

O campeão revela as razões de se tornar amigo e conselheiro do piloto português: "Em 2011 estava no meu último ano nas 125cc e era primeiro ano dele no Mundial. Na primeira corrida, no Qatar, deu-me muito trabalho. Pensei imediatamente 'Uau, tenho de ter cuidado com este rapaz'". Zarco aponta o foco de Miguel Oliveira como a sua principal força. Além disso, caracterizou que o português é um rapaz muito arrumado.

"Ele é organizado, tem sempre tudo muito limpo. A maior parte dos pilotos atiram o fato para o chão, não têm cuidado nenhum. E isso tem um significado: quer dizer que ele é focado. Se fores organizado com a tua vida, também vais ser metódico na pista", disse.

REENCONTRO

O piloto nascido em Cannes e o português vão voltar a cruzar-se nas pistas, já que Zarco optou por ficar mais um ano na categoria intermédia. O francês sabe que vai ter em Oliveira um adversário a ter em conta. "É rápido e a sua transição vai ser forte. O estilo da sua condução no Moto3 mostra que está preparado para o Moto2", disse.

Questionado se a amizade vai ficar em risco, Zarco esclareceu: "Vamos continuar muito amigos… fora da pista! Agora, não posso dar-lhe mais conselhos".