Jornal dos Desportos

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"Maneda" denuncia ms prticas na federao

Helder Jeremias - 28 de Janeiro, 2017

Candidato presidncia da FAB defende rentabilizao de clubes

Fotografia: Jornal dos Desportos

Com uma retórica sustentada pela vasta experiência desportiva e empresarial, Hélder Cruz "Maneda" foi contundente ao denunciar "as más práticas" da direcção cessante da Federação Angolana de Basquetebol, sob a liderança de Paulo Alexandre Madeira. Durante a cerimónia de apresentação do seu elenco, realizada numa das salas do Hotel Epic Sana Luanda, o líder da lista A revelou que a anterior direcção concentrou todos os poderes na pessoa do presidente de direcção, utilizou vários regulamentos para escamotear os diferendos inerentes à regularização de atletas e má gestão dos recursos financeiros.

Para inverter a situação, a sua linha de actuação para o ciclo 2016-2020 estampa a descentralização de poderes do presidente de direcção, a criação de quatro associações regionais com vista a massificar o basquetebol em todo o território nacional e a capitalização de recursos por intermédio de parcerias estratégicas para a implementação de projectos com vista ao resgate do estatuto internacional.

Perante o olhar de agentes desportivos e outras personalidades que configuram o quadro orgânico aspirante ao comando dos destinos do basquetebol nacional, Hélder Cruz assegurou que o basquetebol regrediu de forma acentuada nos últimos anos muito por conta da banalização dos seus pressupostos, em detrimento dos interesses pessoais. O empresário advoga a necessidade de se apostar num projecto mais consentâneo que passa pela valorização dos quadros, incremento dos níveis de comunicação e maior proximidade com a estrutura basquetebolística mundial, a NBA.

O dirigente recordou que o basquetebol continua a ser a modalidade desportiva que mais alegrias deu a Nação. Na génese do sucesso está a antiga geração de atletas e de dirigentes que criaram o sustentáculo para que Angola se tornasse na maior referência de África. O país ostenta 12 títulos continentais, dos quais alguns foram obtidos de forma consecutiva. Essa sequência foi interrompida. Nos últimos tempos, existe um enorme vazio no desempenho da estrutura federativa.

"Estão nesta salas pessoas que, no passado, muito fizeram para que o basquetebol nacional alcançasse os maiores e vários títulos no continente. Sabem que a gestão do desporto não se compadece com a concentração de todos os poderes por parte do presidente de direcção. Não conseguimos dar mais passos, porque a modalidade está refém das más praticas de gestão", disse.

Maneda, como é conhecido pelas lides desportivas, apelou à população votante para aproveitar o ensejo de alterar o destino do basquetebol: "Unidos, devemos encarar as eleições como uma oportunidade para inverter o triste quadro em que o basquetebol se encontra mergulhado".

Hélder Cruz lembrou que o Estado tem desempenhado um papel relevante no cômputo desportivo ao criar as infra-estruturas de alto padrão, com destaque para o pavilhão multiusos do Kilamba. A falta de um projecto sólido por parte de quem dirige o basquetebol faz com que a infra-estrutura seja sub-aproveitada, quando poderia ser uma forma de obter recursos.

"Como é que as equipas podem obter recursos a jogarem em pavilhões com um número muito limitado de lugares?", questionou.

Para Hélder Cruz, o gestor deve ter noção de negócio. "Temos de encarar o basquetebol como um negócio que pode melhorar a situação financeira dos clubes e, em função disso, levar adiante os seus projectos. É nossa pretensão ajudar os clubes a obterem rendimentos por intermédio de sponsor, entre outras vertentes que o desporto tem por inerência. Fica claro que os patrocinadores precisam de passar a imagem e isso só pode ser feito em pavilhões com maior dimensão", alertou Maneda.   As eleições de renovação dos corpos sociais na Federação Angolana de Basquetebol para o ciclo 2016-2020 acontece a 18 de Fevereiro.



Candidato à presidência da FAB defende rentabilização de clubes
Honorato Troso advoga criação de Seguro


O candidato a vice-presidência da Federação Angolana de Basquetebol pela lista A, Honorato João Martins Troso, defendeu a criação de uma Associação para defender os interesses dos antigos praticantes que se empenharam para dar alegrias ao país, mas que hoje apresentam cenas de desespero.

O antigo internacional angolano teceu a consideração ao tomar da palavra durante a apresentação das linhas de força do elenco de Hélder Cruz e evidenciou a preocupação pelo facto de muitos dos antigos basquetebolistas atravessarem dificuldades básicas sem que exista a possibilidade de se lhe prestar a ajuda necessária.

Para o antigo craque, "qualquer actividade humana tem como base um presente, mas é necessário que se pense sempre no futuro".

