Jornal dos Desportos

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Lorenzo ignora Rossi

21 de Dezembro, 2015

Jorge Lorenzo afirmou que ele e Márquez são os mais rápidos da actualidade

Fotografia: AFP

A época 2015 ainda não terminou na avaliação de Jorge Lorenzo. O campeão mundial continua a colocar a lenha na fogueira nos diferentes eventos em que é convidado. Desta vez, a acha foi sobre os favoritos para a próxima época desportiva. Na lista do piloto espanhol, Valentino Rossi foi "esquecido" e aparecem nomes dos dois principais pilotos da Honda Repsol, mormente, Marc Márquez e Dani Pedrosa, e o seu.

 A escolha de "espanhóis" tem um propósito: a época 2015 terminou de forma tumultuada. Valentino Rossi acusou Marc Márquez de ter actuado de forma a beneficiar Lorenzo. O italiano chegou à final de Valência na liderança do Mundial de Pilotos, mas perdeu o título a favor do companheiro de equipa por uma diferença de cinco pontos.

"Os favoritos não vão mudar de um ano para o outro. Creio que Márquez, Pedrosa e eu vamos continuar a lutar pelo título", opinou. Mesmo sem colocar o companheiro entre os candidatos ao troféu máximo, Jorge Lorenzo não escapou de abordar sobre o clima dentro da Yamaha.
“A relação é como sempre. Sei que vamos viver momentos de tensão, mas também vai haver respeito, o que é o mais importante.

Este é um desporto individual, mas compartilhamos as mesmas cores”, disse. Jorge Lorenzo, que já teve a sua cota de problemas com Márquez, especialmente na época de estreia do piloto da Honda, afirmou que não teria problemas em ser companheiro de equipa do espanhol. “Não me importaria em dividir a equipa com Márquez; formaríamos uma grande dupla se isso acontecesse, porque somos pilotos muito rápidos”, comentou.

CAMPEÃO ENALTECE
REGRESSO DE STONER

O regresso de Casey Stoner às pistas está a merecer elogios dos principais pilotos da MotoGP. O campeão em título, Jorge Lorenzo, está crente na presença de Stoner na grelha da categoria rainha de motociclismo, ainda que for de forma esporádica. O australiano está aposentado desde o fim da época 2012 e encerrou a sua ligação com a Honda no mês passado. Stoner voltou à fábrica de Borgo Panigale para ser embaixador e piloto de testes.

Em entrevista à imprensa, Lorenzo disse que Stoner "vai ser encorajado a correr algumas etapas como wild-card" pela equipa. Para o campeão mundial, "há poucos pilotos com talento natural do Casey", em que se destacam "a rapidez com qualquer moto e em todas as condições climáticas".

Contudo, o espanhol augura uma luta com australiano nas pistas de Phillip Island ou noutros circuitos. Lorenzo aposta "numa  vitória" do australiano, se Casey decidisse competir outra vez. "Seria óptima notícia. A MotoGP é muito difícil, muitos pilotos lutam pela vitória, mas ter Casey de volta seria incrível. Tomara que decida voltar", disse.

Sam Lowes augura título
Titular da Speed Up em 2015, Sam Lowes vai defender as cores da Gresini na próxima época do Mundial de Moto2 e conduzir a mesma Kalex, que domina a categoria intermediária do Mundial de Motociclismo. Munido do mesmo equipamento da maioria dos seus rivais, Sam Lowes traçou uma meta para o próximo ano: “Ser campeão mundial”.

Após os primeiros testes com a equipa de Fausto Gresini, o gémeo de Alex encantou-se com a moto alemã, embora reconheça que a Speed Up não tinha um pacote ruim. Sam Lowes terminou o ano de 2015 no quarto lugar no Mundial de Pilotos, 166 pontos atrás de Johann Zarco, o campeão.
“No fim, a moto da Speed Up não estava tão longe. Testei a Kalex e amei desde a primeira volta. A Kalex é mais fácil de pilotar, permite que sinta mais a pista e vira melhor”, comparou.

Sam Lowes assegurou que "os dois pacotes são capazes de vencer". Contudo, no próximo ano, vai estar na mesma moto que os outros. Então, talvez isso lhe ajude a melhorar mais. Além disso, Sam também afirmou que espera ver boas performances de Danny Kent e Miguel Oliveira, que sobem para a Moto3, de Lorenzo Baldassarri, que fechou 2015 com boas performances, e de Álex Márquez e Franco Morbidelli, que vão defender as cores da equipa Marc van der Straten. 

