Jornal dos Desportos

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Modalidades

Maria reconhece evolução

Gaudêncio Hamelay | no Lubango - 25 de Outubro, 2015

Xadrezistas continuam a sentir falta de material para o desenvolvimento das suas performances

Fotografia: Jose Soares

A Mestre Internacional Maria Domingos, da Escola Macovi Sport Clube, considerou no Lubango, que o desporto ciência no sector feminino em Angola nos últimos anos conheceu uma evolução considerável.

 A xadrezista justificou que a modalidade está a evoluir porque nos 10 últimos anos, nunca houve uma Mestre Internacional em Angola. “Mas nestes últimos anos, graça a Deus a equipa da Macovi Sport Clube conseguiu trazer o título que nunca nenhuma atleta do sector feminino conseguiu conquistar cá em Angola”, enalteceu.

Em entrevista ao Jornal dos Desportos, na cidade do Lubango, no âmbito da disputa do Campeonato Nacional júnior feminino, Maria Domingos afirmou que a nível das províncias nada tem a contestar pelo facto das praticantes serem novas e para uma primeira prova em que competiram, “jogaram muito bem”.
 Avançou que fazer parte da prova masculina, significou adquirir mais experiência pois os xadrezistas deste sector jogam melhor que as femininas.

Maria Domingos que ocupou a 15ª posição na classificação geral masculina, com 3,5 pontos disse ter gostado porque serviu de preparação para o campeonato africano júnior a disputar-se no próximo mês de Dezembro, nas Ilhas Seicheles. “E jogando nos masculinos, ganho mais experiência e força”, valorizou.

 No africano, prometeu a xadrezista da Escola Macovi Sport Clube, espera ganhar uma vez estar a efectuar um trabalho de preparação minucioso com treinos diários e o campeonato visou o treinamento.

 Para o Mestre Internacional Esperança Caxita, também da escola Macovi Sport Clube e campeã em título africana, o xadrez feminino teve uma ascensão positiva.
 “Não digamos que tem muita força, mas estamos a trabalhar para ver se consegue mais títulos quer em provas nacionais, assim como internacionais”, sustentou.

Apolinário António, dirigente da escola Rene dos Castilhos do Cunene, sublinhou que a prática de xadrez contribui positivamente no desenvolvimento intelectual dos petizes, daí a aposta desta modalidade ciência nas terras do Rei Mandume com objectivo de incentiva-los cada vez mais.  Disse que no nacional júnior de xadrez em ambos os sexos decorrido na Huíla, trouxe atletas masculinos de 13 anos e femininas com idades compreendidas entre os 8 aos 18 anos.

 “Na classe feminina a província conseguiu um merecido 3º lugar através de Giliandra Daniel (escola Macovi), 5ª posição, Jovita António (escola Rene dos Castilhos) e Angelina Fernando (escola Macovi) ganhar título, enquanto em masculino procuraram ganhar experiência e servir de base para o nacional juvenil agendado para o próximo ano, apesar de Franklin Daniel (escola Rene Castilhos do Cunene) terem ocupado o 17º lugar.  No tocante ao material para o xadrez, acrescentou, que a aquisição do mesmo tem sido feita a partir da vizinha República da Namíbia.

Árbitro internacional solicita apoios

O árbitro internacional de xadrez, Abílio Ribeiro, apelou no Lubango, aos governos provinciais, sector empresarial e sociedade civil em geral a prestar maior apoio a modalidade no país.

 De acordo com Abílio Ribeiro, o xadrez é uma modalidade de parcos recursos e se cada empresário, governos provinciais e a sociedade em geral dar um pouco para apoiar o desporto ciência, acredita que os jovens evoluem de forma satisfatória em competições.

 Defendeu a necessidade de realização de mais competições internas nos escalões de formação e não só. Na sua óptica, quanto maior for o número de provas estiverem programadas em determinadas províncias, mais os jogadores estão interessados em treinar para ganharem as competições do que haver somente uma competição de se preparar para jogar num nacional.

 Aclarou que essas provas dependem muito da boa vontade dos governos províncias em apoiarem na organização dessas competições.
 “Tudo, isso cabe as associações provinciais de xadrez com o cunho da federação realizarem no mínimo por ano umas 50 provas nos escalões etários; fazerem inter escolas para tentarmos levar a modalidade nas escolas e que hoje também já se realiza o campeonato nacional de escolas; existem os campeonatos africanos e mundiais de escolas”, referiu.

 Apontou ser nas instituições escolares públicas e privadas onde podemos também encontrar jovens talentosos que muitas das vezes não estão filiados nos clubes e não conseguem aparecer nas competições nacionais de xadrez.
Gaudêncio Hamelay | no Lubango