"É necessário garantir as condições para que, no final da carreira desportiva, tenhamos as condições para uma vida condigna. Infelizmente, isto ainda não foi feito. O que temos vindo a ver de alguns ex-atletas nos leva a reflectir sobre a necessidade de criar uma espécie de seguro", revelou.

Honorato Troso criticou o conformismo da direcção cessante da FAB perante ao acentuado decréscimo da qualidade da "bola ao cesto" em ambos os sexos,. Adverte aos associados que "apostar na gestão cessante" significaria outorgar o direito de relegar o basquetebol para os níveis inferiores do continente.

"Lá se vão os anos em que o nível de basquetebol nacional não era questionado, na medida em que não se registava a oscilação em termos de conquistas de troféus. No caso particular do masculino, já era altura de pensarmos em ir ao Campeonato do Mundo para obter entre o décimo e décimo lugares, além de ir para vencer o Afrobasket. Isso pode ser feito caso apostemos na formação", disse.

Honorato Torso lembrou que abraçou o projecto de Hélder Cruz por ser uma personalidade "dotada de profundos conhecimentos" sobre o basquetebol, quer do ponto de vista empresarial, quer do dirigismo desportivo, atributos que lhe conferem a pessoa "indicada para levar o barco a bom porto".

"Já ouvi algumas pessoas a dizerem que o Maneda é um pára-quedista no basquetebol. Se for o caso, é um pára-quedista que caiu no lugar certo. Quando Maneda jogava no Ferroviário e eu pelos Dínamos, foi um dos atletas que mais me dava trabalho. Muitos não sabem, mas Maneda tem apoiado sempre o basquetebol", recordou. 

Honorato Troso foi um dos melhores basquetebolistas angolanos que brilhou na selecção nacional.


RECONHECIMENTO
Piriquito enaltece projecto


O primeiro presidente da Federação Angolana de Basquetebol, José Jaime Castro Guimarães "Piriquito", considerou de "exequível" o projecto apresentado pela lista A na direcção dos destinos da "bola ao cesto" no próximo ciclo olímpico.

O antigo inclino da FAB durante o período de 1977-1987 confidenciou que muito do que está plasmado no programa de Hélder Cruz está em conformidade com aquilo que o seu consulado teve como meta, muito embora o facto do dirigismo desportivo estar em fase embrionária, não permitisse a sua plena execução.  Piriquito aconselhou os aspirantes à gestão do basquetebol no território nacional a despistarem-se de todas as práticas nefastas para o bem do basquetebol nacional, o que passa por um diálogo mais aberto com todas as estruturas, apoio institucional às iniciativas privadas e, sobretudo, a união no seio da família basquetebolística.

"Tive o prazer de apreciar ao pormenor este programa e fico satisfeito por tudo que aqui está plasmado, de modo que devo felicitá-los pela iniciativa.
Muito do que consta deste projecto representa as grandes linhas de força traçadas naquela altura em que gerimos a Federação, cujos resultados permitiram desenvolver o basquetebol. Deste modo, estou convosco", congratulou Piriquito.


DA ARBITRAGEM
Pires Ferreira apela à autonomia


A autonomia da Associação de Árbitros para que estes desempenham um trabalho mais rigoroso representa um dos pressupostos para alavancar os níveis das competições nacionais e consequente melhoria na prestação das selecções nacionais no panorama internacional. Esta é a visão do ex-presidente da Federação Angolana de Basquetebol, António Pire Ferreira.

Para o gestor da FAB no interregno 1996-2005, as linhas de força da lista A permitem que a família do basquetebol encara com optimismo o futuro da modalidade. Em jeito de advertência, sublinha os episódios que têm manchado a maior competição doméstica no que toca aos desentendimentos entre a classe de árbitros e a Federação.

Pires Ferreira lembra com nostalgia o período em ocupou o cadeirão da FAB, fase em que Angola conquistou grandes proezas no continente e as competições nacionais registaram altos níveis. Por essa razão, pactua do ensejo de inverter o actual cenário com base na formação de atletas, sem perder de vista uma melhor prestação do trabalho dos homens do apito.

"A arbitragem representa uma classe preponderante para qualquer desporto e o basquetebol não é uma excepção. Todavia, é de notar que a falta de autonomia da Associação de Árbitros está na base de situações pouco abonatórias que de algum tempo a esta parte vão surgindo. Tenho a certeza de que se trata de uma questão que vai merecer da vossa parte, caso forem eleitos", observou Pires Ferreira.


PROGRAMA
NBA Júnior alavanca basquetebol feminino


A implementação do projecto NBA júnior pela lista A, numa parceria com a NBA, vai ter grande repercussões no resgate da qualidade do basquetebol feminino, de acordo com a candidata a segunda vice-presidente da Federação, Licínia Paula Bengue Leite Velho.