“Na Moto2, todo o mundo é capaz de surpreender. Para mim, Kent e Oliveira devem ser fortes, além de Baldassarri, que terminou a época bem. Além disso, os dois pilotos da Marc VDS vão melhorar e também vão estar lá”, indicou. Quanto aos principais candidatos ao título, Sam Lowes ressaltou: “Zarco e Rins vão ser os principais desafiantes para o campeonato, junto comigo. Mas poderia nomear 15 pilotos que são capazes de vencer corridas em 2016”.

A mudança para a Gresini em 2016, não veio sozinha. Com o contrato para a Moto2, Lowes garantiu também um vínculo com a Aprilia para estrear na MotoGP em 2017. “Sim, para mim é muito importante, já que sou diferente de quase todos os outros pilotos deste paddock. Estou aqui há só dois anos e não tenho tanta experiência. Então não é tão fácil conquistar uma oportunidade”, falou.

Sam Lowes agradeceu a equipa pela oportunidade de realizar o sonho de campeão no próximo ano. "Estou realmente grato e espero que possa ir para lá como campeão da Moto2 e fazer um grande trabalho na MotoGP”, sublinhou. Com o futuro assegurado, o britânico já começa a provar a moto da classe rainha em 2016. “Vou testar algumas vezes no ano que vem, mais para chegar à velocidade e dar à equipa muitas informações para trabalhar,  uma vez que vai ser uma nova moto”, disse.

O britânico frisou que "ir à MotoGP é sempre difícil e tem de aprender muito". "As melhores equipas e pilotos estão lá e sempre vão fazer acontecer. Quando for para lá, vou trabalhar duro para entender tudo o mais rápido possível, fazer um trabalho melhor do que as pessoas esperam e ver o que acontece”, encerrou.

MOTO 2
Queda dá título a Johann Zarco


Campeão de 2014, Tito Rabat iniciou o ano como homem a ser batido e como único piloto a permanecer na divisão intermediária para tentar renovar o título. A defesa da coroa não saiu exactamente como planeado, justamente pela grande performance de Johann Zarco. De volta à estrutura de Aki Ajo, que já tinha defendido nos tempos da 125cc, o francês encontrou o caminho da vitória e viveu um ano espectacular.

O primeiro vislumbre do potencial do número 5 veio ainda no Qatar, a primeira etapa da época, mas um problema mecânico transformou uma vitória fácil num amargo oitavo lugar. O francês não se deixou abater e foi ao pódio na etapa seguinte, em Austin, antes de alcançar o primeiro triunfo do ano, na Argentina.

Impressionantemente regular ao longo de toda a temporada, Johann raramente esteve fora do pódio. Apenas foram quatro corridas longe do top-3: o oitavo lugar do Qatar, um sexto lugar em Aragão e dois sétimos na Austrália e em Valência e conquistou o título mais fácil de 2015.

Rabat, por outro lado, demorou um pouco para engrenar e marcou um 12º lugar na terceira prova da época. Mesmo assim, Tito conseguiu manter-se na luta pelo título, mas encurtou o caminho de Zarco rumo ao título com uma queda num treino em Almería. Por conta da lesão, o número 1 não pôde correr no Japão e viu o rival ser declarado campeão.

Embora campeão com sobras, Zarco não foi o único destaque de 2015. Álex Rins fez um ano primoroso na sua época de estreia na divisão intermediária. Vindo da Moto3, o jovem piloto da Pons não encontrou dificuldades para se adaptar e foi ao pódio na sua segunda corrida, com um terceiro lugar na Austrália.

O primeiro triunfo veio um pouco mais tarde, em Indianápolis, acompanhado por outro na Austrália, semanas depois. As duas vitórias e os outros oito pódios de 2015 foram suficientes para dar ao número 40 o vice-campeonato e o prémio de melhor estreante do ano.

A Kalex, fabricante alemã, mais uma vez dominou a Moto2 e conquistou o Mundial de Construtores com o belo passeio para cima das rivais. Nesse cenário, a Suter, que tinha preparado uma moto novinha para o próximo ano, decidiu retirar a sua equipa de campo e abandonou o Campeonato Mundial. A marca suíça só teria três pilotos em 2016, todos estreantes.

Em termos de estreia, a divisão intermediária vai ter alguns novatos interessantes do próximo ano. Além dos pilotos vindos da Moto3, a Moto2 vai ver a chegada de Luca Marini, irmão de Valentino Rossi, e, desta vez como titulares, Edgar Pons e Xavi Vierge, todos vindos do Europeu de Moto2. Além disso, Mattia Pasini também volta a dar o ar da graça para compor uma grelha de 34 motos.

Assim como aconteceu neste ano, o campeão continua na categoria para tentar defender o título. Zarco não teve boas propostas para subir na MotoGP e optou por vestir o uniforme de Ajo. Quem deu um passo à frente foi Rabat, que vai ser o único debutante da classe rainha em 2016. O campeão de 2014 da Moto2 vai continuar dentro da estrutura da Marc VDS.