A antiga atleta da Selecção Nacional mostrou-se inconformada pela regressão da qualidade de basquetebol praticado no género, onde se denota pouca habilidade nos dribles e lançamentos defeituosa inerentes aos atropelos dos fundamentos desportivos.

Lucínia Paula Bengue Leite Velho reconhece o esforço levado a cabo pelas poucas equipas que trabalham com o basquetebol feminino e garante melhores tempos, caso os projectos da sua direcção merecerem o apoio da população votante. A candidata realça que as eleições na FAB acontecem numa altura em que a parceria com a NBA garante os apoios para a classe feminina.

A implementação da NBA júnior em Angola, projecto a ser implementado nas universidades, surge na sequência de uma parceria com a direcção da NBA durante a presença de altos responsáveis daquela instituição norte-americana no país em finais do transacto. A mesma reveste-se de capital importância, uma vez que vai resultar numa sincronia entre os clubes e as universidades com ganhos recíprocos.


Presença de Mutombo
Maneda lamenta
fraca divulgação


O candidato a presidência da Federação Angolana de Basquetebol pela lista A, Hélder Cruz "Maneda", lamentou a fraca divulgação da presença de altas personalidades da NBA no país em finais de 2016 para constatar as condições para a implementação de projectos de desenvolvimento da modalidade.

Maneda informou que um dos factores que esteve na base da vinda de influentes personalidades da NBA, entre atletas e dirigentes, com destaque para Dikembe Mutombo, é a existência do pavilhão multiusos do Kilamba, construído pelo Estado para albergar o 41º Campeonato Mundial de hóquei em patins.

"A NBA é um mundo e não é qualquer país que tem o privilégio de receber uma delegação daquela dimensão, realizar actividades de grande vulto com figuras mediáticas à escala mundial. Porém, contra todas as expectativas, os órgãos de comunicação fizeram pouca divulgação e há quem tenha questionado, se existe algum problema entre Angola e a NBA", disse Maneda.

Hélder Cruz apela à necessidade de divulgar aquilo que é denunciado ao invés de escamotear factos e aterem-se a questões de pouca relevância. A gestão do pavilhão multiusos do Kilamba está sob a sua responsabilidade e o grande objectivo é colocar a infra-estrutura ao serviço do basquetebol.

"Foram realizados mais concertos musicais e cultos religiosos do que partidas de basquetebol, porque algumas equipas alegam ser longe, outras receiam que os custos sejam altos, quando nem sequer ousam perguntar", disse.

Maneda chama a atenção das equipas para adoptarem novos modelos de obtenção de receitas.

"O certo é que a jogarem em pavilhões com apenas quinhentos lugares não se pode esperar obter dinheiro. Temos de quebrar paradigmas e olhar para o basquetebol com visão empresarial e obter dele recursos financeiros. É momento de não estarmos sempre dependentes do Estado que já tem feito muito pelo desporto com a criação de infra-estruturas", rematou Maneda.

A lista A tem como candidato à presidência da Mesa da Assembleia Geral, Agostinho José Matamba, coadjuvado pelo vice-presidente José Manuel Kitamba de Matos Cardoso e a secretária Paula Odete da Cruz e Silva.

Hélder Cruz "Maneda" é candidato a presidente de direcção com quatro vice-presidentes: Honorato João Martins Troso, Lucínia Paula Bengue Leite Velho, Benjamin Romano, Luís Manuel Lopes Garrido. Nelson Timóteo Alves Sardinha concorre a secretário-geral. Maria Judith Barbosa Afonso, Belarmino Mário Chipongue, Gerson Joel de Sá Serqueira, Adilson Walaka Muandumba e Nelson do Nascimento Neves Cange são vogais.

O Conselho Fiscal é constituído por José Carlos Manuel Burity, nas vestes de presidente, José Manuel Pedro Correia Neto é vice-presidente e Eduardo de Assunção da Silva Pedro, secretário. David Jacinto José preside ao Conselho Jurisdicional ao lado das vogais Carlos Alberto, Hendrick da Silva, Deolinda Teresa Bento Quissua Santana, Rogério Augusto Carneiro de Sousa Neto e Joaquim Pedro Domingos António.

Fazem parte do Conselho de Disciplina a presidente Josefa da Conceição Oliveira Artur Gonçalves Matias, a vice-presidente Claudina Estela Ipanga e o secretário Carlos Agostinho George da Glória.

O Conselho de Arbitragem vai estar ao cargo de Fernando Godinho Pacheco, com o vice-presidente Agostinho Francisco Cardoso Quinguaia e o secretário Luís Dias da Silva Fernandes.